terça-feira, 25 de novembro de 2014

Contradições




PAZ, LIBERDADE e JUSTIÇA.

Essas 3 palavras, unidas, formam um lema. O Lema do PCC. Sim, neste País governado por bandidos, nada menos contraditório do que outros bandidos sejam conhecidos e até tenham um lema próprio.

Mas, espera um pouco, Criminoso pedindo paz e justiça já é contraditório demais.

Em São Paulo, caminhões, carros e ônibus são incendiados (Paz ?) quando um bandido é assassinado pela polícia. (Justiça ?).

Um toque de recolher é passado por marginais armados em cima de motos, mandando as lojas baixarem as portas e ninguém sair de casa ( Liberdade ? ).

Somos cada vez mais prisioneiros da loucura que o Brasil se tornou.

Os bandidos matam e pedem paz, quando um policial mata um bandido vai preso, os valores estão invertidos e estamos todos perdidos, mesmo sabendo exatamente aonde estamos.

São tantas as contradições com as quais convivemos, tantas afirmações e situações que nos colocam em dúvida e dificultam demais nosso entendimento que acabamos nos confundindo cada vez mais.

Hoje, para conquistar a paz, os homens fazem guerra. As pessoas se sentem sozinhas, mesmo quando estão cercadas de pessoas, gostam tanto do cantar dos pássaros, que os deixam presos em gaiolas, ficam felizes por serem assaltadas e voltarem vivas para casa.

São tantas coisas malucas, um conformismo tão revoltante, que acaba fazendo muito sentido. Deixamos de acreditar e deixamos a nossa vida nas mãos de incompetentes, ladrões e incapazes. Trocamos a miséria por outra miséria e achamos que estamos saindo da miséria, enquanto a miséria só aumenta.

Sofremos e choramos por amor, mas achamos o amor tão bom. Então natural sentir dor e ficar alegre, pois para nós, tudo poderia sempre ter sido pior. Transformamos em segundos o amor em ódio e depois amamos de novo aquilo que odiávamos.Temos medo de ter coragem.

Pra mim chega dessa maluquice. Vou embora para sempre... Mas semana que vem estou de volta...

Photo by Brett Jordan on Unsplash

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Liderança




Uma palavra pode ter muitos significados, ser usada de várias formas e maneiras diferentes, mas poucas podem ser tão ambíguas quanto "liderança". Aparentemente liderança é algo bom, mas existem tantos tipos de líderes, que a liderança chega a ser perigosa.

Líder do tráfico, líder dos bandidos, líder dos conspiradores e aqueles líderes que não sabem liderar nada.

Normalmente, para se chegar à liderança, é necessário conquistar o respeito, mas muitos líderes não tem essa capacidade e acabam alcançando a liderança através do medo, da violência, da crueldade, outros, não conseguem nem uma coisa e nem outra.

Existem também as lideranças ideológicas, líderes políticos, religiosos, estudantis, aqueles que se apegam a um tema, uma bandeira, uma ideia e passam a disseminar a sua opinião, angariando seguidores e formando grandes grupos que, por muitas vezes, os seguem cegamente, acreditando em algo que nunca viram, nem mesmo pesquisaram. 

Esses líderes misturam respeito com medo, e uma pitada de mentiras, normalmente tentando destruir os argumentos das lideranças opostas na maior parte do tempo e defendendo-se dos ataques, do que efetivamente expondo ou criando alguma ideia. O mais impressionante nesses casos é o carisma de quem lidera, pois mesmo com muitas dúvidas e interrogações ainda conseguem manter um exercito firme.

Não podemos esquecer das lideranças esportivas, mas essas são mais diversificadas e normalmente trocam de mãos com maior frequência. Uma corrida pode ter muitos líderes do seu início até o final, mas só depois que termina o campeonato, um piloto ganha o respeito e admiração, quase heroica da conquista. Um time pode permanecer na liderança de um campeonato por quase todas as rodadas, mas aquele que liderar a última, é que será lembrado.

Claro, que existem também, as lideranças positivas, os chamados líderes-natos, que desenvolvem um dom para organizar grupos e conseguir unir pessoas diferentes em torno de um único objetivo, os líderes espirituais, que pedem apenas paz e harmonia, os líderes organizacionais, que conseguem driblar egos inflados, levantar mentes depressivas, acalmar almas ansiosas e seguir em frente.

E existe um líder que não pode ser substituído, nem subestimado. Você.

Se você não toma posse da sua vida, seja impondo respeito quando se olha no espelho e se obriga a fazer o que é necessário, você precisa lançar mão de todas as outras alternativas. Seja colocando limites em si mesmo, ameaçando um final de semana divertido se não tomar a atitude necessária, seja fazendo mantras repetitivos para acreditar que aquilo que você quer é de verdade o que você precisa, mesmo que nunca tenha tentado fazer, seja criando uma aposta consigo mesmo para que você se sinta motivado para alcançar seu objetivo, ou, sendo apenas racional e entendendo que se você não fizer algo por você, ninguém fará.

O único líder da sua própria vida que você não pode ser, é aquele que não sabe o que está fazendo, que não sabe o que quer e muito menos porque quer, pois estes, são aqueles que nunca vão conseguir nada, nem para si e nem para os outros.

Photo by Jehyun Sung on Unsplash



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Entender as Mudanças da Vida




"Ah, como era boa a infância", " Como eu queria voltar no tempo e voltar a ser criança".

Quantas vezes falamos e escutamos essa frase nos tantos anos que se passaram desde que deixamos de ser crianças?

Eu mesmo perdi as contas, aliás, há muito tempo. Provavelmente desde que passei do Jardim de Infância para a Primeira Série, e apareceram no meu cotidiano as "provas" no colégio e o que era ir para escola só para brincar, virou a primeira responsabilidade estudantil. Aprender.

O que eu não me lembro, mas certamente falava, ou ao menos pensava quando estava no Jardim, era "Queria crescer para poder ler e escrever" e provavelmente fazia bico.

As vezes quando pensamos em voltar a sermos crianças, talvez nosso pensamento volte para algo um pouquinho menos distante, o que na minha época era chamado de Ginásio, que ia da 5ª até a 8ª série. 

Nossa, naquele período a maior preocupação era entender as miseráveis equações. Para que ter um X no meio dos número e o que me interessa que número vai substituir o X!?

Enfim, mas era muito melhor do que pensar no X que será o valor do Cartão de crédito a pagar no mês que vem, não era? Mas eu me lembro como odiava tudo aquilo, e pensava " Nossa, como eu era feliz na 2ª, 3ª série, porque eu tive que crescer?"

Só que no "recreio", eu ficava assistindo os meninos do Colegial jogarem bola, achava as meninas "grandes" e mais bonitas do que as "crianças" da sala e pensava: "Nossa, será que vai demorar muito para eu chegar no colegial?". Pois é, demorou, de tanto pensar em outras coisas, na 7ª série consegui a proeza de ser reprovado e adiei por mais um ano o meu sonho e amaldiçoei, também por um ano a mais, o fato de ter crescido.

Ah, O Colegial! Quem nunca pensou em voltar aqueles tempos maravilhosos!? Eu mesmo agora penso como seria bom, estar do lado dos primeiros amigos novamente, os cabelos compridos, as primeiras baladas sozinho, as primeiras cervejas, e até umas "51"... Ah, que saudade...

Mas como eu detestava aqueles dias de química, física, biologia, matemática então, com mais Xs e Ys do que qualquer coisa no mundo! Como era complicada a relação familiar, porque a adolescência é assim. Eu quero, meus pais não querem, a rebeldia, a falta de grana...Naquela época, eu já achava que a vida com um X só era melhor, mais fácil, menos complicada, eu podia pedir mais coisas, podia dormir de tarde, não tinha aquelas aulas esdruxulas depois do almoço, das quais eu lembro com saudade. Mas o que acontecia, de verdade naquela época era que eu morria de vontade de acabar logo o colegial e partir para a faculdade e para o mercado de trabalho, para ganhar o meu dinheiro e fazer tudo o que eu quisesse!

Pois é, hoje eu olho pra trás e vejo como eu fui feliz naquela época, conheci minhas amigas, que hoje são colegas de profissão, aprendi, viajei sozinho, meu trabalho requeria muito pouca responsabilidade nos primeiros anos da faculdade, minha maior preocupação era pagar a faculdade e guardar um dinheiro para ir até Ubatuba com a namorada, depois com outra, depois com outra... Falta de ir trabalhar ouvindo meu "walk-man" amarelão, preocupado com o TCC e arrependido, mas feliz, por passar noites acordado no Olympia, assistindo toda quarta-feira o Axé band, e no dia seguinte ir trabalhar, cheio de alegria e energia. Ah, a juventude! Os 22 aos 25 anos, cheio de energia, como eu queria de volta!

Mas eu não me esqueço de jeito nenhum de como eu reclamava do cansaço, de sair de casa às 06:00 da manhã e chegar só perto de meia-noite, de pegar o metrô lotado, esperar o ônibus de noite para voltar pra casa. De ter milhões de trabalhos e livros para ler, resumir, pacientes para entender, TCC para fazer. O trabalho cansativo, que nesse período foi mudando e evoluindo, chegando no nível de gerência, época na qual além de chegar da faculdade tarde, ainda por vezes tinha que sair correndo de madrugada para resolver problemas antes de abrir a loja... Ah, como eu queria que a faculdade acabasse logo, que eu pudesse trocar logo de emprego, ter algo melhor na vida, quem sabe até casar! Afinal já estava namorando e o fim da faculdade poderia me proporcionar isso.

É, bons tempos aqueles, de recém-formado, com emprego novo, pessoas novas, novos desafios, 400 pessoas para coordenar, dirigir, prazos, casamento, separação, morar sozinho...Quanta novidade! As vezes me pego pensando como aquele tempo foi bom, poder chegar em casa, ter a janta pronta, ou fazer a própria janta, morar petinho do trabalho, menos de 5 minutinhos a pé, adquirir conhecimentos diferentes, conquistar o carinho e admiração de muitas pessoas, e fundamentalmente o respeito, a experiência de abrir a própria empresa, nossa quanta coisa boa aconteceu naquele tempo, que nem é tão distante assim...

Mas é só fechar os olhos e me transportar de verdade para aqueles dias, que a sensação de desespero volta. Nossa, pagar aluguel, condomínio, as compras, o projeto gigante no trabalho, com dias de até 54 horas, onde o único tempo para fechar os olhos era no chuveiro, as brigas, a separação, lavar a própria roupa, os momentos de solidão, o peso todo que eu ganhei nesse período.Caramba, como eu queria que tudo aquilo acabasse logo, que eu pudesse me dedicar a atender, a tocar a minha empresa, ter liberdade, viajar, conhecer novas pessoas, novos lugares, voltar a velha forma, enfim, evoluir.

Acabando de escrever as linhas acima, me lembro com uma enorme vontade de criar uma máquina do tempo e voltar alguns anos atrás, quando todo mês eu ia para um lugar do Brasil atrás do Trio. Os hotéis, piscinas tantas pessoas que entraram na minha vida, amizades reativadas, muitos shows, muitas festas, trabalhando bem menos, é, aquilo foi vida.

E eu me lembro bem que me preocupava dia e noite com o pouco dinheiro que entrava e o muito que saia, com o trabalho escasso, com os problemas da filial que abri da empresa, com o vazio que eu sentia toda vez que voltava daquelas viagens tão legais e na falta do sentido que elas tinham. Em como as pessoas que apareciam, desapareciam tão depressa, ou até mesmo de como a minha memória parecia desfocada, quando eu acordava nos hotéis bacanas, depois de voltar do trio.

É, eu decidi que precisava trabalhar mais, ganhar mais, ter um novo relacionamento, quietar, economizar, fazer as viagens que eu planejava anteriormente, comprar meu apartamento, planejar a vida com mais cuidado, sim, eu queria tudo aquilo.E é exatamente essa fase a última, antes da atual da minha vida. e não é que eu sinto falta, do namoro, das viagens a passeio, dos lugares que conheci, da  retomada do trabalho, da conquista do "meu cantinho", da nova forma de me divertir, das novas amizades, de rever as velhas amizades, a época do Facebook, das decisões, da responsabilidade de cuidar de novo de muitas pessoas, do apego com todas. Mas como tudo está bem fresco na minha memória, lembro das discussões, das desconfianças, da falta das viagens sozinho, das demissões que tive que fazer, da raiva que eu passava, dos remédios que tive que começar a tomar, pois é, foi complicado e eu queria mesmo era voltar para  a liberdade, montar o meu apartamento do jeito que eu sempre quis, ter minha mãe mais perto de mim, a única coisa que eu não queria mudar, era o trabalho.


E aqui cheguei, cansado, com vontade de viajar mais, me divertir mais, ter mais tempo, pois sinto que o tempo está passando. Hoje, minha maior certeza é que não vejo a hora de me aposentar, para curtir melhor o resto da vida, descansar, acordar tarde...


A única certeza maior do que essa, é que quando estiver aposentado, vou querer voltar no tempo, voltar para hoje, por lembrar como foi bom o tempo que eu vivi, enquanto estava escrevendo este texto....

domingo, 2 de novembro de 2014

Coragem Para Mudar




Zona de Conforto, essa expressão tem sido usada demais nos últimos anos.

E o que é a Zona de Conforto? 

Aquele lugar em que você se encontra quando acha que tudo está bom daquela maneira, a situação em que você perde a ambição e se acomoda. Não pensa mais em evoluir, em conhecer outras coisas, aceitar novos desafios, enfim, é a aceitação da vida, ou de uma área da vida, como definitiva.

Quando uma pessoa entra na zona de conforto no trabalho, deixa aquela garra para ganhar mais, ser promovido, ou expandir a empresa e acaba deixando de lado a preocupação com os resultados, ou individuais, ou coletivos, acreditando que o patamar atual será mantido sempre, e que este patamar é bom o suficiente para a vida atual que ela leva.

O problema é que a vida corporativa é dinâmica e o que hoje está indo "de vento em popa", amanhã pode pegar uma tempestade e com aquela morosidade e tranquilidade, a tempestade vai virar o barco.

Já enquanto uma pessoa que sempre busca mais, uma empresa que sempre quer mais, certamente estarão alertas para as eventualidades que possam acontecer e o barco pode balançar, mas com a disposição e com a coragem ele vai voltar a flutuar em alto mar.

Na vida pessoal é a mesma coisa. Por vezes mantem-se um relacionamento por comodidade, por "preguiça" de buscar mais felicidade, ou um sentimento diferente. Quando a zona de conforto se instala dos dois lados, a tendência é a monotonia eterna, a rotina desgastante. 

Porém, quando ela estaciona em um dos dois lados apenas, em algum momento virá o rompimento e ele tende a ser dramático, porque o confortável será pego de surpresa, pois em sua mente parada, tudo aquilo estava bom e tranquilo, e não iria mudar. E quando os olhos se abrirem, para entender que a vida precisava de um toque a mais, um restaurante diferente, um passeio diferente, uma noite diferente, já não fará mais diferença.

Para evitar surpresas, é necessário sempre ter coragem para mudar. Ter coragem até para correr o risco de perder, mas sabendo que com esforço, ou com uma surpresa diferente, um gesto inesperado, pode ganhar cada vez mais, seja profissionalmente, seja afetivamente.

Mesmo que você ache que está tudo bem, precisa evitar a rotina e a monotonia. As vezes apenas para manter as coisas boas, do jeito que estão, é preciso evoluir. É preciso ter coragem de mexer naquilo que aparentemente está certo, que está funcionando, porque só podemos saber se alguma coisa vai melhorar se tivermos coragem para mudar.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...