terça-feira, 18 de outubro de 2011

Masoquismo e Esperança



Hoje olho para o passado e vejo quantas coisas já fiz, das quais não diria que me arrependi, mas não entendo direito porque fiz.

Coisas que não tinham como dr certo, ou ser boas, divertidas, mas mesmo assim fiz.

E por vezes olho pessoas, que nem conheço, fazendo coisas semelhantes e me pergunto o que os motiva, o que me motivava.

Usando um exemplo bobo, me vejo voltando ao ano de 2011, passando em frente ao estádio do Canindé em SP, um domingo com chuva torrencial e alguns torcedores se encaminhando para o Estádio. O jogo era do meu time, que à época estava pior do que filme "B" de terror, juntando com aquela chuva então...
 
Então, o que levava estes torcedores à pagar o ingresso e assistir ao suposto jogo, sabendo que iam se molhar, passar nervoso, brigar, se irritar e voltar para casa mais estressados do que saíram, ao Estádio? Minha única resposta é a Esperança.

A Esperança de um milagre, de uma virada do destino, uma mudança inesperada, ou uma expulsão boba de três atletas do time adversário.

Acho que deve ser a mesma situação daquele pessoal que vai para a praia nos feriados prolongados, que sabe o tamanho do trânsito que vai pegar, a irritação que vai passar, o sufoco dentro do carro, sabe que vai dirigir reclamando e xingando o tempo todo, mas, mesmo assim, sempre volta...

Devem existir mais exemplos, mas não me vem a cabeça agora. Eu me lembro de uma situação diferente, mas divertida.

Quase sempre que ia ao Shopping aqui da cidade e passava pelo quiosque da King Donuts, ficava olhando para "cara" tão bonita deles e, mesmo sabendo que eram ruins par o meu paladar, acabava comprando.

Ao chegar em casa e comer, sempre reclamava comigo mesmo. Talvez fosse a esperança de que a receita tvesse mudado e o sabor passasse a ser mais compatível com a aparência....

Mas, cá entre nós, isso é bem melhor do que tomar chuva para ver um jogo de um time ruim...

Photo by Markus Spiske on Unsplash

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Grupos e Indivíduos



Quem são as pessoas que conhecemos e quem somos nós?
Por que o EU é tão diferente quando o EU se junta a outros e forma o NÓS?

Por que tímidos se tornam desinibidos, por que pessoas calmas e sossegadas podem se tornar violentas, aquele que mal consegue dirigir uma palavra a uma pessoa consegue gritar no meio da multidão?

O Conjunto de pessoas, formado por um ou mais líderes, é o álcool que embriaga a mente do EU.

Quando se juntam torcedores uniformizados de uma equipe, o EU desaparece e o conjunto o torna um EU forte, desinibido, destemido, como o efeito de um Whisky duplo na balada para ter coragem de se aproximar da garota desejada.

Quando se juntam fiéis da mesma igreja, o EU some e surge um grupo uníssono que consegue juntar coragem para espalhar sua crença, por vezes escondida no EU solitário.

Enfim, o EU e a sociedade são coisas muito distintas. O EU, por exemplo, pode ser internamente a favor, por exemplo, das palavras de um lunático, enquanto o NÓS vai ser radicalmente contra, porque o NÓS é politicamente correto e acompanha a corrente.

O EU votou TIRIRICA para "brincar" e fez dele o deputado federal mais votado do Brasil, mas o NÓS jamais votou, pois não encontramos ninguém que tenha cometido tamanho desajuste.

Acredito que precisamos viver um pouco mais intensamente o nosso EU, pois só assim nossas crenças, vontades e pensamentos passarão a ter mais valor.

Pensar e agir individualmente de um jeito e coletivamente de outro, faz com que não sejamos nós mesmos e sim apenas uma parte. Uma parte de um coletivo, que nem sempre, ou quase nunca, exprime a realidade do nosso EU.

Photo by Ian Parker on Unsplash

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Felicidade - Um Conceito



Hoje, vou divagar sobre a felicidade.

As pessoas próximas sabem que minha mãe, há alguns anos, foi atropelada por um inconsequente de vinte e poucos anos na faixa de pedestres em Campo Limpo Paulista.

Ainda hoje, não consegue se locomover perfeitamente devido a uma série de circunstâncias que ocorreram desde o seu atropelamento, até as confusões dos vários médicos que a atenderam. Mas, por outro lado, isso fez com que eu tivesse um estreitamento fundamental na minha relação com ela.

Certo dia, ainda quando ela morava mais longe, conversávamos enquanto eu fazia café e ela perguntou se eu era feliz, pois achava que eu, um homem de quase 50 anos, separado e sem filhos, com um trabalho que me consumia a semana toda, além das preocupações e do stress, não poderia ser feliz, assim como ela achava que também não era feliz, aliás, que nunca tinha sido feliz, exceto, pelos três filhos que ela teve...

Enfim, eu disse a ela que a felicidade não está em um casamento e nem em filhos, a felicidade está aonde nos sentimos bem.

Não alonguei a conversa, mas pensei bastante a respeito, pois tenho uma ideia formada há muito tempo sobre isso.

Eu acho que a felicidade não pode ser determinada, afirmada. Assim como a tristeza, a felicidade é um estado. Passageiro, breve e que deve ser aproveitado ao máximo. Mas não podemos nos julgar felizes ou tristes, podemos nos sentir felizes, viver momentos felizes, que nos fazem pensar, por instantes, em uma felicidade eterna. Mas esses momentos acabam, ou viram rotina, pode ser até uma agradável rotina, ou se transformam, se modificam e viram tristeza.

E eu uso o próprio exemplo da conversa que tive com a minha mãe. Certamente, quando ela se casou, assim como eu e imagino como qualquer pessoa que se case, sentiu-se feliz, completa, realizada.

Depois de algumas brigas, discórdias, diferenças e a inevitável separação, a felicidade virou mágoa, tristeza, desilusão.

Com os filhos é a mesma coisa. Claro que muitos filhos são sempre bons para seus pais, ainda bem, mas quantos deles não são uma fonte de felicidade suprema ao nascerem, dizerem suas primeiras palavras, darem os primeiros passos e depois acabam virando um jorrar de lágrimas pelo abandono, pelas atitudes incorretas, pelo envolvimento com drogas, furtos e outra infinidade de coisas.

Como pais vão imaginar que aquelas crianças que tanto lhe trouxeram alegrias, podem ser as mesmas que vão deixá-los em um asilo cobertos pela tristeza sem fim.

Portanto, mãe, pensando bem, me sinto mais feliz assim, tendo uma pessoa ao meu lado, mas não tão perto, indo ao cinema, viajando, almoçando ou jantando com amigos, assistindo meus filmes em casa, pedindo uma pizza, ficando ao seu lado, ao lado do resto da família, cantando com as meninas do trabalho, tomando o meu choppinho com os amigos, enfim, com a minha liberdade, fazendo o que quero, quando quero e com poucas chances de me decepcionar, mesmo sabendo que posso estar abrindo mão de alguns momentos felizes...

Photo by Nathan Dumlao on Unsplash

sábado, 1 de outubro de 2011

Um Mundo Para Cada Um



Quase todos estão errados e uns poucos estão certos, claro que entre esses poucos estou eu...

Não, essa não é uma frase minha, nem uma colocação minha e muito menos o meu pensamento, mas infelizmente é o que ocorre na maioria dos casos, com a maioria das pessoas e em qualquer assunto que possamos pensar.

Ouvir a ideia de outras pessoas, aceitar considerações, pensar a respeito de novas possibilidades, admitir um passo errado, uma atitude incoerente. Nunca!

Podemos escolher qualquer assunto, qualquer banalidade, que teremos sempre o mesmo veredicto.

Uma simples escolha de um time de futebol, pode levar à morte. A escolha da sua religião, pode ser atacada e seu nome entrar na lista daqueles que ficarão parados do lado de fora da porta do céu.

O Partido Político que vai receber o seu voto pode fazer com que você seja massacrado e até mesmo ameaçado.

Sua opção sexual lhe leva a ter medo de frequentar diversos lugares. Enfim, todos querem ter razão, sem entender que todos sempre estão errados.

Podem dizer que a unanimidade é burra, e até considero o mesmo, mas enquanto não houver unidade em torno de uma opinião, não haverá nenhuma que possa ser considerada correta.

Claro que eu, como qualquer um, tenho minhas escolhas, meus pensamentos, minhas preferências, o que eu faço e o que eu prefiro não fazer, mas respeito, escuto e discuto todas as opiniões e tenho ciência de que não estou certo e sim apenas fazendo o que EU CONSIDERO certo.

Tenho meu time de futebol, mas tenho amigos que torcem para outros, de quem eventualmente tiro sarro, e, atualmente, tiram mais sarro ainda da minha cara. Não deixamos de ser amigos por causa disso, e muito menos brigamos por causa de futebol.

Não tenho escolha religiosa e nem certeza sobre o que acredito ou não, mas escuto e leio com muita atenção e interesse tudo aquilo que me dizem. Tenho o meu sentimento e ponto de vista, mas não saio fazendo confusão e nem ofendo estes que escolheram uma crença diferente ou qualquer outra tipo de devoção.

Enfim, queria apenas que as pessoas se respeitassem mais, fossem mais humildes e buscassem sempre aprender mais sobre tudo, para poder defender seus pontos de vista e abrir a possibilidade para uma mudança de opinião, sempre de forma pacífica e educada.

Afinal, o Mundo é um só, mas não tem um dono...

Photo by Ben White on Unsplash

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...