Elas se espalham com velocidade absurda. Chegam antes da dúvida, atropelam a checagem, assumem o posto da verdade e ditam o tom das conversas. As fake news nem de longe não são apenas boatos inofensivos. Elas têm nome, endereço e finalidade. E, sim, alguém sempre lucra com elas.
Em um mundo onde o tempo é curto e a paciência mais ainda, a mentira bem contada costuma convencer antes que a verdade tenha chance de se explicar. E a pergunta que fica é: quem ganha com isso?
A resposta começa nos bastidores. Empresas e grupos políticos perceberam cedo que a desinformação rende. Votos, dinheiro, cliques, poder. Uma notícia falsa pode derrubar reputações, manipular decisões de milhões e moldar a realidade ao gosto de quem banca o jogo.
As plataformas digitais, por sua vez, lucram com o engajamento, não com a veracidade. A lógica do algoritmo é simples. Quanto mais reações, mais alcance. E nada gera mais reações do que o choque, o medo ou a revolta. Emoções que as fake news sabem explorar com maestria. Enquanto nos indignamos, alguém monetiza nosso clique.
Mas não são só os grandes que lucram. Há também os pequenos comerciantes da mentira. Gente comum que grava vídeos distorcendo fatos, cria páginas sensacionalistas, espalha teorias absurdas e se alimenta dos centavos por visualização. É um mercado. Um comércio de confusão.
Enquanto isso, o custo é dividido entre todos nós. Relações rompidas, decisões equivocadas, crises políticas, medo generalizado. A mentira tem um preço alto, mas quem paga quase nunca é quem inventa. É quem acredita.
A reflexão que deixo hoje é amarga, mas necessária. Talvez a maior tragédia das fake news não seja o conteúdo em si, mas a facilidade com que algumas pessoas aceitam aquilo que as conforta, sem se perguntar se é verdade.
Talvez, no fim das contas, o maior lucro das fake news seja a nossa distração. Porque enquanto discutimos aquilo que nunca aconteceu, deixamos de ver o que está realmente em jogo.
E a verdade, essa vai ficando pra depois. Pra quem tiver tempo. Pra quem ainda se importar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário