segunda-feira, 13 de julho de 2020

Folclore

Nosso País é rico. Rico de criatividade, nem sempre usada para o bem, rico na natureza, que teimamos em destruir, rico na bondade das pessoas mais simples ao mesmo tempo que é pobre quando pensamos na maioria do mais ricos.

Mas, acima de tudo, nosso País é rico em suas estórias, suas lendas, seus folclores.

Vemos diariamente pessoas caindo no canto suave e melodioso de Iara, a mãe das águas, que encanta com sua voz, suas palavras e leva os homens à morte em seus braços. A voz da Iara dos dias atuais pode até não ser tão bela, assim como seu rosto tem muitas formas, mas o resultado é o mesmo, pessoas se matando para defender quem vai as afogar sem dó nem piedade nas águas sujas da corrupção.

Temos a Cuca, que com sua boca enorme de jacaré abocanha as crianças malcriadas. Pobrezinha, em seu estômago já não cabe mais nada, tamanha a falta de educação a que estamos submetidos nesses dias. Não a vejo conseguindo engolir mais do que uma perna do saci.

Saci, que aliás é um santo com suas brincadeiras inocentes perto do que se tornou o ódio que algumas pessoas insistem em pregar nas redes sociais, no trânsito, nas ruas, nas escolas. Quem dera as brincadeiras fossem as dele ao invés do bullying que hoje até mata.

Pulando com um pé só ficamos nós, que temos que nos virar para dar conta de viver junto das mulas sem cabeça. Esse é um personagem que se multiplicou e vive em constante período fértil para reprodução.

No lugar da cabeça, uma bola de fogo, pronta para atacar tudo aquilo que não consegue defender em um debate educado, polido e respeitoso. Mas ao mesmo tempo é tão fácil enganar essas pessoas, basta ser um pouco Curupira e andar para frente com seus pés virados para trás, deixando um rastro complicado demais para qualquer mula sem cabeça seguir.

No final as contas, somos tão ricos em nosso folclore, que acabamos vivendo dentro dele e mal nos damos conta!

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