segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Felicidade - Um Conceito



Hoje, vou divagar sobre a felicidade.

As pessoas próximas sabem que minha mãe, há alguns anos, foi atropelada por um inconsequente de vinte e poucos anos na faixa de pedestres em Campo Limpo Paulista.

Ainda hoje, não consegue se locomover perfeitamente devido a uma série de circunstâncias que ocorreram desde o seu atropelamento, até as confusões dos vários médicos que a atenderam. Mas, por outro lado, isso fez com que eu tivesse um estreitamento fundamental na minha relação com ela.

Certo dia, ainda quando ela morava mais longe, conversávamos enquanto eu fazia café e ela perguntou se eu era feliz, pois achava que eu, um homem de quase 50 anos, separado e sem filhos, com um trabalho que me consumia a semana toda, além das preocupações e do stress, não poderia ser feliz, assim como ela achava que também não era feliz, aliás, que nunca tinha sido feliz, exceto, pelos três filhos que ela teve...

Enfim, eu disse a ela que a felicidade não está em um casamento e nem em filhos, a felicidade está aonde nos sentimos bem.

Não alonguei a conversa, mas pensei bastante a respeito, pois tenho uma ideia formada há muito tempo sobre isso.

Eu acho que a felicidade não pode ser determinada, afirmada. Assim como a tristeza, a felicidade é um estado. Passageiro, breve e que deve ser aproveitado ao máximo. Mas não podemos nos julgar felizes ou tristes, podemos nos sentir felizes, viver momentos felizes, que nos fazem pensar, por instantes, em uma felicidade eterna. Mas esses momentos acabam, ou viram rotina, pode ser até uma agradável rotina, ou se transformam, se modificam e viram tristeza.

E eu uso o próprio exemplo da conversa que tive com a minha mãe. Certamente, quando ela se casou, assim como eu e imagino como qualquer pessoa que se case, sentiu-se feliz, completa, realizada.

Depois de algumas brigas, discórdias, diferenças e a inevitável separação, a felicidade virou mágoa, tristeza, desilusão.

Com os filhos é a mesma coisa. Claro que muitos filhos são sempre bons para seus pais, ainda bem, mas quantos deles não são uma fonte de felicidade suprema ao nascerem, dizerem suas primeiras palavras, darem os primeiros passos e depois acabam virando um jorrar de lágrimas pelo abandono, pelas atitudes incorretas, pelo envolvimento com drogas, furtos e outra infinidade de coisas.

Como pais vão imaginar que aquelas crianças que tanto lhe trouxeram alegrias, podem ser as mesmas que vão deixá-los em um asilo cobertos pela tristeza sem fim.

Portanto, mãe, pensando bem, me sinto mais feliz assim, tendo uma pessoa ao meu lado, mas não tão perto, indo ao cinema, viajando, almoçando ou jantando com amigos, assistindo meus filmes em casa, pedindo uma pizza, ficando ao seu lado, ao lado do resto da família, cantando com as meninas do trabalho, tomando o meu choppinho com os amigos, enfim, com a minha liberdade, fazendo o que quero, quando quero e com poucas chances de me decepcionar, mesmo sabendo que posso estar abrindo mão de alguns momentos felizes...

Photo by Nathan Dumlao on Unsplash

3 comentários:

  1. Meu sábio Elso, você por acaso anda lendo pensamentos? rs. Exceto pelo fato de você ter a felicidade de ter sua mãe contigo o resto é perfeitamente o meu caso. Não pelos meus filhos que são pessoas que amo incondicionalmente e que têm me dado alegrias constanstes. E agora vou viver como você.
    Abs.

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  2. Olá Elias,
    Ainda não leio pensamentos... hehehe... Quando começar, abrimos uma barraquinha de leitura de cartas..rs
    Obrigado pelas colocações. E vamos buscar a felicidade presente, vamos aproveitar e tentar manter a paz de espírito e tranquilidade no futuro.
    Abraço!

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  3. Como sempre você escrevendo textos maravilhosos! Sem duvidas, esse foi o que eu mais gostei.
    Tenho a mesma linha de pensamento, não existe felicidade o que existe são momentos felizes. Abraços e uma boa semana pra nós !

    Rachel (a filha da pernam..)

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