segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Os filhos do presente sem futuro

Não tenho filhos, por escolha própria, até onde eu sei.

Quando me casei, essa era uma das minhas condições, não queria colocar no mundo mais uma pessoa para viver no hospício que já se desenhava, há mais de 20 anos atrás.

Hoje, quando vejo pessoas que choram por um político derrotado, que não tem o mínimo de empatia, que pensam exclusivamente nos seus benefícios, imagino como será o futuro e, me desculpem, não tenho esperança.

Os filhos do presente não terão futuro, viverão à mercê das ameaças nucleares, dos discursos fascistas, das mentiras infinitas, da divisão cada vez maior de classes, da ofensa religiosa, de todas os preconceitos possíveis.

Serão filhos do nós contra eles, das divergências que nunca se convergem, do medo de se posicionar e tomar um tiro porque tem uma opinião diferente.

E, por isso, todos os dias, me regojizo com a minha decisão do passado, pois quem tem um filho, tem um amor sem precedentes e uma preocupação eterna e talvez ninguém mereça mais viver em um mundo que precisa de reforma, mas uma reforma que ainda vai demorar muitas vidas, se um dia ela realmente começar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Conto em Gotas - Parte 8

 As outras 7 partes estão perdidas aqui pelo blog...

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Ela hesitou teatralmente, deu um suspiro e um sorriso falso e perguntou:

- Não vou atrapalhar nada? Acho melhor esperar aqui...

-Não, não. Estou sozinho, acabei de comprar meu café da manhã e não tenho planos para agora, pode tomar uma água e até descansar um pouco, se quiser. Disse com um sorriso quase assustador.

- Tá bem então, obrigada! Disse ela em uma ingenuidade que seria demais até para a mais ingênua das mulheres.

Ele pareceu ficar nervoso quando se aproximaram da porta, quase derrubou as chaves e disse para ela, enquanto tentava achar o buraco da fechadura:

- Não repare na bagunça. Amanhã vou limpar a casa.

Ela não disse nada, colocou a mão por dentro da jaqueta para sentir seu revólver e o seguiu, mantendo uma distância de pelo menos um metro, para poder reagir, caso ele fizesse algum movimento brusco.

A primeira coisa que ela notou, foi o cheiro que chegou logo após que a porta se abriu, não cheiro de morte, mas de comida estragada, sujeira e quando ele a convidou para entrar e se dirigiu à cozinha, ela pensou que seria impossível não reparar na bagunça.

Um colchão coberto por um edredom imundo ficava em um dos cantos, ao lado uma televisão grande demais para o tamanho da sala. E perto de onde ela estava, havia um sofá de um lugar só, com tantas manchas que ela não sentaria nele nem se não aguentasse mais as próprias pernas.

Mas o que fez seu olhar ficar parado foi a estante na parede à sua frente, cheia de revistas jogadas, abertas, rasgadas, mas também com rolos de fita Silver tape, cordas sujas, um punhal e escondida sob as revistas, a ponta de uma faca que deveria ser bem grande.

- Você não acha que está muito quente para ficar com as janelas fechadas? – Falou alto em direção à cozinha, enquanto caminhava devagar já com a arma na mão que estava escondida na jaqueta.

- Já vou abrir, deixei fechada porque fui ao mercado. Disse ele virando em direção a ela com um copo na mão e água de um filtro de barro que possivelmente não era lavado há alguns anos.

Mas ele derrubou no chão o copo assim que olho para frente e viu o cano de um revólver apontado em sua direção.

- Levante os braços e vire de costas, agora! – Ela disse com a voz mais firme do que imaginava.

Mas ele não fez isso, ao contrário, avançou em direção a ela e só parou quando o tiro atingiu seu joelho direito.

- Socorro, socorro, Aiiii! – Gritou ele em estado de choque e desespero.

Ela sabia que o tiro tinha feito barulho e sabia que os gritos dele poderiam ser ouvidos fora da casa, mas com as janelas fechadas e a distância da rua, ela apostou em suas chances.

- Eu mandei você virar e levantar as mãos. Agora vai sangrar até morrer se não ficar quieto e fizer tudo o que eu mando!

- De, desculpe, desculpe – Choramingou ele.

Com a arma ainda apontada pare ele, ela deu dois passos para trás e pegou rapidamente a fita Silver tape na estante.

- Vira de costas e põe mão para trás – Falou em tom de desprezo.

Ele obedeceu, mas ela não ficou satisfeita, mandou que ele levantasse os braços. Pegou a ponta da fita, continuou apontando a arma para ele e pisou na sua cabeça, já colocando a fita em volta dos seus punhos. Ele tentou se debater, mas ela deu várias voltas e por fim tirou os pés da cabeça dele, mandou-o levantar e deixou que ele sentasse naquele sofá imundo, com as mãos presas atrás do corpo, em uma posição desconfortável, enquanto ela ficou de pé sobre o edredom sujo, que naquele dia não escondia ninguém...

- Você é da polícia; - Perguntou ele já quase tonto com a dor e a hemorragia.

-Não, muito pior do que isso, mas agora vou ajudar você com esse joelho. – Disse ela indo em sua direção com a fita Silver tape na mão, mas antes que ele pudesse pensar, ela colocou um pedaço sobre sua boa e deu mais volta por toda a sua cabeça, só então estancou, com a própria fita e por cima da calça furada, o sangramento.

- Pronto, agora vou tirar essa fita da sua boca e você vai me responder algumas perguntas...

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Da pobreza à fortuna e de volta à pobreza

Não sou fã da palavra sorte, mas é inegável que algumas pessoas têm um pouco mais dessa sorte do que outras.

Mesmo que junto com a sorte exista um pouco de talento, mas muitas outras pessoas com o mesmo talento e até mais, não conseguem o o mesmo sucesso.

Só que nem sempre a sorte aparece para pessoas que sabem lidar com algum tipo de sucesso e principalmente com o dinheiro que por ventura possa aparecer.

São muitos os casos de sub-celebridades que ganham muito dinheiro por um tempo curto e que somem no meio de festas e mansões, para reaparecer tão pobres quanto sempre foram.

Assim são também cantores de um sucesso só e jogadores de futebol que conseguem fazer um único bom contrato na vida profissional.

O arrependimento por não saber lidar com a sorte que teve, por vezes é fatal, literalmente e conseguir voltar ao topo é praticamente impossível.

Mas por que isso acontece? Por que as pessoas que conseguem um pouco mais não se controlam para garantir um futuro melhor, ao invés de um presente espetacular?

Falta de educação, no sentido literal mesmo, falta de conhecimento, a ilusão de que pode tudo, que o dinheiro nunca vai acabar e que vai ter muitos amigos e pessoas queridas por perto.

Para depois descobrir que os amigos eram do conforto, do dinheiro, do prazer e não das pessoas.

Como diz o ditado, quem nunca comeu o mel, na primeira vez se lambuza. Quem não respeita o próprio dinheiro, vive de felicidades momentâneas e solidão permanente, pois não está acompanhado quem precisa comprar a presença de alguém.

É melhor sair de quase nada para uma tranquilidade controlada, sem luxos e nem excessos, do sair do nada, ir para o céu e voltar de cara para o chão.

Se tiver essa sorte um dia, não a faça se tornar em azar no futuro!

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Praticidade ou Preguiça?

Eu gosto muito de museus, de histórias, de entender como as pessoas viviam no passado, seja há 50 anos atrás, 300 ou até mesmo em épocas mais antigas.

Gosto de ler histórias de cavaleiros e pensar como as pessoas viviam sem a velocidade de hoje, como ficavam sabendo de quedas de reis, guerras e até mesmo nascimento e morte de parentes em um mundo onde não existia telefone, nem correio, onde as mensagens chegavam por cavaleiros, que por vezes demoravam dias, até semanas para levar as notícias de um lugar ao outro.

Hoje, um maluco solta uma bomba nuclear em um lado do mundo e em poucos segundos todos já sabem, através de seus celulares, pela internet.

Os mais jovens devem ter enorme dificuldade em entender como era a vida sem mensagens instantâneas, SMS ou redes sociais, mas quem já viveu um pouquinho antes dos anos 2000 sabe como era a ansiedade de esperar uma carta, uma ligação à cobrar, o espanto com as coisas que os colegas mais ricos traziam de suas viagens, entre tantas outras diferenças.

Hoje em dia, com um celular na mão e a rede conectada, é possível fazer praticamente tudo dentro de casa, acende a luz, ligar aparelhos, abrir e trancar as portas, e mais uma infinidade de coisas.

Mas será que essa praticidade toda não tem um pouco de responsabilidade sobre a preguiça das pessoas?

A máquina lava a louça e a roupa, a Alexa responde o que tem na TV e se existem compromissos, o aplicativo traz a comida na porta de casa. as notícias chegam pelos grupos de mensagens e ainda procuramos por formas de diminuir ainda mais nossas tarefas.

Se encontrarem uma forma de exercitar o corpo, sem que seja necessário fazer nenhum esforço, chegaremos ao ponto final da preguiça, onde a mente desembarca e fica apenas a espera da tecnologia.

Claro que não voltaremos à idade da pedra, nem vamos abrir mão dos telefones, mas lembrar da nossa humanidade não pode ser assim tão prático e nem tão preguiçoso.

Mais tecnologia, mas mais vida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A economia burra do desemprego

Não sou grande entendedor de economia, mas uma coisa eu tenho certeza, quanto mais pessoas empregadas, maior a circulação de dinheiro, seja em pequenos comércios, lojas populares ou até mesmo eventos culturais.

E, quanto maior o desemprego, menor a circulação de dinheiro, o que gera inflação, estoques perdidos e ganho financeiro pelos milionários que se beneficiam das aplicações bancárias e juros altos.

A balança sempre vai pender para os dois lados extremos, os super ricos, que não se importam com a inflação e os pobres que vão ter que ir atrás dos ossos deixados pelos ricos nas portas dos restaurantes.

Enquanto isso, quem fica no meio da balança se equilibra para não passar fome, mas jamais chega sequer perto do clubinho dos milionários, mas com seus olhos fechados, preocupados demais em perderem o "título" de classe média, querem a todo custo, se afastar dos pobres e afastar os pobres.

Empresas pequenas fecham, enquanto as grandes demitem para não diminuir o lucro, a informalidade aumenta e com ela a violência, pois comer é um instinto básico de todo ser humano.

A geração e manutenção de empregos vai resolver todos os problemas do nosso país? Não, mas vai melhorar muito, porque ainda existirão bandidos, não tão bandidos como os de Brasília, ainda existirão dependentes, ainda existirão aqueles que preferem roubar a trabalhar, mas esses serão a grande minoria, quando houver esperança de conquistar o básico com o suor do trabalho.

Ainda existirá a revolta pelo enorme abismo social, mas pelo menos as pessoas mais pobres poderão se sentir honradas com suas pequenas conquistas.

Pena que para isso seria necessário limitar algumas coisas, obrigar uma redistribuição melhor de renda, mas o egoismo dos 10% que comandam 90% do dinheiro e do poder, sequer pensam nessa possibilidade.

Quem sabe no futuro, quem sabe em outra vida, em outra civilização...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...