Antes de tirar a fita da boca dele, ela prendeu com várias
voltas da Silver tape seus pés, mesmo sabendo que com o joelho daquele jeito,
dificilmente ele conseguiria alguma coisa contra ela.
Isso feito, tirou a fita da boca dele, que choramingou:
- Eu não fiz nada, nem te conheço, o que você quer de mim?
- Eu quero saber, primeiramente, porque você perguntou se
eu era da polícia, há algo que eles devem saber sobre você? – Perguntou Diana.
- Não, claro que não. – Ele respondeu.
- Será mesmo? Ela riu e viu o medo e o nervosismo na cara
dele., depois emendou?
- Quantas mulheres você colocou nesse edredom imundo
durante esses anos? Quantas você torturou fisicamente e emocionalmente? O
sangue de quantas mulheres estarão escondidos nessa imundice de lugar?
Ele pareceu ficar chocado, mas balançando a cabeça,
continuou negando.
Mas ela continuou.
- Como você acha que eu cheguei até você, idiota? Você
achou mesmo que nenhuma das suas vítimas ia ter coragem de te entregar, só
porque você ameaçava mata-las e seus familiares se um dia a polícia aparecesse
por aqui? Pois bem, a polícia não veio e talvez nunca apareça, mas eu apareci e
você rezaria para ter a polícia aqui agora...
Ela se aproximou dele e sussurrou: - Não vai me contar nada
mesmo?
- Já disse sua vadia maluca, não tenho nada para te contar
e prometo que vou te esfolar viva assim que sair daqui. – Vociferou e cuspiu tentando acertar o rosto dela, sem sucesso, para a sorte dele.
Ela colocou mais fita na boca dele, o empurrou para o chão
e ouvindo seus gemidos abafados, juntou, com todo o resto do rolo da fita, os
pés e as mão do sujeito, cujo joelho voltou a sangrar.
- Não precisa falar nada, eu vou dar uma procurada por aí e
se eu não achar nada, deixo você tentar me esfolar viva. - Ela disse e deu um
leve chute na sua cabeça.
Obviamente ela não entendeu o que ele disse, mas sabia que não
era nenhum elogio que ele tentava proferir contra ela, enquanto lágrimas da
legitima dor saiam de seus olhos.
Ela entrou no quarto dele, que não era em nada melhor do
que a sala. Uma cama caindo aos pedaços, com um colchão tão fino que parecia
ser tão desconfortável quanto o chão.
No criado mudo, que se não fosse mudo já teria pedido socorro,
ela encontrou um alicate suspeito, manchado com algo que poderia ser sangue
seco, corda de varal, um rolo fechado de Silver tape e um canivete enferrujado,
que assustava mais pela possibilidade de tétano do que pelo corte.
Um guarda-roupas sem portas, com peças de roupas imundas
jogadas e amassadas, gavetas com cuecas e meias que pareciam usadas e sem lavar,
abertas e uma única gaveta, a última do lado direito, fechada.
Ao abrir, ela se deparou com uma coleção de calcinhas, pelo
menos uma dúzia, que também pareciam não ter sido lavadas, umas com a aparência
de mais antigas, outras mais novas, algumas mais ousadas, outras mais
conservadoras, mas todas despertaram o ódio em Diana...
Quando ela tirou todas as calcinhas da gaveta, encontrou,
no fundo, alguns brincos sem pares, três anéis, duas correntes, uma pulseira e
uma aliança prateada.
Ficou nauseada, quando percebeu em um dos brincos, um resquício
de pele, que provavelmente era de uma orelha.
Voltou para a sala, deu um chute mais forte nas costelas do
cidadão, jogou as calcinhas e os objetos no chão, longe do seu alcance e disse:
- Não vai ser hoje que você vai me esfolar viva... Se dirigiu
à porta e antes de abri-la olhou para os olhos desesperados dele e continuou: -
Caso você sobreviva e por algum milagre ou incompetência não fique preso pelo
resto da sua vida miserável, não chegue mais perto de nenhuma mulher na sua
vida, eu vou te vigiar e não vou ser tão boazinha da próxima vez.
Saiu da casa dele olhando para a rua, contando com a sorte
de não ter ninguém passando naquele momento por lá.
Ao fechar o portão, desceu em direção à esquina e só
naquele momento cruzou com um motoboy subindo a rua, mas que nem perdeu tempo
em olhar para ela.
De volta ao bar, ela pediu outra coca-cola e perguntou se
havia um telefone que ela poderia usar.
O dono do bar ofereceu a ela um aparelho daqueles dos anos
90 e ela discou 190, despreocupadamente.
- Boa tarde. Acabei de passar pela rua Jardim Alegre e
parece que eu ouvi um tiro e talvez gritos vindos de uma casa estranha, toda
fechada. Assim que acabou de falar, não esperou nenhum retorno do outro lado da
linha, deixou uma nota de 5 reais no balcão e saiu. Alguns passos depois ela
ouviu o ruído do telefone, mas quando o dono do bar saiu para ver se a
encontrava, ela tinha virado uma esquina e desaparecido...