Apenas eles moravam por aqui quando as primeiras escunas chegaram.
E não se achavam donos da terra, e sim parte dela. Viviam em harmonia com a natureza, dela extraíam apenas aquilo de que precisavam e a ela devolviam tudo o que não lhes pertencia.
Pela essência humana, havia entre eles líderes, aqueles que eram mais respeitados e seguidos, mas, ainda assim, mesmo que houvesse disputas por terras e mortes, não era nada comparado ao que vemos entre os "caras-pálidas".
E hoje ouvimos falar dos poucos indígenas que ainda permanecem na pouca mata que nos sobra e, aos poucos, vão sendo dizimados, sem piedade, pela ganância dos "homens brancos", pela mania de colocar o dinheiro acima de tudo, passando por cima das leis, já tão frágeis, que tentam, em vão, conter as queimadas e o desmatamento.
Nossos netos vão pagar por isso, vivendo em um mundo cada vez mais cinza, mais desigual e, certamente, alguns dos nossos bisnetos nem saberão quem foram os indígenas.
Pobres indígenas, que, com sua inocência e admiração, não usaram da violência para expulsar os invasores de suas terras. Foram enganados, assassinados e hoje vivem escondidos, entregues à própria sorte em um país onde são vistos como dispensáveis. Até mesmo animais domésticos têm mais proteção e mais voz do que os indígenas, e eram eles que deveriam nos ensinar como juntar a evolução à humanidade, a crescente inteligência à vida natural, o progresso à coexistência. Mas somos atrasados demais para conseguir viver assim.
Por um tempo, tive certa pena dos indígenas. Hoje, por mais triste que seja vê-los desaparecer, tenho mais pena do autoproclamado "homem racional", que, na verdade, não passa de uma criança mimada que não cuida de nada do que tem...
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