Durante nossa vida, principalmente quando mais jovens, conhecemos muitas pessoas, formamos grupos, mas invariavelmente a maioria dessas pessoas, por diversas e distintas razões, acabam saindo da nossa vida.
Usando a minha própria situação como exemplo, posso facilmente me lembrar de alguns grupos dos quais fiz parte e que a maioria dos participantes hoje faz parte apenas das boas recordações que ficam firmes na nossa memória.
Os primeiros grupos foram no colégio. Pessoas que via todos os dias da semana, e às vezes fins de semana, por mais de 10 anos e que foram se perdendo com o passar do tempo, depois da formatura.
Depois veio a faculdade, 6 anos convivendo com duas turmas que também faziam parte
do cotidiano noturno e por inúmeras vezes aos sábados e domingos para os
trabalhos intermináveis, os quais, em virtude do serviço, não podiam ser
feitos durante a semana.
As pessoas também foram aos poucos se esvaindo e ficando guardadas em algum
lugar do passado.
Em seguida veio o desligamento do primeiro trabalho. Foram 7 anos convivendo
com um número grande de pessoas que fizeram parte das manhãs, tarde, fins de
semana e feriados e que também aos poucos desapareceram na neblina do futuro.
Claro, que o maior “culpado” pelo fim das relações e
continuidade dos contatos, sou eu mesmo. As transformações na rotina, o
cotidiano diferente e as novas pessoas que vão surgindo dia-a-dia, somadas à minha personalidade, acabam
por ocupar um pouco do espaço que outrora estava preenchido pelos outros.
Posso dizer que contato real, tenho com poucos amigos de
épocas distantes, que são amizades de mais de 30 anos e jamais vão acabar e com outros tenho a
oportunidade de me encontrar a cada um ou dois anos para bater um papo e tomar uma
cerveja.
Mas a grande maioria está em um mundo paralelo, e provavelmente eu nem
mais teria notícias ou conhecimento sobre alguns fatos, se não fossem as redes
sociais.
Há mais de 15 anos, surgia o Orkut em nossas vidas e com ele
voltaram muitas lembranças, pois a cada foto associada a um nome, a memória
trazia à tona os momentos vividos no colégio, na faculdade, no trabalho.
Através dele pude reatar algumas amizades que hoje continuam muito presentes, mas, principalmente, manter um simples contato com aqueles que estavam escondidos em um arquivo na minha memória.
Contudo, depois de um certo tempo, toda a novidade entrou para a rotina e o Orkut ficou obsoleto, sem graça, sem vida e foi aí que ganhou força o Facebook.
A ideia é quase a mesma, e a princípio houve um transporte dos “amigos” de um
lado para o outro.
Só que o que era para ser algo legal, por vezes acaba se
tornando o oposto. Hoje a rede social é mais importante do que o contato
físico.
Temos conversas enormes em nossos “whatsapp”, pelo Facebook, ou até
mesmo SMS, mas quantas vezes, durante o ano, encontramos de verdade aqueles
amigos distantes que ficaram no passado?
E além disso, as pessoas que habitam o nosso próprio presente acabam fazendo parte
mais da nossa vida virtual, do que da vida real.
Eu mesmo, agora até com meus familiares, converso por
mensagens e tirando as pessoas mais frequentes do dia-a-dia, não tenho
conseguido muito espaço para reencontros e encontros.
Hoje é quase impensável viver em um mundo sem telefone celular, computador e
internet, mas será que essa tecnologia tem o tamanho merecido em nossas vidas?
Será que ao invés de escrever esse texto e publicar no blog e no facebook foi melhor do que seria essa conversa em uma mesa de um pub com um copo de cerveja ?
Será que ao invés de escrever esse texto e publicar no blog e no facebook foi melhor do que seria essa conversa em uma mesa de um pub com um copo de cerveja ?
Acho que não...
Photo by Austin Distel on Unsplash

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