segunda-feira, 25 de março de 2024

Enjoy the Silence - Capítulo 1 - Parte 2

 Parte 2

A Persiana não só estava aberta, como também estava quebrada, amassada.
                Mas ao abaixar a cabeça e olhar para o lado que seu susto foi maior e seu grito inevitável. – Célinha!! Marcela! – Ao seu lado, virada para a janela e com as costas nuas, estava a mulher da sua vida, ele a reconhecera pelo cabelo e pela tatuagem com as iniciais dos nomes da mãe e do Pai que ela levava no ombro.
                Mas apesar dos seus gritos, ela não se mexeu...
                Com a cabeça zunindo, o coração acelerado e uma confusão enorme passando pelo seu cérebro ele tocou às costas dela, e sentou um frio desolador. Um movimento leve para virar o corpo e o desespero apareceu em sua face. O Rosto lindo da mulher que ele tanto amava estava quase dilacerado, assim como o coração dele ficou desde aquele momento.

Marcas roxas por todo o corpo e sangue, muito sangue, nela, nos lençóis e agora ele podia ver nas persianas, na parede e o pior, ao olhar para o seu próprio peito, havia muito sangue em seu corpo.

                Caio pulou da cama e soltou outro grito de dor, pois sentiu um pedaço de vidro entrando na carne, mutilando seu pé. Ele viu, com um espanto ainda mais surpreendente 3 garrafas do whisky barato vazias e uma delas, agora, quebrada e com um pedaço no seu pé.

- De onde vieram essas garrafas! Eu não tinha mais nem 2 reais e meu cartão quebrei faz tempo, desde que foi bloqueado por falta de pagamento... As perguntas eram muitas, o barulho era intenso, o que ele faria...

                A Resposta veio menos de 15 minutos depois, quando ele ainda estava sentado no chão chorando como criança ao ver a mulher que ele amava e que estava desaparecida morta em sua cama e sem ter ideia de como ela foi parar lá, junto com aquelas garrafas de whisky.

                As primeiras batidas na porta foram sutis, suficiente para fazê-lo olhar para cima assustado, mas ao tentar levantar depressa para abrir a porta, a dor no corpo foi maior e ao invés de levantar, ele caiu e gemeu alto demais, então a porta foi arrombada e em menos de 5 segundos já havia uma arma apontada para a sua cabeça e vários homens dentro do seu quarto.

- Abaixe a arma Claudio – Disse com a voz calma o Sr. de terno que entrou por último no quarto. O Soldado recuou e abriu caminho. O Sr. de terno se aproximou, colocou as mãos no queixo de Caio que se assustou e perguntou com calma: - Seu nome é Caio, Caio Caldeira ?
                - Caio assentiu, sentindo um enorme calafrio, apenas com um movimento rápido da cabeça.
                Enquanto isso os demais tiravam fotos do corpo de sua amada e de todo o seu quarto.
                Outro rapaz se aproximou do Sr. de Terno, falou alguma coisa em sussurro no ouvido dele e meneou negativamente a cabeça.
                O Sr. de Terno olhou para Caio e disse de forma trágica: - Sr. Caio Caldeira, o Sr. está preso por assassinato. Temos aqui evidências que comprovam que na madrugada do dia 24 de setembro de 2008 o Sr. matou a jovem Marcela Mendonça.

Caio demorou demais para entender que havia algo ainda mais errado nisso tudo, afinal aquele dia não poderia ser 24 de setembro. Ele sabia que deveria ser dia 23...

segunda-feira, 18 de março de 2024

2000 - Ano 28

O ano começou e terminou do mesmo jeito, um enorme turbilhão.

Eu já estava trabalhando como Gerente de Informática e era o responsável, portanto, pela abertura da loja no dia 2 de Janeiro e para isso, tive que passar o dia primeiro inteiro na loja, cuidando do servidor e das máquinas para evitar problemas com o que ficou conhecido na época como o bug do milênio.

Foi só passar virada de ano com a família no meio da madrugada correr para o trabalho.

Como já escrevi antes, eu fui "demitido" em 1999 e recontratado, para poder concluir a faculdade.

O que eu e meu diretor não esperávamos era que a auditoria do Carrefour descobrisse isso e no dia 06 de Abril um dia antes de eu completar 7 anos de casa, fui definitivamente demitido.

Nem achei tão ruim, porque precisava mesmo de descanso, mas como recém formado iludido, achei que apareceria um ótimo emprego rápido e fácil na minha área de atuação, psicologia, ou perto disso, mas longe dos computadores.

Ledo engano, depois de muitos dias de classificados e uma tentativa frustrada de ser vendedor de um curso de inglês, tive que voltar a procurar trabalho na mesma área, ou seja, informática ou mercados.

Só que todos, absolutamente todos os contatos que eu tinha e que diziam, quando eu era gerente, que bastava entrar em contato no dia que eu precisasse que as portas estariam abertas, me fecharam a porta na cara.

Exceto um, que nunca disse isso e que me procurou quando ficou sabendo do meu desligamento, meu mestre, mentor e amigo Elias.

O "problema", a empresa ficava em Guarulhos e eu não sabia nada sobre Guarulhos, nem como chegar até lá (ou aqui).

Mas, depois de alguns minutos de conversa, fechamos negócio e foi o início de uma jornada de 16 anos seguidos como colaborador e já são mais 8 como uma espécie de consultor e comercial.

Só que dessa mudança, veio uma ainda maior. Estava ficando complicado perder mais de 3 horas do dia só com deslocamento e em um rompante, tinha muito disso quando jovem, resolvi entrar em um apartamento com placa de aluga-se que ficava há meio quarteirão do serviço.

Assim ,sem avisar nada para ninguém, e depois de pensar 5 minutos, decidi que ia alugar o apartamento e me mudar, afinal, já era mesmo hora...

Avisei na minha casa, e fui quase ignorado, acho que minha avó e minha tia não acreditavam que eu teria coragem de simplesmente me mudar, mas isso foi o de menos. O problema de verdade veio a seguir.

Liguei para avisar minha namorada da minha escolha e ao invés de ela ficar feliz por mim, começou uma briga enorme, dizendo que eu não ia morar sozinho, que eu ia encher a casa de mulher e assim por diante.

E cometeu um erro, disse que se eu fosse mesmo mudar, era o fim do relacionamento. Eu disse que ia me mudar e que tudo bem, era o fim então. Escutei mais uns desaforos e desliguei o telefone. Não deu nem um minuto e ela ligou de novo. Dizendo que se eu fosse mudar ela ia junto, mas como a mãe dela não deixaria ela ir morar comigo sem casar, teríamos que casar e, de novo, eu disse tudo bem...

E assim foi uma correria até que no dia 23 de Setembro eu me casei e me mudei, deixando a minha família meio sem entender nada e depois de muito tempo, descobri que eu não entendi nada também.

O Ano começou com o bug do milênio e terminou comigo casado e morando em Guarulhos.

A vida é mesmo estranha...

segunda-feira, 11 de março de 2024

Entardecer

Espero que a lua que está chegando possa me iluminar.
Se eu ouvir meu telefone tocar, saberei que estou vivo.
Desde que não seja alguém me dizendo que outra pessoa está te tocando.
O dia está acabando, o frio está chegando.

Acho que vou sair junto com a luz que abandona o dia.
Quem sabe assim perco mais um ano.
No meio do medo, sinto a raiva sangrando.
Mas é a lua que rasteja no canteiro do meu jardim.

Ao primeiro sinal do entardecer entro para não ver.
Já escutei dizerem me amavam e que eu era importante.
Mas não guardei isso pra mi, deixei as palavras serem levadas pelo vento.
Como alguém vai esperar por mim, se vou ficar por aqui?

Digo adeus para meus amigos e para todo o resto do mundo.
Mas a coragem evanesce como um sorriso. 
E volto ao entardecer do próximo ano.
Para ver o dia desaparecer junto comigo.


terça-feira, 5 de março de 2024

A Construção da Felicidade

A construção da felicidade é um processo fascinante e multifacetado que se desenrola ao longo de nossas vidas. É como a construção de uma casa, onde cada tijolo representa um momento especial, cada alicerce é um aprendizado valioso e cada janela oferece uma nova perspectiva.

Na jornada em direção à felicidade, encontramos materiais preciosos, como amor próprio, compaixão e gratidão, que são essenciais para fortalecer as paredes do nosso bem-estar emocional. O telhado é formado por sonhos e aspirações, que nos impulsionam a alcançar alturas antes inimagináveis.

As relações saudáveis e significativas são como os pilares que sustentam a estrutura, proporcionando estabilidade e calor humano. A felicidade também é alimentada por jardins internos, nos quais cultivamos momentos de alegria, aceitação e autoconhecimento.

Assim como em uma construção, enfrentamos desafios que podem parecer tempestades, mas são nesses momentos que descobrimos nossa resiliência e capacidade de adaptação. Cada martelo de superação, cada parafuso de aprendizado, contribui para a solidez da nossa própria fortaleza emocional.

À medida que construímos nossa felicidade, tornamo-nos artífices de uma obra-prima única e pessoal. Cada escolha, cada sorriso compartilhado, cada lágrima transformada em crescimento, é parte integrante dessa construção contínua.

Portanto, celebremos a jornada da felicidade, reconhecendo que, assim como uma casa bem construída, ela é edificada com paciência, dedicação e alegria, tijolo por tijolo, até formar um lar repleto de contentamento e significado.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...