Como já escrevi e até falei em um dos vídeos que gravei, o medo é fundamental para a sobrevivência do ser humano, mas, em excesso, pode ser perigoso.
Mas existe um tipo de medo diferente, que normalmente aparece quando alguém faz alguma coisa social ou moralmente considerada incorreta e tem medo de ser descoberto. O chamado medo da vergonha.
O problema desse medo é que ele pode causar danos a outras pessoas, pois o medo da vergonha é o medo de ser descoberto e, se há algo para esconder, é para esconder de alguém.
Podemos citar inúmeros exemplos, mas vamos falar aqui sobre dois dos mais comuns, a infidelidade e o uso de drogas.
A infidelidade é uma ambiguidade em muitas culturas, inclusive na nossa. Mesmo que hoje a aceitação seja muito menor do que há 50 anos, o homem que trai ainda é visto como normal e até usa o fato para se sentir superior aos amigos, colegas ou até mesmo para "não ficar para trás" dos outros, enquanto a mulher que trai não tem saída. Aos olhos da sociedade, vai ser taxada de "vagabunda" para baixo. Em virtude disso, o medo de ser descoberta e passar vergonha é enorme, enquanto, para o homem, o medo normalmente se resume a ter que dar explicações para a família, caso o casamento ou relacionamento termine.
O homem, normalmente, também tem vergonha de contar que foi traído e tem medo de que essa situação seja descoberta e o faça se sentir menos "macho" por isso.
Com as drogas, a situação é um pouco diferente e até mesmo pior, pois, além do medo e da vergonha, muitas vezes vemos a destruição de vidas e famílias.
No começo, o usuário tem medo de ser descoberto, mas gosta da excitação, do risco e da sensação que a droga proporciona. Só que depois vem a dependência e, com ela, o medo passa a ser o de não conseguir a droga, de não conseguir pagar, e a vergonha desaparece junto com a alma, junto com a personalidade.
Quando é possível abandonar o uso, desintoxicar-se e voltar à vida normal, a vergonha fará parte do cotidiano, e o medo de que as pessoas descubram e julguem o passado tende a ser grande.
Qual o melhor caminho? Agir de acordo com suas crenças, valores e palavras, esquecer o "faça o que eu digo e não o que eu faço", fugir da hipocrisia e assumir sua responsabilidade pelos seus atos.
Não há maior vergonha nem maior medo do que olhar para o espelho e não conseguir mais se enxergar nele.
Boa semana!
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