Á partir deste ano, até os meados dos anos 80, minhas lembranças são poucas e como demorei demais para pensar em descobrir minha infância, pois duas das minhas três mães foram embora e nesse período eu convivia muito mais com as duas do que com a minha Mãe mesmo, o que dificulta, para ela também, lembrar muitas coisas sobre o período.
O que posso escrever sobre esse período é que meu Avô me levava aos domingos para o Parque do Trianon e eu tenho na lembrança, mesmo que esmaecida pelo tempo, ele me segurando pelas mãos e eu caminhando no "degrau" da 9 de Julho quando tem a subida para o túnel. São poucas, infelizmente, as minhas memórias com ele, mas é interessante o amor que eu guardo, como se ele realmente fosse, e foi, extremamente importante na minha vida. Ele também me levava em alguns fins de semana para a casa da minha mãe e buscava meu irmão para ir no parque comigo.
Mesmo sem voltar para a casa da minha Mãe, ela ia todos os dias para me ver na hora do lanche. O Eldorado, onde hoje é Carrefour, na Pamplona era perto de onde eu estava morando, mas ainda assim era uma caminhada de pelo menos 15 minutos para ir e 15 minutos para voltar. Ou seja, o lanche mesmo era me ver.
Provavelmente esse foi o momento em que a minha personalidade foi se moldando para a forma que é até hoje. Introspectivo, solitário, pois não tinha amigos e nem podia ter, porque as regras eram rígidas. Só podia brincar no prédio. Sair, só para ir no boteco que ficava ao lado do prédio para comprar cigarro.
Brincava sozinho, com poucos brinquedos e bonecos, narrava jogos imaginários de futebol e nem me lembro de sequer ver televisão.
Esse período eu fiquei praticamente, senão todo, o ano sem ver meu Pai, pois ele já tinha de certa forma assumido a amante como mulher, apesar de nunca ter se separado na minha Mãe.
Ao menos no ano seguinte veio o início do colégio. Os intermináveis anos no adorável Assunção...
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