Muito se fala em meritocracia por aqui.
Direitos iguais, oportunidades iguais, até inventaram o racismo reverso e tentam equiparar o movimento feminista com o machismo.
E para ficar ainda mais estranho, boa parte daqueles que defendem o direito de explorar, são os explorados, abduzidos por discursos caóticos e sem sentido, mas suficientemente inflamados para chamar a atenção daqueles com mais dificuldade de entendimento e interpretação.
Muitos dizem que para passar em um concurso público, basta estudar, que para se tornar um diretor de empresa, basta se esforçar, que para ter várias férias ao ano, esbanjando dinheiro público, basta ser honesto e construir uma carreira política.
Tudo isso está errado, muito errado.
Para passar em um concurso público com salário superior à dez mil reais e mais benefícios, é preciso estudar muito e para estudar muito, é preciso ter tempo e para ter tempo de sobra, é preciso ter dinheiro e para ter dinheiro, ou você tem uma família que suporta os seus custos, e seus necessários momentos de lazer, ou você trabalha e atrapalha seus estudos. Claro que mesmo com dinheiro e tempo, mas sem esforço, o candidato só passa no concurso se tiver algum conhecido que o coloque para dentro e aqui no Brasil, certamente existem casos assim. E, claro, existem as exceções, que sacrificam tudo e com muito suor, conseguem passar, mas, repito, são exceções.
Assim como exceções são aquele que começam na empresa como office-boy, contratado e não nomeado e vão subindo, mas a regra, principalmente em empresas de pequeno porte, é que os filhos herdem as posições de seus pais e, em alguns casos, levem a empresa para o buraco.
Assim como na política, onde os sobrenomes são sempre os mesmos. Bisnetos, netos, filhos, irmãos, sobrinhos, todos enchendo o bolso sem trabalhar as custas de impostos mal empregados.
Há quem julgue que passar fome é uma opção, que morar em área de risco é vontade pessoal, que passar horas no trânsito para ganhar um salário mínimo é uma recompensa e que humilhar um prestador de serviço é nobreza.
Quem larga na frente, normalmente chega primeiro, quem dorme e se alimenta bem, tem mais energia para gastar e enquanto uns dez milhões ganham alguma coisa, mais de duzentos milhões só sabem o que é perder por aqui.