segunda-feira, 26 de agosto de 2024

2004 - Ano 32

2004 foi um ano de recomeços.

No trabalho, foi quando dei início à minha empresa de RH e voltei a atender.

Mas por outro lado, foi quando o trabalho na empresa começou a cair e ficar parado, ou seja, sem muito dinheiro.

Nessa época eu entendi exatamente o significado das palavras gratidão e ingratidão e isso me ajuda e me guia até hoje.

Na vida pessoal, voltei a sair de casa, depois de perder quase 40 kilos e voltar a ter meu corpo normal, mas ainda assim com algumas ressalvas e em poucas oportunidades.

Conheci muita gente pela Internet, mas apenas 3 dessas pessoas se tornaram reais.

Reencontrei minha melhor amiga dos tempos de serviço, que depois se tornou minha afilhada de casamento, em um dos primeiros dias que consegui sair de casa para socializar depois do fim do casamento.

E tive um começo de relacionamento no fim do ano, que não  deu certo porque 2005 foi outra reviravolta daquelas, em uma vida que estava relativamente tranquila...

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Crimes Escolares

A violência nas escolas é uma preocupação crescente, que tem impactado profundamente o ambiente educativo. Desde o bullying até casos extremos de retaliação, essa realidade reflete uma dinâmica complexa que, infelizmente, se manifesta em escolas no mundo inteiro. Entender esses fenômenos e como a psicologia escolar pode atuar na prevenção é essencial para criar um ambiente seguro e acolhedor para todos os estudantes.

O bullying é uma das formas mais comuns de violência nas escolas. Caracteriza-se por agressões repetidas, sejam elas físicas, verbais ou psicológicas, que visam humilhar e intimidar a vítima. Este comportamento, muitas vezes ignorado ou subestimado, pode ter consequências devastadoras para a saúde mental das vítimas, incluindo ansiedade, depressão e, em casos extremos, tendências suicidas.

Os agressores geralmente buscam estabelecer poder sobre os outros, muitas vezes refletindo problemas emocionais e sociais próprios. A falta de intervenção eficaz pode permitir que esse ciclo continue, afetando negativamente tanto as vítimas quanto os próprios agressores.

Infelizmente, o bullying não só prejudica a vítima de forma passiva. Em alguns casos, as vítimas, após anos de sofrimento e ausência de apoio, podem reagir de maneira extrema, resultando em atos de violência graves, como ataques armados. Exemplos desses casos trágicos são mais visíveis nos Estados Unidos, onde tiroteios em escolas têm se tornado um fenômeno assustadoramente frequente. No Brasil, embora menos comuns, episódios de retaliação também têm ocorrido, mostrando que essa é uma questão global.

A retaliação pode ser vista como um grito de socorro desesperado, uma resposta a um ambiente que não conseguiu proteger o indivíduo. Isso reforça a necessidade urgente de uma intervenção eficaz antes que a situação atinja esse ponto crítico.

A psicologia escolar desempenha um papel crucial na prevenção e manejo da violência nas escolas. Psicólogos escolares estão em uma posição única para identificar sinais precoces de bullying e outros comportamentos problemáticos. Ao promover um ambiente de apoio e comunicação aberta, eles podem ajudar tanto as vítimas quanto os agressores a lidar com seus problemas de forma saudável.

Programas de intervenção, como campanhas anti-bullying e grupos de apoio, são ferramentas importantes para reduzir a incidência de violência. Além disso, o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais entre os estudantes pode contribuir para a construção de um ambiente escolar mais positivo, onde o respeito mútuo é incentivado.

A psicologia escolar também pode colaborar com pais e professores, oferecendo orientações sobre como lidar com situações de bullying e violência, além de fornecer suporte emocional necessário para os envolvidos.

A violência nas escolas é um problema complexo que exige uma abordagem multidisciplinar. Desde o bullying até casos extremos de retaliação, é fundamental que a comunidade escolar trabalhe junta para criar um ambiente seguro para todos. A psicologia escolar é uma aliada poderosa nessa luta, oferecendo as ferramentas necessárias para prevenir e tratar a violência de maneira eficaz.

Enjoy the Silence - Capítulo 4 - Marcela

          Marcela Mendonça era uma mulher decidida, que sabia o que queria da vida desde que sua amada mãe morreu quando ela ainda era uma criança de 9 anos. Viu seu pai se tornar uma pessoa fraca e desiludida e desde os dezesseis anos de idade era ela quem trabalhava para sustentar a casa. Mas ainda era pouco, ela queria mais e se dedicou aos estudos, mesmo tendo que aprender praticamente sozinha em virtude do ensino fraco das escolas estaduais, mas seu esforço não foi em vão. Ela se tornou uma psicóloga de primeira linha, mas resolveu atuar na área de Recursos Humanos por um ótimo salário e por conhecer o psicólogo chefe do departamento, que foi seu professor na faculdade e que sempre demonstrou uma queda por ela. Mas ela não se abalava, já sabia que não ia dar certo, pois sentia por ele uma admiração quase fraternal e além disso, estava apaixonada pelo maluco do Caio, apesar de todo ciúme, de toda chatice, ele era o que ela procurava em um homem. E ausência total de ciúme também devia ser ruim, era bom para o ego saber que tinha alguém preocupado em perdê-la. Só que para tudo há um limite e este limite estava perto de chegar, pelo menos era o que ela pensava.

            De volta à delegacia - 24 de Setembro    

            Caio não sabia o que fazer, dizia apenas não, não e não, eu a amava, eu jamais faria isso. Mas não tinha como responder quem teria entrado no quarto e matado a moça sem ele ver, sendo que ele nem se lembrava dela ter entrado no quarto.

            O Sr. de terno solicitou que ele colocasse uma roupa, mas não o autorizou a tomar banho, ele iria direto para o IML fazer um exame de corpo e delito, para que pudesse ser feita uma análise do sangue que estava em seu corpo.
            Enquanto desciam, ao passar pela portaria, viu Dan o encarar assustado e então veio à tona o que o Sr. de Terno o disse há alguns minutos atrás.
            - Dr. que dia o Sr. Disse que aconteceu o crime?
            - Humpf, não sabe nem em que dia está colega, vai querer usar essa história de amnésia em sua defesa ? Hoje é dia 24 de Setembro.
            - Não pode ser! Gritou Caio, se arrependendo em seguida, primeiro pela dor na cabeça e depois pela puxada forte e pelo grito de retorno que o Sr. De terno deu bem no seu ouvido. – Como não pode ser!?
            - Ai! Porque não pode, tenho certeza de que ontem foi dia 22 e sei exatamente tudo o que fiz, apesar de ter bebido talvez um pouco além da conta. Podem perguntar para o Dan, o porteiro, ele que abriu a porta para eu entrar.
             - Tá certo – Disse o Sr. de Terno, que olhou para trás, depois para os lados e deu um tapa com toda força na cabeça de Caio. – Não ache que chegamos até a sua casa sem querer, houveram denúncias de três anônimos que ouviram gritos desesperados de uma mulher, barulhos como se estivessem destruindo o apartamento e por fim pedidos de socorro.
            Caio abaixou a cabeça, mas não conseguiu pensar em nada. Nada fazia sentido e agora vinha um maluco dizendo que um dia da vida dele tinha sumido e justamente neste dia ele tinha cometido um assassinato. Justo ele, que fugia até de briga na escola.
            - E..Eu preciso de um advogado! – Por fim disse um resignado Caio.
            - Poderá ligar para ele depois que chegarmos à delegacia.

            Mas Caio não tinha um advogado, teria que ligar para o jornal e ver se conseguia um, barato e bom, ou teria que passar muito tempo preso, por ter matado a mulher que ele sempre sonhara em proteger.

            Chegando na delegacia ele ligou para o jornal e seu chefe sem entender direito disse apenas que mandaria o advogado do jornal, que era sempre muito acionado por causa das fotos e reportagens indiscretas que o próprio Caio fazia, mas que não havia condições de o jornal pagar por ele, isso ele deveria acertar.

            Então ele se dirigiu com o Sr. de Terno e o tal de Cláudio para um cubículo que ele reconhecia dos filmes americanos.
            O Sr. de Terno ligou uma câmera e perguntou se eles poderiam começar sem o advogado, pois assim as coisas poderiam terminar mais rápido, o que animou pelo menos um pouquinho o dia de Caio. Mas animação durou apenas até a primeira pergunta: - O Sr. matou a Srta. Marcela Mendonça?
            - Não, claro que não! – Respondeu Caio.
            - Então o Sr. precisa nos ajudar a achar o assassino. Tem certeza de que o sangue no seu corpo não é dela, e o sangue nas paredes do seu quarto, não são dela e não pode ser seu também? – Disse olhando diretamente para a mão machucada e ainda com vestígios de sangue de Caio.
            - Sinto muito Sr., mas acho que não posso ajudar a descobrir quem pode ter feito isso, um dia inteiro foi apagado da minha lembrança. Voltei para a minha casa no dia 22 por volta de 23 horas e o Sr. apareceu de manhã dizendo que já era dia 24 e com toda essa bagunça na minha casa.
            - Quer dizer que aconteceu uma gritaria enorme na sua casa, pessoas sendo jogadas na parede e pedindo por socorro e seu sono foi tão pesado que mesmo depois de ter dormido por quase um dia todo o Sr. não acordou com o barulho do seu lado ?
             - Eu não ouvi barulho nenhum...
             - Sobre o que vocês conversaram, o que a Srta. Marcela lhe contou que possa ter gerado tanta raiva a ponto de você cometer esse crime, ou causar um trauma tão grande que tenha feito você simplesmente esquecer o que fez?
             - Eu não conversei com Marcela, não falo com ela há mais de duas semanas e não sei como ela apareceu em casa, isso era tudo o que eu queria e por causa da tristeza causada pela ausência dela que eu estava bebendo...
             - Certamente o Sr. não ficaria feliz em saber que ela estava saindo com outra pessoa...
             - Não, não ficaria,  mas jamais faria algo que pudesse machuca-la. Jamais.
             As primeiras lágrimas começaram a cair dos olhos dele e o Sr. de Terno quase acreditou que fosse verdade, mas só quase. – Bem Sr. Caio, o Sr. será acusado de estupro e assassinato...
             - Estupro!! Como assim, mesmo que ela estivesse em minha casa, éramos noivos e sempre nossa relação foi consensual.
             - Mas pelas marcas no corpo dela e no seu, desta vez não foi. Talvez ela não quisesse mais, por estar apaixonada por outro, mas o Sr. deve ter ficado com muita raiva e quis tê-la pelo menos mais uma vez, e ela se defendeu.
             Agora Caio chorava copiosamente – Meu Deus, jamais, nunca eu seria capaz de uma coisa dessas.
             - Cláudio, leve o Sr. Caio para a cela, quem sabe lá ele refresca um pouco a memória e resolve colaborar...

2003 - Ano 31

Não fosse pelo excesso de trabalho, poderia dizer facilmente que 2003 foi um ano sabático.

Um ano de recuperação, de reconstrução emocional, física e pessoal.

Foi o início de um novo projeto de vida, que foi bem, dentro de alguns limites.

Aos poucos recuperei minha forma, meu corpo, minha alimentação, minha casa.

Mas cai em algumas compulsões perigosas, que poderiam ter me prejudicado ais, se eu n]ao tivesse m mínimo de força dentro de mim mesmo.

Foi o retorno das festas de fim de ano com a família, o autoconhecimento e o entendimento de que minha melhor companhia sou eu mesmo.

Não houve muito movimento social, apenas contatos pelo antigo MSN que em duas ocasiões se tornaram reais e não apenas virtuais, mas sem continuidade, apenas bons momentos para guardar como recordação, da minha força, da minha capacidade e de como eu era capaz de passar por cima dos problemas. E, claro, como eu seria capaz de criar novos problemas novamente...

Enjoy the Silence - Capítulo 3

        Capítulo 3 

        Mas pelo menos ele tinha conseguido uma coisa boa na vida, mesmo tendo sido depois de quase 30 anos, Célinha, para os menos próximos, para os outros, Marcela.

O Pai de Célinha se disse tão surpreso quanto o próprio Caio, disse que a filha, com um trabalho bom e estável simplesmente fez uma mala com uma muda de roupa, o olhou nos olhos, beijou a sua testa e disse – Eu te Amo, vou voltar em breve para lhe tirar daqui.
               
          Viu apenas que a filha pegou um táxi e não olhou para trás, disse que tinha imaginado que a filha teria brigado com Caio e por isso de cabeça quente tinha ido embora, mas achava que em dois ou três dias estaria de volta. Não Voltou.

          Realmente eles brigaram, como sempre, por causa da insegurança e ciúme desmedido de Caio, que queria deixar Célinha presa em seu quarto, em sua casa, nos seus sonhos, em sua vida. Tudo o que ele queria era poder admirar a beleza e a candura da Moça, mas sua boca, sua maldita boca externava com muita facilidade os pensamentos e medos que deveriam ficar submissos no inconsciente. Suas palavrar ferinas feriram fundo desta vez e o arrependimento e o pedido de perdão não foram suficientes, infelizmente...

          Depois de duas semanas de celular desligado, sem retorno dos e-mails e nenhum sinal, ele finalmente cedeu e voltou, voltou a fazer o que sempre soube que não podia, não por passar mal, nem por vomitar e nem mesmo por dar escândalos e perturbar aos outros, ele sabia que não podia beber por causa do barulho, do barulho ensurdecedor.

         
Ele até mesmo quis algumas vezes no passado dar vexame de propósito, fingir que tomou tanto que no dia seguinte não lembrava nada, enfim, ser um bêbado normal, mas não, isso nunca aconteceu. Por pior que ele estivesse, sempre chegava em casa, desde os tempos em que ainda morava com seus Pais e tinha que fazer silêncio, mas dava risada quando acendia a luz.

Caio estava morando naquilo que ele chamava de espelunca há alguns anos, há tempos queira se mudar, mas há ainda mais tempo lhe faltava o dinheiro.

E agora, sem Marcela, lhe faltava todo o resto, só sobrava mesmo a depressão, a tristeza e raiva que tinha toda noite quando chegava na espelunca e ficava parado na rua esperando o vagabundo do vigia acordar para abrir a porta do prédio para ele entrar.

                Dan Rotber é um pobre diabo. Um misto de zelador e faxineiro daquele prédio sem graça e sem meninas. Seu divertimento era pegar seu mísero salário e gastar todo em uma semana nos bares de strip-tease do centro, mas sua situação vinha piorando a cada semana, talvez a cada dia. A saúde debilitada, os remédios caros, as dívidas com jogo e com Marlon só aumentando e nenhuma perspectiva de melhora, pelo contrário, só reclamações dos moradores idiotas daquele lugar, principalmente daquele metidinho a repórter que agora tinha dado para chegar de madrugada e acordá-lo de seu sono, por preguiça de procurar a sua chave.

Mercúrio

Ela está presa em uma vida tão cinza.
E ainda assim a cor vai sumindo aos poucos.
Mas ela sabe qual a sua responsabilidade no meio disso tudo.
Ela prendeu um coração que queria ser livre.

E então fugiu.
Foi seu pecado ir embora assim tão de repente.
Sim, estamos bem.
E ela foi embora caminhando.

Me deixou confuso.
Como se fosse eu que estivesse perdido.
Certamente ficou me observando.
Depois se virou e foi embora.

Sei que essa mudança é natural.
Ela é como Mercúrio.
Sim, estamos bem.
Só com um pouco de tristeza no coração...

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Agressores e os Pedidos de Restrição

A violência contra as mulheres é um problema profundamente enraizado em muitas sociedades ao redor do mundo. Apesar dos avanços nas leis e políticas de proteção, muitas mulheres ainda enfrentam a dura realidade de agressões físicas, psicológicas e emocionais dentro de seus lares e comunidades. Denunciar esses agressores é um passo crucial para interromper o ciclo de violência, mas é uma decisão que muitas vezes é acompanhada por um medo avassalador de retaliação.

Para muitas mulheres, o pensamento de denunciar um agressor é acompanhado por um medo paralisante de represálias. A retaliação pode vir de várias formas: ameaças de violência, perseguição, intimidação e até mesmo o risco de morte. Esse medo é particularmente intenso quando o agressor é alguém próximo, como um parceiro íntimo, ex-marido ou um membro da família. Além disso, em muitos casos, as mulheres dependem financeiramente ou emocionalmente do agressor, o que complica ainda mais a decisão de denunciar.

As medidas protetivas, como as ordens de restrição, são instrumentos legais essenciais para garantir a segurança das mulheres que denunciam seus agressores. No entanto, muitas vezes, essas medidas não são suficientes para eliminar o medo de retaliação. A eficácia das ordens de restrição depende do cumprimento rigoroso por parte das autoridades e do apoio contínuo à vítima. Infelizmente, há inúmeros relatos de mulheres que foram alvo de novas agressões, mesmo após terem conseguido uma medida protetiva.

Apesar dos desafios e medos, denunciar o agressor é um passo vital na luta contra a violência doméstica, e contra mulheres em geral. A denúncia não apenas oferece uma chance de proteção imediata à vítima, mas também pode impedir que o agressor faça novas vítimas. Além disso, a denúncia pode ajudar a romper o ciclo de violência ao permitir que as autoridades intervenham e imponham sanções legais contra o agressor.

É crucial que as mulheres que decidem denunciar seus agressores recebam todo o apoio necessário, tanto do sistema judicial quanto da sociedade em geral. Redes de apoio, como ONGs, centros de acolhimento e grupos de apoio, desempenham um papel fundamental em fornecer às vítimas o suporte emocional e prático necessário para enfrentar as consequências de uma denúncia.

Denunciar um agressor é um ato de coragem e uma etapa crucial para a proteção e dignidade das mulheres. Contudo, é essencial que as autoridades e a sociedade estejam preparadas para apoiar essas mulheres em todos os aspectos, garantindo que o medo de retaliação não as impeça de buscar justiça e proteção.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...