Parte 2
A Persiana não só estava aberta,
como também estava quebrada, amassada.
Mas ao abaixar a cabeça e
olhar para o lado que seu susto foi maior e seu grito inevitável. – Célinha!!
Marcela! – Ao seu lado, virada para a janela e com as costas nuas, estava a
mulher da sua vida, ele a reconhecera pelo cabelo e pela tatuagem com as
iniciais dos nomes da mãe e do Pai que ela levava no ombro.
Mas apesar dos seus
gritos, ela não se mexeu...
Com a cabeça zunindo, o
coração acelerado e uma confusão enorme passando pelo seu cérebro ele tocou às costas
dela, e sentou um frio desolador. Um movimento leve para virar o corpo e o
desespero apareceu em sua face. O Rosto lindo da mulher que ele tanto amava
estava quase dilacerado, assim como o coração dele ficou desde aquele momento.
Marcas roxas por todo o corpo e
sangue, muito sangue, nela, nos lençóis e agora ele podia ver nas persianas, na
parede e o pior, ao olhar para o seu próprio peito, havia muito sangue em seu
corpo.
Caio
pulou da cama e soltou outro grito de dor, pois sentiu um pedaço de vidro
entrando na carne, mutilando seu pé. Ele viu, com um espanto ainda mais
surpreendente 3 garrafas do whisky barato vazias e uma delas, agora, quebrada e
com um pedaço no seu pé.
- De onde vieram essas garrafas! Eu
não tinha mais nem 2 reais e meu cartão quebrei faz tempo, desde que foi
bloqueado por falta de pagamento... As perguntas eram muitas, o barulho era
intenso, o que ele faria...
A
Resposta veio menos de 15 minutos depois, quando ele ainda estava sentado no
chão chorando como criança ao ver a mulher que ele amava e que estava
desaparecida morta em sua cama e sem ter ideia de como ela foi parar lá, junto
com aquelas garrafas de whisky.
As
primeiras batidas na porta foram sutis, suficiente para fazê-lo olhar para cima
assustado, mas ao tentar levantar depressa para abrir a porta, a dor no corpo
foi maior e ao invés de levantar, ele caiu e gemeu alto demais, então a porta
foi arrombada e em menos de 5 segundos já havia uma arma apontada para a sua
cabeça e vários homens dentro do seu quarto.
- Abaixe a arma Claudio – Disse
com a voz calma o Sr. de terno que entrou por último no quarto. O Soldado
recuou e abriu caminho. O Sr. de terno se aproximou, colocou as mãos no queixo
de Caio que se assustou e perguntou com calma: - Seu nome é Caio, Caio Caldeira
?
- Caio assentiu, sentindo
um enorme calafrio, apenas com um movimento rápido da cabeça.
Enquanto isso os demais
tiravam fotos do corpo de sua amada e de todo o seu quarto.
Outro rapaz se aproximou
do Sr. de Terno, falou alguma coisa em sussurro no ouvido dele e meneou
negativamente a cabeça.
O Sr. de Terno olhou para
Caio e disse de forma trágica: - Sr. Caio Caldeira, o Sr. está preso por
assassinato. Temos aqui evidências que comprovam que na madrugada do dia 24 de setembro
de 2008 o Sr. matou a jovem Marcela Mendonça.
Caio demorou demais para entender
que havia algo ainda mais errado nisso tudo, afinal aquele dia não poderia ser
24 de setembro. Ele sabia que deveria ser dia 23...
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