segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Emergências e Desastres

 Aos poucos estamos perdendo nossa sensibilidade.

Boa parte das pessoas não consegue mais ser empática com a tristeza e com a dor dos outros, aos poucos vamos nos afundando no egoísmo, na preocupação exclusiva com o nosso bem estar e vamos nos esquecendo  do que está acontecendo com o mundo.

Atingimos 1 milhão de vidas perdidas com a colaboração do coronavírus no mundo e aparentemente isso não faz a menor diferença.

Nem parece que houve uma comoção e tristeza tão grande quando caiu o avião que levava a equipe da chapecoense, nem a indignação e revolta com o caso da Kiss no Sul do Brasil.

E o que dizer sobre o atentado em Paris, quando muitos brasileiro trocaram suas fotos de perfil no facebook em solidariedade, nem parece que somos os mesmos.

Deixamos visões políticas dominar nossa razão, nos fazendo abrir mão da ciência. Ignoramos estudos para acreditar em notícias recebidas pelo WhatsApp, perdemos nossa dignidade para não dar o braço à torcer em relação aos nossos equivocados pontos de vista.

Não há desastre nenhum que mate o tanto de gente que o vírus vem ajudando a matar dia após dia, mas parece que não achamos mais que isso é uma emergência.

Tomar uma cerveja com os amigos na praia? Ah, sim, isso é uma emergência...



segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Ano 7 - 1979

 Este ano foi, sim, muito diferente, foi o primeiro dos meus 14 anos no Colégio Assunção.

Eu já estava rorando definitivamente com meus avós paternos, minha tia e meu tio, morava nos jardins, mas não fazia parte do grupo que morava nos jardins.

Meu tio conseguiu um padrão de vida relativamente bom, mas minha vó, que é quem pagaria as minhas mensalidades, não. Na época, nem pensão ela recebia, pois meu avô ainda era vivo.

Fui bolsista durante todos os 14 anos, pagando menos da metade ma mensalidade, e apesar de saber que muito do que consegui foi devido ao estudo que tive, sei que deixei a desejar em muitos aspectos. Deveria ter aproveitado mais, estudado mais, me esforçado mais, mas, muitos fatores atrapalharam esses planos.

Me lembro, com enorme carinho, da minha primeira professora, a Tia Mariazinha, me lembro dos blocos coloridos, da sala no fim do corredor, tudo nublado, tudo em pequenos pedacinhos coloridos de memória.

Mas o que não me esqueço e não entendo de jeito nenhum foi de um fato pra lá de inusitado.

E aconteceu logo nos primeiros dias, na classe.

Do nada, absolutamente do nada levantei da minha carteira, peguei meu casaquinho de "couro" que estava pendurado na cadeira, o coloquei e comecei a cantar "Sandra Rosa Madalena" do Sidney Magal.

Não me lembro do rosto da Tia Mariazinha, nem dos meus coleguinhas, mas certamente foi de espanto...

O estranho é que a minha personalidade é por natureza tímida. Sei que no Assunção em alguns momentos fui até popular, afinal era quase patrimônio da escola e tinha gente que achava que eu nunca sairia de lá, mas apesar disso, fora dos grupos, era quieto e reservado, ou seja, não sei o que baixou em mim naquele dia.

Mas tirando a escola, na vida em casa tudo começou a virar uma rotina e a vida de uma criança em um apartamento em um prédio onde não haviam muitas outras crianças, era bem entediante e acredito que nesse período comecei a apreciar a minha solitude, a brincar sozinho, a perceber que nem sempre são necessárias outras pessoas...

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Menos palavras, maior compreensão

Muitas coisa são comunicadas com mais sucesso pelo silêncio.
Olhares, o enrubescer das faces, o som das batidas do coração.
Todas essas pequenas coisas dizem muito mais do que a boca.
Quando tentamos explicar demais. normalmente confundimos.

Nos atrapalhamos e não conseguimos fazer o anúncio.
O excesso de palavras por vezes só dificulta a comunicação.
O nervosismo é melhor aceito por atos do que pela voz rouca.
Afinal, não há palavra que ilustre melhor o que sentimos.

Enquanto palavras se perdem, minhas sensações eu gerencio.
Porque nesses anos todos, aprendi uma valiosa lição.
Muita gente usa as palavras como roupa, se não serviu, troca.
E acham que depois de muito insistirem, essas palavras engolimos.

Pobres almas, mal sabem do que essa falsa concordância é o prenúncio.
Não sabem o quanto é tola essa ambição.
Quando na verdade é só uma preguiça de lidar com cabeça oca.
E assim silenciosamente e paz e harmonia, calmamente seguimos.

ELPJ

09/20



terça-feira, 8 de setembro de 2020

Habilidades e Inabilidades

Quando alguém tem muita facilidade para realizar uma tarefa ou atividade, costumamos dizer que ela nasceu com esse dom. E eu não me sinto capaz de discordar desta afirmação, mas tampouco me permito deixar de ver o esforço, treinamento, estudo e dedicação que aquela pessoa dispendeu durante muito tempo para chegar em um status de especialista, craque, gênio e etc...

Todos nós temos condição de aprender alguma coisa que tenhamos vontade, mas nem todos n[os conseguiremos nos destacar no que tentamos aprender, porque ao invés de termos habilidade para tal, somos inaptos, assim como existirão os que tem menor habilidade com algumas coisas nas quais nos saímos bem.

A grande maioria das pessoas não é excepcional em nenhuma atividade, assim como não há ninguém que seja inapto em tudo, Cada pessoas tem suas habilidades e inabilidades. Um grande matemático pode ter grande dificuldade em relações pessoais. Já um leigo em número pode ser bom em atividades motoras, entre tantas outras coisas.

O importante é encontrar seus pontos positivos e procurar melhorar cada vez mais, se destacar em determinada área ou situação, mas sem nunca esquecer suas vulnerabilidades e procurar se proteger o máximo possível contra ataques nessas áreas.

Portanto, estude, pratique esportes, arrisque-se em atividades manuais e não se preocupe com as críticas e nem se perca nos elogios. Sempre temos espaço para aprender mais e melhorar em tudo, assim como podemos aos poucos perder nossa habilidade se não sustentarmos a atividade, o trino, a procura de conseguir sempre mais....

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...