Eu mesmo perdi as contas, aliás, há muito tempo. Provavelmente desde que passei do Jardim de Infância para a Primeira Série, e apareceram no meu cotidiano as "provas" no colégio e o que era ir para escola só para brincar, virou a primeira responsabilidade estudantil. Aprender.
O que eu não me lembro, mas certamente falava, ou ao menos pensava quando estava no Jardim, era "Queria crescer para poder ler e escrever" e provavelmente fazia bico.
O que eu não me lembro, mas certamente falava, ou ao menos pensava quando estava no Jardim, era "Queria crescer para poder ler e escrever" e provavelmente fazia bico.
Nossa, naquele período a maior preocupação era entender as miseráveis equações. Para que ter um X no meio dos número e o que me interessa que número vai substituir o X!?
Enfim, mas era muito melhor do que pensar no X que será o valor do Cartão de crédito a pagar no mês que vem, não era? Mas eu me lembro como odiava tudo aquilo, e pensava " Nossa, como eu era feliz na 2ª, 3ª série, porque eu tive que crescer?"
Só que no "recreio", eu ficava assistindo os meninos do Colegial jogarem bola, achava as meninas "grandes" e mais bonitas do que as "crianças" da sala e pensava: "Nossa, será que vai demorar muito para eu chegar no colegial?". Pois é, demorou, de tanto pensar em outras coisas, na 7ª série consegui a proeza de ser reprovado e adiei por mais um ano o meu sonho e amaldiçoei, também por um ano a mais, o fato de ter crescido.
Só que no "recreio", eu ficava assistindo os meninos do Colegial jogarem bola, achava as meninas "grandes" e mais bonitas do que as "crianças" da sala e pensava: "Nossa, será que vai demorar muito para eu chegar no colegial?". Pois é, demorou, de tanto pensar em outras coisas, na 7ª série consegui a proeza de ser reprovado e adiei por mais um ano o meu sonho e amaldiçoei, também por um ano a mais, o fato de ter crescido.
Mas como eu detestava aqueles dias de química, física, biologia, matemática então, com mais Xs e Ys do que qualquer coisa no mundo! Como era complicada a relação familiar, porque a adolescência é assim. Eu quero, meus pais não querem, a rebeldia, a falta de grana...Naquela época, eu já achava que a vida com um X só era melhor, mais fácil, menos complicada, eu podia pedir mais coisas, podia dormir de tarde, não tinha aquelas aulas esdruxulas depois do almoço, das quais eu lembro com saudade. Mas o que acontecia, de verdade naquela época era que eu morria de vontade de acabar logo o colegial e partir para a faculdade e para o mercado de trabalho, para ganhar o meu dinheiro e fazer tudo o que eu quisesse!
Pois é, hoje eu olho pra trás e vejo como eu fui feliz naquela época, conheci minhas amigas, que hoje são colegas de profissão, aprendi, viajei sozinho, meu trabalho requeria muito pouca responsabilidade nos primeiros anos da faculdade, minha maior preocupação era pagar a faculdade e guardar um dinheiro para ir até Ubatuba com a namorada, depois com outra, depois com outra... Falta de ir trabalhar ouvindo meu "walk-man" amarelão, preocupado com o TCC e arrependido, mas feliz, por passar noites acordado no Olympia, assistindo toda quarta-feira o Axé band, e no dia seguinte ir trabalhar, cheio de alegria e energia. Ah, a juventude! Os 22 aos 25 anos, cheio de energia, como eu queria de volta!
Pois é, hoje eu olho pra trás e vejo como eu fui feliz naquela época, conheci minhas amigas, que hoje são colegas de profissão, aprendi, viajei sozinho, meu trabalho requeria muito pouca responsabilidade nos primeiros anos da faculdade, minha maior preocupação era pagar a faculdade e guardar um dinheiro para ir até Ubatuba com a namorada, depois com outra, depois com outra... Falta de ir trabalhar ouvindo meu "walk-man" amarelão, preocupado com o TCC e arrependido, mas feliz, por passar noites acordado no Olympia, assistindo toda quarta-feira o Axé band, e no dia seguinte ir trabalhar, cheio de alegria e energia. Ah, a juventude! Os 22 aos 25 anos, cheio de energia, como eu queria de volta!
É, bons tempos aqueles, de recém-formado, com emprego novo, pessoas novas, novos desafios, 400 pessoas para coordenar, dirigir, prazos, casamento, separação, morar sozinho...Quanta novidade! As vezes me pego pensando como aquele tempo foi bom, poder chegar em casa, ter a janta pronta, ou fazer a própria janta, morar petinho do trabalho, menos de 5 minutinhos a pé, adquirir conhecimentos diferentes, conquistar o carinho e admiração de muitas pessoas, e fundamentalmente o respeito, a experiência de abrir a própria empresa, nossa quanta coisa boa aconteceu naquele tempo, que nem é tão distante assim...
Mas é só fechar os olhos e me transportar de verdade para aqueles dias, que a sensação de desespero volta. Nossa, pagar aluguel, condomínio, as compras, o projeto gigante no trabalho, com dias de até 54 horas, onde o único tempo para fechar os olhos era no chuveiro, as brigas, a separação, lavar a própria roupa, os momentos de solidão, o peso todo que eu ganhei nesse período.Caramba, como eu queria que tudo aquilo acabasse logo, que eu pudesse me dedicar a atender, a tocar a minha empresa, ter liberdade, viajar, conhecer novas pessoas, novos lugares, voltar a velha forma, enfim, evoluir.
Acabando de escrever as linhas acima, me lembro com uma enorme vontade de criar uma máquina do tempo e voltar alguns anos atrás, quando todo mês eu ia para um lugar do Brasil atrás do Trio. Os hotéis, piscinas tantas pessoas que entraram na minha vida, amizades reativadas, muitos shows, muitas festas, trabalhando bem menos, é, aquilo foi vida.
E eu me lembro bem que me preocupava dia e noite com o pouco dinheiro que entrava e o muito que saia, com o trabalho escasso, com os problemas da filial que abri da empresa, com o vazio que eu sentia toda vez que voltava daquelas viagens tão legais e na falta do sentido que elas tinham. Em como as pessoas que apareciam, desapareciam tão depressa, ou até mesmo de como a minha memória parecia desfocada, quando eu acordava nos hotéis bacanas, depois de voltar do trio.
É, eu decidi que precisava trabalhar mais, ganhar mais, ter um novo relacionamento, quietar, economizar, fazer as viagens que eu planejava anteriormente, comprar meu apartamento, planejar a vida com mais cuidado, sim, eu queria tudo aquilo.E é exatamente essa fase a última, antes da atual da minha vida. e não é que eu sinto falta, do namoro, das viagens a passeio, dos lugares que conheci, da retomada do trabalho, da conquista do "meu cantinho", da nova forma de me divertir, das novas amizades, de rever as velhas amizades, a época do Facebook, das decisões, da responsabilidade de cuidar de novo de muitas pessoas, do apego com todas. Mas como tudo está bem fresco na minha memória, lembro das discussões, das desconfianças, da falta das viagens sozinho, das demissões que tive que fazer, da raiva que eu passava, dos remédios que tive que começar a tomar, pois é, foi complicado e eu queria mesmo era voltar para a liberdade, montar o meu apartamento do jeito que eu sempre quis, ter minha mãe mais perto de mim, a única coisa que eu não queria mudar, era o trabalho.
E aqui cheguei, cansado, com vontade de viajar mais, me divertir mais, ter mais tempo, pois sinto que o tempo está passando. Hoje, minha maior certeza é que não vejo a hora de me aposentar, para curtir melhor o resto da vida, descansar, acordar tarde...
A única certeza maior do que essa, é que quando estiver aposentado, vou querer voltar no tempo, voltar para hoje, por lembrar como foi bom o tempo que eu vivi, enquanto estava escrevendo este texto....
Photo by Chris Lawton on Unsplash

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