segunda-feira, 27 de julho de 2020

Ano 5

É bastante comum ouvirmos a expressão " O dia que mudou minha ou nossas vidas".

No meu caso específico isso é uma verdade tão absoluta que não há sequer tentar imaginar como seria a minha vida se um dia, no ano de 1977, tivesse um desfecho diferente.

Minha memória, claro, é bastante obscura, e eu diria que passei muitos anos da minha vida me culpando por uma atitude que não tive, segundo o que descobri há alguns dias, em conversa com a minha Mãe.

Eu achava que neste dia, em que minha vida tomou o rumo que me trouxe até aqui, eu tinha "decidido", entre aspas, porque uma criança não decide nada aos 5 anos, ficar na casa da minha tia e arrumado uma confusão enorme, deixando minha Mãe em prantos e envergonhada, descendo sozinha no elevador, enquanto eu definitivamente virava um morador dos jardins.

Mas, para meu tardio alívio, ela me contou que naquele meu momento de desespero o que eu queria, na verdade, era que ela não fosse trabalhar, era o primeiro dia dela no turno da noite e como meus irmão estudavam, não havia quem pudesse ficar comigo.

Contudo, independente do meu choro, da minha vontade, o que aconteceu naquele dia, realmente mudou a minha vida, meus caminhos, o rumo que eu tive oportunidade de seguir, as pessoas que fariam parte dos meus dias, o colégio, a faculdade, os empregos, tudo aconteceu porque naquele dia eu fiquei na casa da minha tia e dia após dia, fato após fato, fui ficando e quando nos demos conta, não havia mais caminho de volta.

Primeiro foi a ausência do meu avô, que fez minha avó pedir que eu ficasse mais um pouco, depois veio o colégio e a "desculpa" que durou a infância e a adolescência, de que eu tinha conseguido a bolsa e não podia simplesmente perder a oportunidade.

Houveram outros dias importantes, em outros anos, outras épocas, mas de todos os dias da minha vida, esse certamente foi aquele que definiu todo o resto e tudo o que ainda vai acontecer.

Se teria sido melhor ou pior a minha vida, ninguém jamais saberá, mas sou grato, porque mesmo com todos os defeitos, mesmo com todos os erros, mesmo com todos os dias em que a tristeza ou até mesmo um outro em estado depressivo que passei, me orgulho de ter chegado até aqui, da forma que cheguei.

A história continua...

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Na Mosca

Quanto mais perto, mais fácil de acertar.
Será? E se o alvo não for fixo e se mexer na hora H?
E se ao ver o alvo sua mão começar a tremer?
O suor pode dificultar o manejo até do ar.

Mas se você desistir de agir e resolver delegar.
Quem poderia encontrar para contratar?
Uma criança, ou uma velhinha, na escola ou na cozinha?
Dependendo da arma, qualquer um pode usar e acertar, ou errar.

Palavras também são armas, é bom não esquecer.
Portanto cuidado ao disparar sua matraca se não quiser sofrer.
Falar demais é fácil e quanto mais se fala, mas fácil é errar.
Arma tão poderosa quanto o silêncio, com certeza não há.

E se houverem mais admiradores para uma única admirada?
Os cupidos vão atacar sem dó o alvo ou antes vão brigar entre si?
Seria uma chance única, aproveitar o descuido das crianças.
Para poder mirar com toda calma e... Errar, bem na mosca!

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Folclore

Nosso País é rico. Rico de criatividade, nem sempre usada para o bem, rico na natureza, que teimamos em destruir, rico na bondade das pessoas mais simples ao mesmo tempo que é pobre quando pensamos na maioria do mais ricos.

Mas, acima de tudo, nosso País é rico em suas estórias, suas lendas, seus folclores.

Vemos diariamente pessoas caindo no canto suave e melodioso de Iara, a mãe das águas, que encanta com sua voz, suas palavras e leva os homens à morte em seus braços. A voz da Iara dos dias atuais pode até não ser tão bela, assim como seu rosto tem muitas formas, mas o resultado é o mesmo, pessoas se matando para defender quem vai as afogar sem dó nem piedade nas águas sujas da corrupção.

Temos a Cuca, que com sua boca enorme de jacaré abocanha as crianças malcriadas. Pobrezinha, em seu estômago já não cabe mais nada, tamanha a falta de educação a que estamos submetidos nesses dias. Não a vejo conseguindo engolir mais do que uma perna do saci.

Saci, que aliás é um santo com suas brincadeiras inocentes perto do que se tornou o ódio que algumas pessoas insistem em pregar nas redes sociais, no trânsito, nas ruas, nas escolas. Quem dera as brincadeiras fossem as dele ao invés do bullying que hoje até mata.

Pulando com um pé só ficamos nós, que temos que nos virar para dar conta de viver junto das mulas sem cabeça. Esse é um personagem que se multiplicou e vive em constante período fértil para reprodução.

No lugar da cabeça, uma bola de fogo, pronta para atacar tudo aquilo que não consegue defender em um debate educado, polido e respeitoso. Mas ao mesmo tempo é tão fácil enganar essas pessoas, basta ser um pouco Curupira e andar para frente com seus pés virados para trás, deixando um rastro complicado demais para qualquer mula sem cabeça seguir.

No final as contas, somos tão ricos em nosso folclore, que acabamos vivendo dentro dele e mal nos damos conta!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Rotina

Muitas pessoas usam a palavra "rotina" como uma coisa ruim, muitas vezes com tom pejorativo e só se lembram que precisam "sair da rotina", viver alguma coisa nova, diferente.

Mas, na verdade, poucas coisas na vida são tão importantes como a rotina e nesse momento que vivemos, em plena pandemia, ela é ainda mais importante.

Se você está em isolamento por fazer parte do grupo de risco, ou por simples amor à sua vida e por empatia com a vida das outras pessoas, ou mesmo infelizmente perdeu seu emprego e não precisa sair de casa, a rotina é praticamente um alicerce para os seus dias.

Ter um horário para acordar, atividades pré-determinas para fazer, mesmo que sejam coisas simples, como limpar um cômodo, organizar uma gaveta, tentar uma receita nova e, claro, uma maneira de exercitar o corpo e sempre maneiras de exercitar a mente. Seja com leituras, filmes, planilhas, cursos on-line e etc.

Se você tem possibilidade de fazer seu trabalho em casa, a organização da rotina é ainda mais importante, para se manter focado e concentrado no trabalho, mesmo que não tenha o chefe na sua cola, funcionários lhe fazendo perguntas ou colegas tirando seu foco para um cafezinho e etc.

Com rotina seu dia passa com mais facilidade, sua sensação de cumprir as tarefas colabora com a estima e você pode se sentir grato por poder ficar seguro em casa, ao invés de praguejar por ter que ficar em casa.

Mesmo em períodos chamados normais, a rotina é importante. Cumprir com os horários determinados, aparecer nas reuniões e eventos combinados, respeitar as pessoas que dependem de você para cumprir a rotina delas entre tantas outras coisas.

Aí, quando aparecer uma viagem, uma festa, um evento com amigos, você pode tranquilamente quebrar sua rotina, pois terá a tranquilidade de saber que nada ficou para trás, que todas as obrigações estão em dia e que não vai precisar abrir mão dos momentos de felicidade para correr com uma obrigação que ficou para trás.

Boa semana, dentro da rotina, para todos nós!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...