Não sou capaz de dizer qual delas é mais importante, pois a ausência dessas duas características criou uma horda de corruptos que perpetua há décadas no topo do poder político. Filhos, netos e em breve bisnetos daqueles que descobriram na política não só um ganha pão, mas um "ganha mansão", justamente em virtude da falta de memória e da indignação do seu povo.
Sempre achamos que chegamos no fundo do poço, mas descobrimos que o poço não tem fundo e aqueles que achávamos ruins acabam parecendo bons, porque os sucessores são ainda piores.
E vivemos nesse ciclo, de indas e vindas em que as pessoas parecem ficar cegas e sedadas à ponto de defenderem o indefensável, tentar ponderar o imponderável, fechar os olhos para as catástrofes e seguir em frente, como se nada tivesse acontecido e como se realmente estivessem indo para algum lugar.
A pseudo-indignação é sempre seletiva e vira uma briga entre iguais que se digladiam enquanto os ladrões se confraternizam dando risada.
Os corpos se empilham, o emprego some junto com a dignidade e a cegueira faz com que essas pessoas nem percebam que são cúmplices, pois foi o voto que levou ao poder mais um bandido.
O orgulho também aguça a falta de memória e a indignação, pois muitos dos eleitores, ao invés de assumir o arrependimento, insistem em glorificar quem não sabe da sua existência.
Querem acreditar em mentiras estúpidas, por mais que a verdade seja clara, querem negar a ciência em nome de uma vaidade idiota, para proteger quem os quer mortos. Mudam de opinião de acordo com o que recebem de informação e acreditam apenas naquilo que convém. Iludidos por "influenciadores" pagos ou políticos que buscam o poder, acabam perdendo a vida, que nem mesmo tinham.
Precisamos mudar, muito, mas não tenho essa expectativa, pois a maior batalha deles é sempre a mesma: Destruir a educação e criar guerreiros ignorantes, que apenas sigam ordens, sem precisar pensar, que sejam conformados demais para reagir e cujas ações sejam apenas de enfrentamento dos oponentes, mas sem que saibam qual a oposição.
Pobre gerações futuras, que vão herdar de nós esse poço, que ainda estamos cavando...

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