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Ela hesitou teatralmente, deu um suspiro e um sorriso falso
e perguntou:
- Não vou atrapalhar nada? Acho melhor esperar aqui...
-Não, não. Estou sozinho, acabei de comprar meu café da
manhã e não tenho planos para agora, pode tomar uma água e até descansar um
pouco, se quiser. Disse com um sorriso quase assustador.
- Tá bem então, obrigada! Disse ela em uma ingenuidade que seria
demais até para a mais ingênua das mulheres.
Ele pareceu ficar nervoso quando se aproximaram da porta,
quase derrubou as chaves e disse para ela, enquanto tentava achar o buraco da
fechadura:
- Não repare na bagunça. Amanhã vou limpar a casa.
Ela não disse nada, colocou a mão por dentro da jaqueta
para sentir seu revólver e o seguiu, mantendo uma distância de pelo menos um
metro, para poder reagir, caso ele fizesse algum movimento brusco.
A primeira coisa que ela notou, foi o cheiro que chegou
logo após que a porta se abriu, não cheiro de morte, mas de comida estragada,
sujeira e quando ele a convidou para entrar e se dirigiu à cozinha, ela pensou
que seria impossível não reparar na bagunça.
Um colchão coberto por um edredom imundo ficava em um dos
cantos, ao lado uma televisão grande demais para o tamanho da sala. E perto de
onde ela estava, havia um sofá de um lugar só, com tantas manchas que ela não
sentaria nele nem se não aguentasse mais as próprias pernas.
Mas o que fez seu olhar ficar parado foi a estante na
parede à sua frente, cheia de revistas jogadas, abertas, rasgadas, mas também
com rolos de fita Silver tape, cordas sujas, um punhal e escondida sob as
revistas, a ponta de uma faca que deveria ser bem grande.
- Você não acha que está muito quente para ficar com as
janelas fechadas? – Falou alto em direção à cozinha, enquanto caminhava devagar
já com a arma na mão que estava escondida na jaqueta.
- Já vou abrir, deixei fechada porque fui ao mercado. Disse
ele virando em direção a ela com um copo na mão e água de um filtro de barro
que possivelmente não era lavado há alguns anos.
Mas ele derrubou no chão o copo assim que olho para frente
e viu o cano de um revólver apontado em sua direção.
- Levante os braços e vire de costas, agora! – Ela disse
com a voz mais firme do que imaginava.
Mas ele não fez isso, ao contrário, avançou em direção a
ela e só parou quando o tiro atingiu seu joelho direito.
- Socorro, socorro, Aiiii! – Gritou ele em estado de choque
e desespero.
Ela sabia que o tiro tinha feito barulho e sabia que os
gritos dele poderiam ser ouvidos fora da casa, mas com as janelas fechadas e a
distância da rua, ela apostou em suas chances.
- Eu mandei você virar e levantar as mãos. Agora vai sangrar
até morrer se não ficar quieto e fizer tudo o que eu mando!
- De, desculpe, desculpe – Choramingou ele.
Com a arma ainda apontada pare ele, ela deu dois passos
para trás e pegou rapidamente a fita Silver tape na estante.
- Vira de costas e põe mão para trás – Falou em tom de
desprezo.
Ele obedeceu, mas ela não ficou satisfeita, mandou que ele
levantasse os braços. Pegou a ponta da fita, continuou apontando a arma para
ele e pisou na sua cabeça, já colocando a fita em volta dos seus punhos. Ele
tentou se debater, mas ela deu várias voltas e por fim tirou os pés da cabeça
dele, mandou-o levantar e deixou que ele sentasse naquele sofá imundo, com as
mãos presas atrás do corpo, em uma posição desconfortável, enquanto ela ficou
de pé sobre o edredom sujo, que naquele dia não escondia ninguém...
- Você é da polícia; - Perguntou ele já quase tonto com a
dor e a hemorragia.
-Não, muito pior do que isso, mas agora vou ajudar você com
esse joelho. – Disse ela indo em sua direção com a fita Silver tape na mão, mas
antes que ele pudesse pensar, ela colocou um pedaço sobre sua boa e deu mais
volta por toda a sua cabeça, só então estancou, com a própria fita e por cima
da calça furada, o sangramento.
- Pronto, agora vou
tirar essa fita da sua boca e você vai me responder algumas perguntas...