segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Como subir na vida vindo de tão longe?

Muito se fala em meritocracia por aqui.

Direitos iguais, oportunidades iguais, até inventaram o racismo reverso e tentam equiparar o movimento feminista com o machismo.

E para ficar ainda mais estranho, boa parte daqueles que defendem o direito de explorar, são os explorados, abduzidos por discursos caóticos e sem sentido, mas suficientemente inflamados para chamar a atenção daqueles com mais dificuldade de entendimento e interpretação.

Muitos dizem que para passar em um concurso público, basta estudar, que para se tornar um diretor de empresa, basta se esforçar, que para ter várias férias ao ano, esbanjando dinheiro público, basta ser honesto e construir uma carreira política.

Tudo isso está errado, muito errado.

Para passar em um concurso público com salário superior à dez mil reais e mais benefícios, é preciso estudar muito e para estudar muito, é preciso ter tempo e para ter tempo de sobra, é preciso ter dinheiro e para ter dinheiro, ou você tem uma família que suporta os seus custos, e seus necessários momentos de lazer, ou você trabalha e atrapalha seus estudos. Claro que mesmo com dinheiro e tempo, mas sem esforço, o candidato só passa no concurso se tiver algum conhecido que o coloque para dentro e aqui no Brasil, certamente existem casos assim. E, claro, existem as exceções, que sacrificam tudo e com muito suor, conseguem passar, mas, repito, são exceções.

Assim como exceções são aquele que começam na empresa como office-boy, contratado e não nomeado e vão subindo, mas a regra, principalmente em empresas de pequeno porte, é que os filhos herdem as posições de seus pais e, em alguns casos, levem a empresa para o buraco.

Assim como na política, onde os sobrenomes são sempre os mesmos. Bisnetos, netos, filhos, irmãos, sobrinhos, todos enchendo o bolso sem trabalhar as custas de impostos mal empregados.

Há quem julgue que passar fome é uma opção, que morar em área de risco é vontade pessoal, que passar horas no trânsito para ganhar um salário mínimo é uma recompensa e que humilhar um prestador de serviço é nobreza.

Quem larga na frente, normalmente chega primeiro, quem dorme e se alimenta bem, tem mais energia para gastar e enquanto uns dez milhões ganham alguma coisa, mais de duzentos milhões só sabem o que é perder por aqui.




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Memória Digital

Antigamente, duas gerações atrás, não existia celular, nem facebook, nem máquina digital, mas existia muito mais memória em cada um de nós.

Hoje quase não decoramos mais números de telefone, por vezes nem os nossos! Antigamente o número da casa dos pais, avós, amigos, ficavam todos na memória, bastava tirar o telefone do gancho e discar. Hoje nem discar precisamos, é só achar o nome na lista de contatos do celular e apertar no nome de quem você quer falar.

Aniversários eram datas sagradas! não tinha como esquecer aquelas datas especiais, da família, dos melhores amigos, da namorada ou namorado. Hoje em dia, quem nos lembra dos aniversários é o facebook e ficamos tão dependentes de certas coisas, que por vezes passamos a semana inteira lembrando de um aniversário, mas se por ventura não entramos no aplicativo, acabamos esquecendo de mandar os parabéns.

E isso é tão maluco, que às vezes até para saber "que dia é hoje", precisamos abrir o celular.

Não temos mais o gosto de revelar fotos, da ansiedade da espera, do medo de não terem ficado boas ou de queimar o filme.

Hoje temos milhares de fotos nos computadores e telefones, que acabam sendo públicas, passando da página da conta pessoal da rede social, para estranhos que podem fazer o download de uma foto compartilhada.

Já não ficamos com tantos bons momentos na memória, eles ficam todos armazenados em alguma nuvem.

Sim, isso é a modernidade, é a evolução e muitos adolescentes mal entendem o que é filme fotográfico ou discar um telefone, mas qual a consequência desse uso tão reduzido da nossa memória, do que sentimos e do que passamos?

Será que em mais alguns anos todas as nossas memórias serão substituídas por um cartão, que por sinal já é chamado de "cartão de memória"?

Guarde suas lembranças, utilize mais sua mente e procure sempre trazer para a sua memória as datas importantes, os momentos marcantes, os dias inesquecíveis. Senão tudo isso vai acabar perdido, depois de ser guardado em uma gaveta, fora do corpo...



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Objetivos de Vida

 A vida é uma dádiva grandiosa demais para não aproveitarmos da melhor maneira possível o pouco tempo que nos foi concedido para ficar por aqui.

Mas, para uma quantidade bastante razoável de pessoas, a vida é apenas um trem circular com poucas estações que podem ser: Casa, trabalho, relacionamento, sexo e sofrimento.

Algumas pessoas passam por menos estações ainda, como casa, trabalho e casa de novo, pegando vez ou outra uma conexão para bebida com os amigos em fins de semana esporádicos.

Muita gente trabalha apenas para pagar as contas, não porque quer, mas é o que o salário permite e essas contas são apenas para sobrevivência, tais como energia, comunicação, alimentação, vestuário de vez em quando, um móvel para a casa raramente.

Pouco sobra para pensar em diversão e todo ser humano precisa de uma distração, então cada um encontra essa diversão dentro daquilo que é possível.

Para cada restaurante chique lotado, com pessoas aproveitando a sua vida, existem centenas de pessoas gratas por ter um arroz e feijão básico com um legume e talvez um tipo de carne na mesa, mas existem milhares de pessoas que ou só tem o arroz, ou só um pouco de farinha, ou apenas fome.

Temos trinta mil brasileiros que podem ir à Dubai assistir uma partida de futebol e temos duzentos milhões que não podem ver a água do mar no litoral do seu próprio pais.

E isso não é uma crítica a quem pode viajar, mas uma reflexão do motivo que leva tão poucos a poder fazer isso, enquanto para muitos não chega perto nem de ser um sonho.

É verdade, temos que aproveitar a vida o máximo possível, com aquilo que temos, mas jamais podemos fechar os olhos para aqueles que não tem nem o mínimo e por vezes não conseguem enxergar como presente a vida que receberam.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Relacionamentos precisam de nomes?

Pessoas têm nomes, lugares têm nomes, por vezes colocamos nomes até em brinquedos e objetos, mas será que é necessário nomear tantas coisas, como relacionamentos, por exemplo?

Existem, hoje em dia, muitas formas de nominar um relacionamento: Namoro, relacionamento aberto, noivado, casamento, enrolação, ficando, saindo, conhecendo entre outros que eu, pela idade já avançada, nem devo conhecer.

Mas o que define efetivamente cada um desses "estados", o que é realmente um namoro, ou ficando, como podemos definir essas palavras?

O que significa estar namorando? Quais as atividades que permeiam essa premissa? E quando escutamos a frase "Estou morando com o meu namorado" ainda é namoro, ou casamento?

Vivemos sob muitas regras informais e por vezes não temos respostas para o que não sabemos definir.

Cada casal define namoro, ou seja lá o nome que for, da forma que preferir. Pra mim, por exemplo, o fato de morar sob o mesmo teto e dividir as contas faz com que o casal seja "casado", independente de documentação legal ou religiosa, isso é problema burocrático que fica para depois.

Os relacionamentos foram mudando com o tempo e essa mudança fez com que coisas mais formais se perdessem, como por exemplo o pedido de namoro, que antes era obrigatório e hoje está quase extinto.

O namoro simplesmente é a continuidade de uma das várias denominações que citei acima e por vezes até mesmo uma pessoa do par se considera namorando e a outra ainda não.

O que é mais importante, o nome que se dá, ou a maneira que se sente?

Todo relacionamento muda com a idade, o amadurecimento e com o próprio relacionamento. E não há como dar nome para tudo isso.

Então, que todos aproveitem ao máximo seus relacionamentos, seja lá que nome tiverem, mas sempre com respeito ao parceiro e, principalmente a si mesmo, e fundamentalmente, sem querer criar um modelo "correto" para cada nome de relacionamento, pois pessoas diferentes, nunca terão relacionamentos iguais...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...