quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Enjoy the Silence - Capítulo 1 - Parte 1

 

Capítulo 1 – O Corpo

Parte 1

O Barulho é ensurdecedor.

Como se estivesse bem dentro da cabeça, e não houvesse nada que fosse capaz de fazê-lo parar.

Mas isso não era novidade, afinal era a terceira vez na semana que acontecia a mesma coisa e Caio sabia muito bem onde estava, como estava e por isso tinha medo de abrir os olhos, pois mesmo sabendo que estava no escuro do seu quarto, com todas as luzes apagadas e janelas fechadas, abrir os olhos causaria dor e como em um passe de mágica faria com que o barulho aumentasse ainda mais e ele ficaria ainda pior, como se isso fosse mesmo possível.

        Lá estava ele, sozinho, depois de ter tomado mais uma vez whisky suficiente para causar amnésia em um elefante, e isso significa que algo não estava bem.

        Na verdade, estava pior, bem pior. Célinha sumiu, sem deixar recado, nem notícias, nem motivos, nem mesmo um adeus. Foi embora e levou com ela a vida de Caio, que para ele já não era grande coisa e agora se resume ao vazio dos copos quando tem coragem de sair pelo menos para beber.

        E na noite passada, não foi diferente. Chegou ao EPS bar por volta de 18:30, começou com uma cerveja belga stronger e logo depois começou a tomar seu whisky barato, primeiro “on the rocks”, depois puro e por fim com um pouco de água.

        Sua conta deu R$ 95,00, ele pagou com a última nota de R$ 100,00 que tinha na carteira e esperou o troco para pegar o Circular que lhe deixa na esquina de casa, no centro da cidade.

        Chegou em casa por volta de 23:00 tomou seu banho e deitou, já lembrando com tristeza do que viria a sentir na manhã seguinte. A manhã seguinte que seria 23 de Setembro de 2008...

        E agora lá estava ele, como sempre, deitado, preparando o corpo e a mente para a dor lancinante que o esperava, mas resolveu tentar esperar mais um pouco, imóvel, pois sabia que qualquer movimento poderia ser trágico, quem sabe mais uns 15 minutinhos...

        Mas Caio dormiu de novo, contudo sabia que tinha sido por pouco tempo, afinal, como dormir profundamente com aquela orquestra de sinos pulando em sua mente.

        Vagarosamente decidiu abrir os olhos, sempre primeiro o direito, para acostumar com a escuridão, mas ele teve um pequeno sobressalto. Ao abrir um pouquinho o olho ele sentiu uma ponta de luz invadindo o quarto e com um gemido fechou novamente os olhos.

         - Maldição! Tenho certeza absoluta que fechei essas persianas ontem antes de deitar! – Disse em um tom mais alto do que sua cabeça gostaria e sabendo que no estado em que estava, não podia, na verdade, ter certeza de nada.

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