segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

O Remorso pode ser evitado pelo pensamento

Poucas coisas no mundo são piores do que o sentimento de remorso.

E muitas das vezes, na maioria delas, ouso arriscar, ele poderia ser evitado, se o impulso fosse mais fraco do que a razão, se houvesse um segundo a mais de pensamento.

Quantas vezes dizemos algo sarcástico, ou até mesmo ofensivo para pessoas que valorizamos e o pior, sabemos enquanto falamos que aquilo vai machucar, mas por não termos respirado um segundo antes, não evitamos.

Quantas vezes deixamos de ver pessoas que nos são caras por preguiça ou por achar que outros programas ou eventos podem ser melhores e vamos deixando essas pessoas, que são as realmente valiosas para depois e por uma brincadeira da vida, esse depois não vai mais chegar.

O remorso é muito forte e dolorido, pois ele joga na nossa cara que o tempo não volta, que não podemos desfazer o que foi feito e nem fazer aquilo que deixamos para depois.E ele é inevitável.

Portanto, precisamos primeiramente saber bem quem são as pessoas realmente importantes na nossa vida e já nos prepararmos para pensar muitas vezes antes de falar algo que vá causar mágoa ou tristeza e principalmente colocá-las no topo das nossas prioridades.

Sempre que bater uma saudade, uma vontade de ouvir a voz, de passar um tempo precioso ao lado delas, assim devemos fazer, pois não sabemos o dia de amanhã e não há nada melhor do que ter a consciência tranquila por não ter trocado momentos inesquecíveis, pelo remorso irreparável...


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Arrependimento Digital

Costumávamos, antigamente, respeitar pessoas que tinham boa memória, que sabiam muitos números de telefone de cabeça, bons na matemática, na tabuada, pessoas que tinham facilidade em ligar nomes a rostos e etc.

Hoje em dia, temos a memória digital. Quase ninguém mais sabe números de telefone, trajetos, endereços, datas importantes e etc.

Mas, mais do que isso, hoje em dia não resta mais discussões sobre o que foi dito ou não dito.

Antigamente, no meio de uma discussão, poderíamos dizer que não falamos exatamente aquilo, que alguém entendeu errado, ou simplesmente que uma pessoa estava inventando aquelas coisas.

Pois bem, o termo hoje é "O print é eterno". Tudo o que se fala ou escreve publicamente ou até mesmo em diálogos privados, fica registrado e guardado para servir de prova ou contestação no futuro.

- Você disse que me amava! - E vai junto o print com a frase.
- Você xingou fulano no Twitter e agora vem aqui querendo falar bem dele! - E dá-lhe print...

Chegamos na era em que é preciso cuidar da impulsividade digital, pensar não só antes de falar, mas antes de escrever e publicar.

Conversas em grupos privados, com exposição de ideias ou críticas já acabaram sendo motivo de discussões, quando alguém resolver expor o que foi dito para pessoas que, em tese, seriam confiáveis.

Não que tudo isso seja de todo ruim, mas assim como a maioria das coisas, é usado de forma incorreta.

Os prints podem ser eternos, mas o comportamento, os pensamentos e as atitudes das pessoas, ainda bem, não são.

Então quem escreveu uma besteira na rede social 10 anos atrás, ou até mesmo ontem, não é mais a mesma pessoa que está se expressando hoje.

Aprendemos, evoluímos, mudamos o ponto de vista através de novas descobertas e não podemos ficar presos ao passado.

Eu posso, hoje, gostar de personalidades que amanhã irão me desapontar e isso não me obriga a defendê-las para não contradizer o que escrevi antes de fazer uma análise melhor, descobrir novos fatos, e, claro, essa mesma pessoa que hoje admiro, também vai mudar, vai evoluir e pode, para o meu ponto de vista, evoluir negativamente.

O que sentimos hoje, não vamos sentir amanhã e ainda vamos nos arrepender muito na vida, mas ter que se arrepender pelo que publicamos ou enviamos um dia, para mim já parece ser exagero demais...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Qual o gosto daquilo que eu gosto, na boca dos outros?

Sei que sou bastante chato com relação à alimentação.

Não gosto de muitas coisas, como por exemplo, ovos, peixes ou qualquer fruto do mar, misturar qualquer coisa doce com salgada, entre tantas outras coisas, que muitas pessoas chamam de frescura.

Assim como eu gosto muito de outras coisas, como por exemplo, peito de frango, lasanha, salgadinhos, tora de morango e etc...

Gosto tanto que acho estranho quando alguém me diz que não gosta das coisas que gosto, mas felizmente, sei perfeitamente que isso é absolutamente normal.

Afinal de contas, cada um tem o seu paladar, sua cultura, seus gostos. Eu não me imagino comendo um escorpião, mas não posso julgar quem come e gosta, assim como ninguém pode reclamar dos meus gostos particulares.

Se na minha boca me delicio com o sabor de uma filé a parmigiana perfeito, não posso fazer o mesmo na boca de outra pessoa. Não sou capaz de sentir o gosto do que o outro come, assim como não posso sentir suas dores, seus dissabores.

Julgar o gosto dos outros é como julgar seus sentimentos, como tentar entender o que a outra pessoa pensa, por qual razão faz o que faz, se veste e se mostra.

Somos únicos, cada um com sua independência, cada um com seu espelho e com seus olhos e o que é belo a esses olhos, não vai ser necessariamente belo pra mim e, tudo bem, a vida é assim... 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Conto em Gotas - Parte 9

 Antes de tirar a fita da boca dele, ela prendeu com várias voltas da Silver tape seus pés, mesmo sabendo que com o joelho daquele jeito, dificilmente ele conseguiria alguma coisa contra ela.

Isso feito, tirou a fita da boca dele, que choramingou:

- Eu não fiz nada, nem te conheço, o que você quer de mim?

- Eu quero saber, primeiramente, porque você perguntou se eu era da polícia, há algo que eles devem saber sobre você? – Perguntou Diana.

- Não, claro que não. – Ele respondeu.

- Será mesmo? Ela riu e viu o medo e o nervosismo na cara dele., depois emendou?

- Quantas mulheres você colocou nesse edredom imundo durante esses anos? Quantas você torturou fisicamente e emocionalmente? O sangue de quantas mulheres estarão escondidos nessa imundice de lugar?

Ele pareceu ficar chocado, mas balançando a cabeça, continuou negando.

Mas ela continuou.

- Como você acha que eu cheguei até você, idiota? Você achou mesmo que nenhuma das suas vítimas ia ter coragem de te entregar, só porque você ameaçava mata-las e seus familiares se um dia a polícia aparecesse por aqui? Pois bem, a polícia não veio e talvez nunca apareça, mas eu apareci e você rezaria para ter a polícia aqui agora...

Ela se aproximou dele e sussurrou: - Não vai me contar nada mesmo?

- Já disse sua vadia maluca, não tenho nada para te contar e prometo que vou te esfolar viva assim que sair daqui. – Vociferou e cuspiu tentando acertar o rosto dela, sem sucesso, para a sorte dele.

Ela colocou mais fita na boca dele, o empurrou para o chão e ouvindo seus gemidos abafados, juntou, com todo o resto do rolo da fita, os pés e as mão do sujeito, cujo joelho voltou a sangrar.

- Não precisa falar nada, eu vou dar uma procurada por aí e se eu não achar nada, deixo você tentar me esfolar viva. - Ela disse e deu um leve chute na sua cabeça.

Obviamente ela não entendeu o que ele disse, mas sabia que não era nenhum elogio que ele tentava proferir contra ela, enquanto lágrimas da legitima dor saiam de seus olhos.

Ela entrou no quarto dele, que não era em nada melhor do que a sala. Uma cama caindo aos pedaços, com um colchão tão fino que parecia ser tão desconfortável quanto o chão.

No criado mudo, que se não fosse mudo já teria pedido socorro, ela encontrou um alicate suspeito, manchado com algo que poderia ser sangue seco, corda de varal, um rolo fechado de Silver tape e um canivete enferrujado, que assustava mais pela possibilidade de tétano do que pelo corte.

Um guarda-roupas sem portas, com peças de roupas imundas jogadas e amassadas, gavetas com cuecas e meias que pareciam usadas e sem lavar, abertas e uma única gaveta, a última do lado direito, fechada.

Ao abrir, ela se deparou com uma coleção de calcinhas, pelo menos uma dúzia, que também pareciam não ter sido lavadas, umas com a aparência de mais antigas, outras mais novas, algumas mais ousadas, outras mais conservadoras, mas todas despertaram o ódio em Diana...

Quando ela tirou todas as calcinhas da gaveta, encontrou, no fundo, alguns brincos sem pares, três anéis, duas correntes, uma pulseira e uma aliança prateada.

Ficou nauseada, quando percebeu em um dos brincos, um resquício de pele, que provavelmente era de uma orelha.

Voltou para a sala, deu um chute mais forte nas costelas do cidadão, jogou as calcinhas e os objetos no chão, longe do seu alcance e disse:

- Não vai ser hoje que você vai me esfolar viva... Se dirigiu à porta e antes de abri-la olhou para os olhos desesperados dele e continuou: - Caso você sobreviva e por algum milagre ou incompetência não fique preso pelo resto da sua vida miserável, não chegue mais perto de nenhuma mulher na sua vida, eu vou te vigiar e não vou ser tão boazinha da próxima vez.

Saiu da casa dele olhando para a rua, contando com a sorte de não ter ninguém passando naquele momento por lá.

Ao fechar o portão, desceu em direção à esquina e só naquele momento cruzou com um motoboy subindo a rua, mas que nem perdeu tempo em olhar para ela.

De volta ao bar, ela pediu outra coca-cola e perguntou se havia um telefone que ela poderia usar.

O dono do bar ofereceu a ela um aparelho daqueles dos anos 90 e ela discou 190, despreocupadamente.

- Boa tarde. Acabei de passar pela rua Jardim Alegre e parece que eu ouvi um tiro e talvez gritos vindos de uma casa estranha, toda fechada. Assim que acabou de falar, não esperou nenhum retorno do outro lado da linha, deixou uma nota de 5 reais no balcão e saiu. Alguns passos depois ela ouviu o ruído do telefone, mas quando o dono do bar saiu para ver se a encontrava, ela tinha virado uma esquina e desaparecido...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

A necessidade das comparações desnecessárias

Algumas pessoas não fazem muita questão de conversar, socializar, procurar assunto, quando estão em um grupo, seja de amigos, ou familiares.

Muitas vezes a resposta para isso é simples, são pessoas que normalmente além de não gostarem, por natureza, de conversar demais, seja por timidez ou até mesmo falta de paciência, gostam menos ainda de ouvir sobre a vida de outras pessoas, conhecidas ou desconhecidas.

Isso se acentua ainda mais quando a conversa passa de uma fofoca para uma competição, onde as pessoas ficam se comparando, ou comparando seus filhos, parentes ou até mesmo amigos, com outras pessoas.

Alguém diz: "Achei 10 Reais no chão" e outra pessoa automaticamente acha que precisa dizer que já achou 50 e por aí vai.

E ainda fica pior, quando as comparações são sobre desgraças, como se o sofrimento fosse um prêmio pessoal.

Uma pessoa diz "Fulano quebrou a perna", ai a outra, achando que não pode "ficar por baixo" logo diz que quebrou a perna, o braço, travou a coluna e ainda não consegue ouvir direito porque tem problema de audição, como se essa desgraça toda fosse algo a ser vangloriado.

E aquele que prefere o silêncio, por vezes se pergunta porque ainda pode ouvir...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...