terça-feira, 31 de março de 2015

Ego, Egoísmo ou Altruísmo



"Isso vai fazer muito bem para o seu ego". Quantas vezes ouvimos e falamos essa frase, não é mesmo?

Ela significa que alguma coisa, ou atitude vai nos fazer bem, ou bem para quem nos expressamos.

Mas o que é o ego ?

Na psicologia, o ego é uma das três partes da psique é aquele que controla a realidade, tentando controlar os impulsos do Id, o inconsciente.

Existe, também, o superego, que é o limitador do ego, a razão, a moral, que tenta impedir o ego de se manifestar de forma aguda demais, o que chamamos de ego inflado.

Quando uma pessoa quer chamar muito a atenção, quer aparecer, ser o centro das atenções, significa que ela tem um descontrole no superego, que não consegue limitar as atitudes, trazer à tona a razão no individuo.

Em alguns desses casos, a forma de tentar ser o centro das atenções, é demonstrando publicamente seu "excesso" de caridade, bondade, preocupação.

Eu, honestamente, me preocupo um pouco quando vejo pessoas falando sobre o bem que fizeram, a ajuda que deram, e coisas deste tipo.

Em muitos desses casos, a ajuda não passa de propaganda, de uma forma de conseguir chamar para si os holofotes, de parecer bonzinho ou politicamente correto. As doações e ajuda, passam a ser para si mesmo, ou seja, egoísmo, utilizando um receptor para atingir metas pessoais.

Claro que existem exceções, como os arrecadadores que mostram aos que doam anonimamente o destino de suas boas ações, em que mãos vão parar. Esses não fazem propaganda de si mesmos, até porque eles são apenas mensageiros daqueles que se escondem atrás da verdadeira bondade e essa demonstração pode até fazer com que mais pessoas resolvam fazer o bem.

Quem quer fazer o bem de verdade, por amor ao próximo, por vontade pura e simples de ajudar, de tentar fazer a sua parte, não sai por aí aos brados avisando, o faz em silêncio, sozinho ou dentro de um grupo criado para isso mesmo. Isso é altruísmo, isso é fazer o bem para quem precisa e não para promoção do seu próprio ego.

Fazer o bem, sem precisar dizer a quem, também faz bem para o seu ego e para o superego e para todo mundo. 

O Universo é grande de mais para que alguém acredite que possa ser o centro dele.

terça-feira, 24 de março de 2015

TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo



TOC, ou transtorno obsessivo-compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade cuja principal característica é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.
Por sua vez a obsessão é um conjunto de pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela possa controlar. Esses pensamentos se repetem de forma descontrolada, causando atitudes repetidas, as quais o sujeito não consegue parar de fazer, por mais que consiga entender que não são necessárias e que até podem ser prejudiciais. Mas a única maneira de se livrar da ansiedade é realizar o ritual criado pela mente, seguindo todas as suas regras e ordens específicas.
O TOC se manifesta com intensidade diferente de pessoa para pessoa e várias formas de manifestação. Aquela pessoa que para dormir precisa verificar todas as portas e janelas e seguir um ritual de verificação ordenado, mexendo na maçaneta, girando a chave, passando a mão pelas bordas e etc... Pode ser através da limpeza, lavando as mãos o tempo todo, como pode ser alguma coisa completamente distinta e diferente, como não conseguir dormir enquanto não ver um carro laranja passando na rua da casa.
Alguns portadores do TOC imaginam que, se não agirem exatamente dessa forma, algo terrível pode acontecer, como a casa ser roubada, pegar uma doença incurável, ou não conseguir dormir.
O grande problema é que, sem tratamento ou acompanhamentos a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se, as obrigações tendem a aumentar e caso a pessoa viva com outros na mesma casa pode se tornar um grave problema de convivência.
Comumente as obsessões são notadas com excesso de limpeza, conferência, contagem, organização, simetria e etc...
No mundo todo milhões de pessoas são acometidas pelo distúrbio, variando em grau e intensidade.
Ainda hoje é difícil estabelecer as causas do TOC, mas acredita-se que boa parte vem da genética, ou seja, outro membro da família apresenta os mesmos sintomas. O que se sabe é que existe um problema de comunicação entre as áreas do cérebro, ligadas a serotonina.
O tratamento pode ser feito através de medicamentos, ministrados por psiquiatras, que são os mesmos utilizados para o tratamento da depressão, acompanhado de terapia comportamental.
O resultado do tratamento vária de acordo com a intensidade do problema, contudo é sabido que o efeito dos medicamentos é mais lento do que nos casos de depressão e o tempo estimado para a terapia vária de acordo com a intensidade e com o tipo de obsessão, indo de 6 meses até pouco mais de um ano de tratamento.

terça-feira, 17 de março de 2015

Conformados Demais



Faltam duas coisas fundamentais para boa parte dos Brasileiros: Memória e Indignação.

Não sou capaz de dizer qual delas é mais importante, pois a ausência dessas duas características criou uma horda de corruptos que perpetua há décadas no topo do poder político. Filhos, netos e em breve bisnetos daqueles que descobriram na política não só um ganha pão, mas um "ganha mansão", justamente em virtude da falta de memória e da indignação do seu povo.

Sempre achamos que chegamos no fundo do poço, mas descobrimos que o poço não tem fundo e aqueles que achávamos ruins acabam parecendo bons, porque os sucessores são ainda piores.

E vivemos nesse ciclo, de indas e vindas em que as pessoas parecem ficar cegas e sedadas à ponto de defenderem o indefensável, tentar ponderar o imponderável, fechar os olhos para as catástrofes e seguir em frente, como se nada tivesse acontecido e como se realmente estivessem indo para algum lugar.

A pseudo-indignação é sempre seletiva e vira uma briga entre iguais que se digladiam enquanto os ladrões se confraternizam dando risada.

Os corpos se empilham, o emprego some junto com a dignidade e a cegueira faz com que essas pessoas nem percebam que são cúmplices, pois foi o voto que levou ao poder mais um bandido.

O orgulho também aguça a falta de memória e a indignação, pois muitos dos eleitores, ao invés de assumir o arrependimento, insistem em glorificar quem não sabe da sua existência.

Querem acreditar em mentiras estúpidas, por mais que a verdade seja clara, querem negar a ciência em nome de uma vaidade idiota, para proteger quem os quer mortos. Mudam de opinião de acordo com o que recebem de informação e acreditam apenas naquilo que convém. Iludidos por "influenciadores" pagos ou políticos que buscam o poder, acabam perdendo a vida, que nem mesmo tinham.

Precisamos mudar, muito, mas não tenho essa expectativa, pois a maior batalha deles é sempre a mesma: Destruir a educação e criar guerreiros ignorantes, que apenas sigam ordens, sem precisar pensar, que sejam conformados demais para reagir e cujas ações sejam apenas de enfrentamento dos oponentes, mas sem que saibam qual a oposição.

Pobre gerações futuras, que vão herdar de nós esse poço, que ainda estamos cavando...   

terça-feira, 10 de março de 2015

Hipocrisia



Os nomes aqui apresentados, claro, são fictícios, bem como os diálogos, que criei para ilustrar o tema.

No ônibus Ana avista Júlia chorosa sentada sozinha em um banco ao fundo.
Uma semana antes, Júlia contou a Ana, sobre a desconfiança da traição do marido e Ana pode perceber que no dedo da colega não está mais a aliança.
- O que aconteceu Júlia, porque essa cara de tristeza ?
- Sabe as minhas desconfianças sobre o Zé, pois é, eram reais e ele realmente estava saindo com a Margarida.
- Nossa Amiga, que coisa, sinto muito por você. Esses homens não valem nada mesmo, por isso eu não caso.
- É verdade, faz bem, evita esse sofrimento, mas eu sei que a culpa não é só do Zé, a Margarida sabia que ele era casado e mesmo assim ficou com ele.
- Ah Amiga, desculpa pela expressão, mas mulher que sai com homem casado pra mim é uma Vaca, para não dizer coisa pior.
E Júlia, indignada com Margarida, se despede de Ana e vai para casa.
Chegando, vai tirando os sapatos e ao mesmo tempo apertando a discagem rápida no celular, morrendo de vontade de falar com João.
No primeiro toque ele atende, mas não fala nada, ela apenas escuta vozes se afastando. Em seguida ele responde quase sussurrando:
- Alô...
- Oi Meu Amor, não resisti e precisava ouvir a sua voz, estou morrendo de saudades de você e não vejo a hora de nos encontrarmos amanhã na hora do almoço...
- Quantas vezes eu já lhe falei para não me ligar depois das 18:00! Você sabe que eu estou em casa com a minha Mulher e com meus filhos. Desse jeito eu perco a vontade de te encontrar sabia?
- Nossa, fica aí com essa Piranha da sua Mulher... Desculpa, não ligo mais...
Mal ela termina de falar e ele desliga o telefone na cara dela.


Zé e João sentam um em frente ao outro no trabalho. Os dois são assistentes e tem a pretensão de um dia chegarem à gerência. São amigos, até confidentes e estão nesse momento conversando sobre a demissão do gerente deles que aconteceu há pouco mais de uma semana.
Zé, cochichando, fala para João:
- Fiquei sabendo de um boato aí... Parece que o Tião foi mandado embora porque o Almeida foi fofocar para o diretor sobre as "canas" que ele tomava fora do serviço.
- Nossa, diz João, mas que coisa estúpida de se fazer, coisa de gente baixa, fofoqueira, esse Almeida é um pária mesmo. Porque tem que se meter na vida particular dos outros?
- É, lamentável esse comportamento. E agora o Tião fica sem emprego, passando a maior dificuldade. Imagino se acontecesse algo assim comigo, nessa situação que estou, quase me separando, com dívidas e nessa crise que o País está, como conseguir outro emprego?
- Pois é, se eu fosse o diretor eu mandava embora era o fofoqueiro do Almeida, coitado do Tião... – Diz o indignado João com o comportamento do Almeida.
Nessa hora, o telefone do João toca e o diretor o chama para conversar na sala dele.
Ele vai, entra e se senta.
O diretor diz:
- João, você sabe que tive que dispensar o Tião, pois acredito que o comportamento dele fora da empresa estava prejudicando os resultados e que eu vou colocar ou você ou o Zé para gerenciar a equipe. Porque eu deveria escolher você 
- A chefe, o Zé está traindo a esposa e bebendo demais e jogando a dinheiro ainda por cima. Eu tenho ficado sobrecarregado, porque ele apesar de chegar no horário está lento para pensar e realizar as coisas e fica o tempo todo conversando para falar das mazelas da vida dele...
- Ah.. Bom saber, de longe eu nem tinha percebido a diferença.
Então o diretor agradece, liga para o RH, pede para preparar outra carta de demissão e liga para a mesa do Zé...

Ana e Júlia conversam durante o almoço sobre a reportagem que passou na TV no dia anterior, sobre o preconceito que ainda existe no Mundo todo.
- Você viu, Ana, aqueles Espanhóis irracionais que jogaram uma banana naquele jogador de futebol e ficaram cantando músicas racistas para ele o tempo todo?
- Vi Júlia, que coisa ridícula não, em pleno século XXI ainda existe gente que se comporta dessa maneira.
- Verdade, afinal somos todos iguais, todos irmãos. Uma coisa deplorável. Completa Júlia se levantando.
Elas saem do restaurante, atravessam a rua e entram no prédio em que trabalham, precisam subir até o 10º andar. Quando chegam ao elevador, um provável office-boy, negro, está tranquilamente sozinho aguardando o elevador chegar, o que acontece em seguida.
Ele entra e Ana começa a correr para poder aproveitar e não perder tempo, mas Júlia, olhando fixamente para o rapaz, segura o braço de Ana e diz:
- Melhor esperarmos o elevador voltar...

Entedeu?

quarta-feira, 4 de março de 2015

Preconceito



Tudo aquilo que é julgado, imaginado, conceituado, presumido, antes de ser provado forma os pré-conceitos, que deu origem a triste palavra preconceito.

O Preconceito ainda é uma praga no mundo inteiro e aparece principalmente na forma de racismo, homofobia, xenofobia, intolerância religiosa e tantos outros.
 
O sujeito preconceituoso se julga superior aos outros, melhor, mais confiável, enfim, se põe acima daqueles que despreza ou desconsidera, incita a violência como forma de repúdio e quando lidera grupos ou nações, coloca em risco a paz e convivência.

Ele iguala todas as outras pessoas em um patamar inferior, como se todas fossem iguais.
Tacha de bandidos, infiéis, difamadores da família e da ordem, mas esquece de olhar os seus próprios defeitos.

Pobres tolos, que se deixam enganar pelas aparências, pelas palavras ou pela maioria.

Esquecem de escutar, limitam o aprendizado e se perdem em um mundo de ilusão.

Quantos assaltos são cometidos por brancos engravatados que nos levam milhões, enquanto negros honestos e esforçados trabalharam duro para sustentar a família.

Quantos acidentes fatais tem jovens rapazes ao volante, enquanto mulheres dirigem com muito mais atenção, cuidado e qualidade.

Quantos casais heterossexuais brigam e se separam diariamente, expõe suas crianças de forma constrangedora, enquanto casais de mesmo sexo não conseguem o direito de dar uma boa educação para crianças, coisa hoje tão difícil neste país.

Quantos assassinatos são cometidos diariamente em nome de Deus, por julgar a sua religião a correta e não aceitam a existência, ou ausência de outras.

Quanta ignorância é escrita e publicada pelos “ricos” que mal sabem a língua portuguesa, enquanto as sabias palavras de um “pobre” sequer são notadas, em virtude da sua classe social.

Apenas para terminar, lembro também a insuportável Xenofobia, na qual os habitantes locais desprezam e humilham os estrangeiros, que por muitas vezes ajudam e muito a economia dos países.

Enquanto não conseguirmos enxergar que somos todos iguais, simplesmente humanos, e continuarmos julgando, desprezando, ofendendo ou insultando pessoas diferentes de nós, não seremos dignos de viver em paz, em sociedade.

Aceitar e respeitar, esses são os princípios básicos para viver em harmonia. Uma pena que o primeiro passo para que isso aconteça é a melhora da educação, da qual, infelizmente, estamos nos afastando mais e mais a cada dia.

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...