Nasci palmeirense e cresci muito palmeirense e hoje sou bem menos do que fui no auge da juventude e início da vida adulta.
E porque escrevo isso especificamente neste ano?
Porque em 1986 tive a minha primeira decepção amorosa, desse amor que se chama Palmeiras.
A derrota para o time do interior, Inter de Limeira, me deixou desenganado da vida.
As gozações na escola, nunca ter visto meu time ganhar um título sequer. Tudo isso me deixou ainda mais isolado no meio de tanta gente.
No auge da adolescência me sentia abandonado por Deus, me vi até mesmo questionando a existência desse Deus.
Claro que meu ano escolar foi para o beleléu e pela primeira vez repeti de ano no colégio.
Lembro do medo de contar para a minha vó, de ter "fugido" para a casa da minha mãe, como quem não quer nada, deixando minha vó ir buscar o resultado, mentindo descaradamete que achava que tinha passado.
Quando o telefone dela, chateada demais chegou, eu fingi espanto, mas não fiquei nenhum pouco espantado.
Comecei a me ver fora do colégio, pois como bolsista, sempre me disseram que se repetisse, perderia a bolsa e seria impossível para a minha avó pagar a mensalidade integral do Assunção.
Mas nada disso aconteceu e no ano seguinte continuei por lá e por muitos outros anos.
Não consigo me lembrar do sentimento quanto a essa possibilidade, mas tenho quase certeza de que não achava uma ideia tão ruim sair daquele mundinho do qual eu não fazia parte.
E o mais estranho, para aquele momento da minha vida, é que ganhei de natal o melhor presente de todos os tempos. Uma bicicleta! Uma cross, com as rodas vermelhas. Eu que achava que nem ia ganhar nada por causa da reprovação. Foi, talvez, o melhor natal que eu passei na minha uventude.
O fim de ano foi de pedaladas e de expectativa para o ano seguinte.
Fazer 15 anos me causava uma impressão estranha e absolutamente incorreta, de qua alguma coisa poderia mudar e por isso eu não via a hora de chegar em 1987!
E você, vem comigo para saber como foi? Em algumas semanas te conto!
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