segunda-feira, 7 de julho de 2025

Os "Ídolos" e o esquecimento

Vivemos em uma época em que ídolos nascem e desaparecem em questão de dias. Basta um gesto polêmico, um vídeo viral ou uma boa estratégia de marketing para que alguém seja alçado ao status de “referência”. Mas tão rápido quanto sobe, some. O mesmo público que aplaude com fervor vira as costas com frieza. A idolatria imediata tem prazo curto e memória fraca.

O mais curioso é que muitos desses ídolos nem deveriam ocupar esse lugar. Influenciadores vazios, que promovem consumo desenfreado e comportamentos superficiais, tornam-se exemplos a serem seguidos. Políticos populistas, com discursos inflamados e atitudes duvidosas, são tratados como salvadores. O prestígio muitas vezes não vem do caráter, mas da visibilidade. E quem ganha palco demais sem preparo costuma usar mal o microfone.

A lógica do consumo se aplica também às pessoas. Celebridades, atletas, criadores de conteúdo... todos parecem estar em uma prateleira invisível, prontos para serem substituídos assim que outro nome surge. Não há tempo para amadurecer uma admiração. O amor do público é tão intenso quanto frágil.

Essa troca constante não é apenas injusta com quem está no pedestal. Ela também revela algo sobre quem observa. Há uma pressa em se identificar com figuras públicas, como se isso suprisse alguma carência pessoal. Mas, quando o ídolo mostra que é humano, com falhas e contradições, ou quando revela que nem tinha tanto a oferecer, o encanto se desfaz.

Talvez o problema não esteja apenas na falta de memória, mas na escolha equivocada de quem colocamos como modelo. Admiração sem reflexão é terreno fértil para decepção.

Está na hora de rever o que admiramos. E principalmente, por que admiramos. O brilho de um momento pode até ser bonito, mas não substitui o valor de uma história construída com consistência e verdade.

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