segunda-feira, 25 de agosto de 2025

2014 - Ano 42

2014 foi um ano com algumas coisas diferentes na minha já pacata vida.
Estava financeiramente estabilizado, mas ainda muito sobrecarregado de trabalho e resolvi voltar a atender aos sábados em Moema.

Também foi o ano de maior aproximação com uma pessoa muito especial na minha vida, que me ajudou a enxergar novos rumos.

Em 2014 terminei meu relacionamento à distância de 6 anos, mas não porque não era um bom relacionamento, mas sim porque a distância só não incomodava a mim e isso era egoísmo.

Se fosse algo recíproco, talvez durasse pela eternidade....

Também teve a Copa do Mundo no Brasil. Brasil das mazelas, das obras superfaturadas e inacabadas, dos Elefantes Brancos que comeram muito dinheiro publico. Mas eu sou apaixonado por Copa do Mundo.

E me doía ter que trabalhar enquanto os jogas rolavam, como sempre aconteceu na minha vida, mas esse copa foi a última com essa sensação ruim.

Enfim, mudanças, mas nem tantas.

E a vida seguiu, para novos velhos anos que viriam e já passaram...

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Síndrome do Coração Partido

 


A Síndrome do Coração Partido, também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição em que o coração se enfraquece temporariamente após um evento emocionalmente estressante, como o término de um relacionamento, a perda de um ente querido ou até mesmo um choque intenso. Esse fenômeno é, de fato, reconhecido pela medicina, embora suas causas ainda não sejam completamente compreendidas. Acredita-se que uma liberação intensa de hormônios do estresse, como a adrenalina, pode afetar o funcionamento do coração, resultando em sintomas similares aos de um infarto, como dores no peito, falta de ar e aumento nos batimentos cardíacos. No entanto, ao contrário de um ataque cardíaco comum, essa síndrome geralmente não causa obstruções nas artérias.

A síndrome do Coração Partido representa mais do que um desafio físico; ela expõe a intensidade da conexão entre a mente e o corpo. A superação desse luto emocional pode ser complexa, e é nesse ponto que a terapia se destaca como uma abordagem necessária e sensível.

Para pessoas com Síndrome do Coração Partido, a terapia humanista é especialmente benéfica por oferecer um ambiente de compreensão, aceitação e respeito. Em vez de forçar a mudança imediata, o terapeuta humanista caminha ao lado do paciente, respeitando o tempo e os processos individuais de cada um.

A terapia vai priorizar a empatia, um fator importante para quem vive o impacto emocional da Síndrome do Coração Partido. Durante o tratamento, o terapeuta acolhe sem julgamentos, permitindo que o paciente compartilhe suas angústias e frustrações. Esse acolhimento é vital para que a pessoa possa encontrar segurança e reconstruir a confiança em si mesma, passos essenciais para sua recuperação.

A Síndrome do Coração Partido está frequentemente ligada a sentimentos de perda, rejeição ou abandono. Ao buscar a terapia, o paciente é incentivado a refletir sobre seu valor próprio e sobre a importância de aceitar suas emoções, aprendendo que elas são legítimas e compreensíveis. Essa prática de autoconhecimento não apenas reduz a dor emocional, mas também fortalece a capacidade de enfrentar novos desafios.

A terapia humanista convida o paciente a se concentrar no presente, o que ajuda a reduzir a ansiedade relacionada ao futuro ou ao passado. Pessoas com Síndrome do Coração Partido tendem a sentir uma insegurança intensa sobre o que pode vir a acontecer e, muitas vezes, ficam presas em lembranças dolorosas. Através do foco no presente, o paciente aprende a construir uma mentalidade mais realista e equilibrada.

Um dos pilares da abordagem humanista é o fortalecimento da autonomia emocional. Muitas vezes, a Síndrome do Coração Partido desencadeia sentimentos de dependência ou falta de controle sobre as próprias emoções. A terapia humanista oferece ferramentas que permitem ao paciente aprender a se tornar mais autônomo, entendendo que ele tem o poder de transformar suas respostas emocionais e criar uma nova perspectiva para si mesmo.

Na terapia, o indivíduo é encorajado a redescobrir o valor das relações saudáveis. Muitas vezes, pessoas com Síndrome do Coração Partido têm medo de se relacionar novamente, por temerem a repetição da dor. Nesse processo terapêutico, é possível reconstruir a confiança nos relacionamentos, aceitando que, embora os vínculos tragam riscos, eles também oferecem apoio e afeto.

A Síndrome do Coração Partido é uma resposta profunda a uma dor emocional intensa, demonstrando o quanto a mente e o corpo estão interligados. A terapia humanista se mostra um tratamento necessário, promovendo um processo de cura que respeita a individualidade do paciente e estimula a reconexão com o próprio valor e potencial. A partir do autoconhecimento e da aceitação, o paciente encontra forças para seguir em frente e construir novas experiências de maneira saudável e equilibrada.

Oceano

Segure-se firme.
A maré pode mudar a qualquer momento.
Prenda-se em mim.
Sou sua segurança apesar de te dar medo.

Eu permito.
E você sonha com o próximo passo.
Só quando nos vermos novamente,
Separados por um Oceano

Vejo as ondas quando fecho os olhos.
Mas segure-se firme no que nos une.
Pois o mar vai subir.
Nade em direção à segurança.

Eu estarei lá.
Mesmo a um oceano de distância.
Um oceano.
Oceano.


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Ganância

Ganância é aquele desejo que cresce sem limite, alimentado pela ilusão de que ter mais significa ser mais. É uma fome que não se sacia, porque não se trata de necessidade, mas de um vazio que nunca encontra preenchimento. Quem vive movido pela ganância transforma relações em negócios, afeto em moeda de troca e oportunidades em disputas.

Ela começa de forma sutil, como um pensamento de “só mais um pouco” e vai ocupando cada espaço. Não importa o que já foi conquistado, sempre haverá a sensação de que é pouco. O problema é que, nessa busca incessante, se perde de vista o que realmente tem valor. As conquistas deixam de trazer alegria, porque são apenas degraus para a próxima ambição.

A ganância não está apenas no acúmulo de dinheiro. Ela pode aparecer na necessidade de poder, de status ou até de atenção. É a lógica de viver comparando, competindo e tentando provar algo o tempo todo. O resultado costuma ser solidão, desconfiança e um cansaço que corrói por dentro.

Quando entendemos que o bastante é diferente para cada pessoa, passamos a medir a vida por experiências e não por posses. Percebemos que a verdadeira riqueza está no que conseguimos sentir, compartilhar e viver plenamente. E que, muitas vezes, o que enriquece de fato não cabe em números, mas em memórias, afetos e momentos que nenhum dinheiro pode comprar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Prosopagnosia

 


A prosopagnosia, também conhecida como cegueira facial, é uma condição neurológica que afeta a capacidade de uma pessoa reconhecer rostos familiares. Embora a visão em si esteja preservada, o cérebro não consegue processar adequadamente as informações visuais para identificar rostos. Para indivíduos com prosopagnosia, encontrar amigos, familiares ou até mesmo reconhecer o próprio reflexo no espelho pode ser um desafio diário.

Essa condição pode variar em gravidade. Em casos mais leves, a pessoa pode ter dificuldades em distinguir rostos semelhantes ou lembrar-se de alguém que encontrou recentemente. Em casos mais graves, a incapacidade de reconhecer rostos é tão severa que até figuras públicas muito conhecidas, como celebridades ou líderes políticos, se tornam estranhas. Embora seja uma condição rara, ela pode estar presente desde o nascimento (congênita) ou desenvolvida após um dano cerebral (adquirida), geralmente como resultado de um acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou doenças neurodegenerativas.

A prosopagnosia pode causar uma série de desafios emocionais e sociais. Para muitos, a dificuldade de reconhecer pessoas pode levar a constrangimentos e até ao isolamento social. Imagine encontrar alguém que você conhece, mas não ser capaz de reconhecê-lo. Isso pode ser interpretado como indiferença ou desinteresse, gerando mal-entendidos em interações pessoais e profissionais. Muitos que vivem com essa condição acabam se isolando, evitam grandes encontros sociais e até desenvolvem ansiedade social. A pressão para se lembrar de rostos pode ser desgastante, levando à frustração e sentimentos de inadequação.

Outro fator importante é o impacto que a prosopagnosia pode ter na autoestima e na identidade. Reconhecer rostos é uma habilidade profundamente enraizada em nossa interação social, e a incapacidade de fazê-lo pode criar uma sensação de desconexão com o mundo. Além disso, a falta de reconhecimento facial pode comprometer a capacidade de formar laços emocionais profundos, já que o reconhecimento visual é uma das formas mais primordiais de conexão humana.

Embora não haja uma cura definitiva para a prosopagnosia, o tratamento psicológico é uma ferramenta importante para ajudar os indivíduos a lidar com os desafios emocionais e sociais que acompanham essa condição. A psicoterapia pode fornecer estratégias de enfrentamento para minimizar o impacto da prosopagnosia na vida cotidiana.

Em primeiro lugar, o processo de aceitação é crucial. Muitos indivíduos com prosopagnosia, especialmente aqueles que adquirem a condição após um evento traumático, podem se sentir desamparados ou frustrados. A psicoterapia pode ajudar a trabalhar esses sentimentos, proporcionando um espaço seguro para expressar emoções e entender melhor a condição. A aceitação da prosopagnosia é um passo importante para reduzir o estresse e a ansiedade que frequentemente acompanham essa condição.

Além disso, o psicólogo pode auxiliar no desenvolvimento de técnicas compensatórias. Muitas pessoas com prosopagnosia aprendem a se concentrar em outras características além do rosto, como voz, estilo de cabelo, roupas ou gestos, para reconhecer os outros. Essas estratégias podem ser treinadas e reforçadas em terapia, ajudando o indivíduo a se sentir mais confiante em interações sociais. A psicologia cognitiva, em particular, pode desempenhar um papel essencial ao ensinar habilidades adaptativas que facilitam o reconhecimento por meio de pistas não faciais.

Outro aspecto crucial é o tratamento de possíveis comorbidades, como ansiedade e depressão. Como mencionado, a prosopagnosia pode levar ao isolamento social e à frustração, o que pode aumentar o risco de transtornos emocionais. A terapia pode ajudar a identificar e tratar esses sintomas de forma eficaz, promovendo o bem-estar emocional do paciente.

É igualmente importante que as pessoas ao redor de quem tem prosopagnosia compreendam a condição. A construção de uma rede de apoio, composta por amigos, familiares e colegas de trabalho, pode aliviar a pressão e a ansiedade nas interações sociais. Explicar a situação para os outros pode evitar mal-entendidos e promover uma convivência mais harmoniosa.

A prosopagnosia, embora grave, não precisa definir a vida de uma pessoa. Com o tratamento psicológico adequado, é possível desenvolver mecanismos de enfrentamento e melhorar a qualidade de vida. A conscientização sobre a condição e o suporte emocional são fundamentais para que os indivíduos possam viver de forma plena, minimizando os impactos sociais e emocionais dessa condição.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Nosofobia


Você já se pegou pensando demais na possibilidade de ficar doente?

Já evitou lugares, pessoas ou situações por medo de pegar alguma doença?
E mesmo sem sintomas, já sentiu o coração acelerar só de imaginar que algo pode estar errado?

Esse tipo de medo tem nome: nosofobia.

Diferente da hipocondria, onde a pessoa acredita que já está doente, a nosofobia é o medo constante de adoecer no futuro.
É como se o corpo estivesse bem, mas a mente vivesse em alerta.

Esse transtorno pode surgir por vários motivos.
Algumas pessoas já enfrentaram perdas marcantes por doenças e ficaram com esse trauma.
Outras têm uma personalidade mais ansiosa, com dificuldade de lidar com o imprevisto.
Também existe a influência da mídia, que bombardeia notícias sobre saúde o tempo todo,  muitas vezes de forma exagerada e alarmante.

O resultado é uma rotina marcada por:

  • Preocupações constantes sobre a saúde.

  • Evitação de ambientes ou contatos considerados arriscados.

  • Pesquisas repetitivas na internet sobre sintomas ou doenças.

  • Exames desnecessários.

  • Sintomas físicos causados pela ansiedade, como tremores, sudorese ou insônia.

A boa notícia é que esse medo pode ser tratado.

A terapia ajuda a entender o que está por trás desse pavor, a diferenciar o que é excesso de cuidado do que já virou sofrimento.
Com o tempo, é possível retomar a liberdade de viver, sair de casa sem medo, se relacionar sem receio e confiar mais no próprio corpo.

Não precisa ser de uma hora para outra.
Mas precisa começar.

Se o medo de adoecer tem tomado espaço demais na sua vida, talvez seja hora de falar sobre isso com um profissional.
Você merece viver com mais leveza, sem tanto controle e com mais confiança no agora.

A terapia pode ajudar. Dê esse passo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Quem lucra com as Fake News?

Elas se espalham com velocidade absurda. Chegam antes da dúvida, atropelam a checagem, assumem o posto da verdade e ditam o tom das conversas. As fake news nem de longe não são apenas boatos inofensivos. Elas têm nome, endereço e finalidade. E, sim, alguém sempre lucra com elas.

Em um mundo onde o tempo é curto e a paciência mais ainda, a mentira bem contada costuma convencer antes que a verdade tenha chance de se explicar. E a pergunta que fica é: quem ganha com isso?

A resposta começa nos bastidores. Empresas e grupos políticos perceberam cedo que a desinformação rende. Votos, dinheiro, cliques, poder. Uma notícia falsa pode derrubar reputações, manipular decisões de milhões e moldar a realidade ao gosto de quem banca o jogo.

As plataformas digitais, por sua vez, lucram com o engajamento, não com a veracidade. A lógica do algoritmo é simples. Quanto mais reações, mais alcance. E nada gera mais reações do que o choque, o medo ou a revolta. Emoções que as fake news sabem explorar com maestria. Enquanto nos indignamos, alguém monetiza nosso clique.

Mas não são só os grandes que lucram. Há também os pequenos comerciantes da mentira. Gente comum que grava vídeos distorcendo fatos, cria páginas sensacionalistas, espalha teorias absurdas e se alimenta dos centavos por visualização. É um mercado. Um comércio de confusão.

Enquanto isso, o custo é dividido entre todos nós. Relações rompidas, decisões equivocadas, crises políticas, medo generalizado. A mentira tem um preço alto, mas quem paga quase nunca é quem inventa. É quem acredita.

A reflexão que deixo hoje é amarga, mas necessária. Talvez a maior tragédia das fake news não seja o conteúdo em si, mas a facilidade com que algumas pessoas aceitam aquilo que as conforta, sem se perguntar se é verdade.

Talvez, no fim das contas, o maior lucro das fake news seja a nossa distração. Porque enquanto discutimos aquilo que nunca aconteceu, deixamos de ver o que está realmente em jogo.

E a verdade, essa vai ficando pra depois. Pra quem tiver tempo. Pra quem ainda se importar.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...