segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Ano 7 - 1979

 Este ano foi, sim, muito diferente, foi o primeiro dos meus 14 anos no Colégio Assunção.

Eu já estava rorando definitivamente com meus avós paternos, minha tia e meu tio, morava nos jardins, mas não fazia parte do grupo que morava nos jardins.

Meu tio conseguiu um padrão de vida relativamente bom, mas minha vó, que é quem pagaria as minhas mensalidades, não. Na época, nem pensão ela recebia, pois meu avô ainda era vivo.

Fui bolsista durante todos os 14 anos, pagando menos da metade ma mensalidade, e apesar de saber que muito do que consegui foi devido ao estudo que tive, sei que deixei a desejar em muitos aspectos. Deveria ter aproveitado mais, estudado mais, me esforçado mais, mas, muitos fatores atrapalharam esses planos.

Me lembro, com enorme carinho, da minha primeira professora, a Tia Mariazinha, me lembro dos blocos coloridos, da sala no fim do corredor, tudo nublado, tudo em pequenos pedacinhos coloridos de memória.

Mas o que não me esqueço e não entendo de jeito nenhum foi de um fato pra lá de inusitado.

E aconteceu logo nos primeiros dias, na classe.

Do nada, absolutamente do nada levantei da minha carteira, peguei meu casaquinho de "couro" que estava pendurado na cadeira, o coloquei e comecei a cantar "Sandra Rosa Madalena" do Sidney Magal.

Não me lembro do rosto da Tia Mariazinha, nem dos meus coleguinhas, mas certamente foi de espanto...

O estranho é que a minha personalidade é por natureza tímida. Sei que no Assunção em alguns momentos fui até popular, afinal era quase patrimônio da escola e tinha gente que achava que eu nunca sairia de lá, mas apesar disso, fora dos grupos, era quieto e reservado, ou seja, não sei o que baixou em mim naquele dia.

Mas tirando a escola, na vida em casa tudo começou a virar uma rotina e a vida de uma criança em um apartamento em um prédio onde não haviam muitas outras crianças, era bem entediante e acredito que nesse período comecei a apreciar a minha solitude, a brincar sozinho, a perceber que nem sempre são necessárias outras pessoas...

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