terça-feira, 10 de novembro de 2015

Legião Urbana


Essa semana resolvi que a partir do ano que vem, vou publicar na minha página profissional do facebook algumas frases de músicas que eu acho inteligentes e que podem levar as pessoas à reflexão. E foi imediata a minha lembrança do show do  Legião Urbana, em comemoração aos 30 anos da banda, que ocorreu  em São Paulo no ano de 2015.

Não foi, nem de longe, o melhor show que assisti entre as dezenas, ou quem sabe mais de uma centena que já fui e nem tampouco o pior. Mas foi certamente o que mais mexeu comigo, de um jeito estranho, diferente, praticamente inexplicável.

Primeiro porque não havia expectativa nenhuma sobre o show. Alguns dias antes eu tinha assistido no multishow um pedacinho do show com o Wagner Moura cantando, ms ele canta muito mal e por isso eu estava achando que o show dos 30 anos seria outro cover do Legião com o Dado e o Bonfá. 

A minha irritação já era grande quando após 45 minutos de atraso o show começou.
A primeira música, do primeiro disco, “Será”, com o André Frateschi nos vocais. Bem, uma coisa já estava bem clara ali, ele é muito melhor do que o Wagner Moura, apesar dos gritos.

O Primeiro disco foi todo reproduzido, até chegar em “Por Enquanto” e nessa hora já percebi que eu estava começando a me sentir estranho. Então o Dado disse que iríamos escutar algumas palavras do Renato. Quando retornaram e começaram com os acordes de “Tempo Perdido”, senti que lágrimas queriam saltar dos meus olhos. Algo inexplicável. Não era o Renato, não sei se foi o fato do Dado e do Bonfá estarem lá, não sei de nada. Só sei que comecei a experimentar uma confusão de sentimentos e dúvidas misturadas, enquanto eu cantava e sabia que meus olhos brilhavam.

Pensei no arrependimento por não ter ido ao show no Ibirapuera em 1994 e por isso nunca ter ido a nenhum show deles com o Renato. Pensei na tristeza ainda mais realçada por ele ter morrido bem no dia do meu aniversário. Mas o que mais mexeu comigo foi a certeza do quanto perdemos por ele ter ido embora tão cedo. Ouvindo em seguida “Daniel na Cova dos Leões” fiquei me questionado como seria se fosse o Renato lá em cima do palcocom os outros dois, quantas outras letras maravilhosas teríamos para cantar, quanto de nossas vidas, sem querer ele iria narrar.

Comecei a viajar no tempo paralelamente, foi muito estranho. Estava lá, cantando, mas ao mesmo tempo não estava, pois flutuava de volta aos tempos de colégio, a adolescência e como cada música daquelas representava muito na minha vida. Tempo Perdido foi a música da nossa formatura de 3º Colegial, do tempo dos cabelos compridos... Daniel na cova dos leõs é arrepiante “Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos, é o mal que a água faz quando se afoga e o salva-vidas não está lá porque não vemos”, como não lembrar disso... E depois ainda teve “Dezesseis”, do João Roberto, que era o adolescente apaixonado que se matou por causa de um coração partido e tudo foi fluindo, o presente e o passado, ao mesmo tempo, na mesma mente, fazendo com que tudo fizesse muito sentido, mas sem sentido algum.

Quando finalmente eles acabaram, com “Que País é Esse?”, fiz questão de sair e olhar para o maior número possível de pessoas. E me aliviei, pois eu vi um mar de olhos marejados e percebi que talvez eu não tenha sido o único que experimentou a sensação de perda misturada com a sensação de alívio. E talvez eu tenha saído de lá entendendo ainda mais uma das frases do Renato que eu mais gosto “ E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi”.

2 comentários:

  1. Querido amigo palmeirense! Eu fui no show no Parque Antártica... e foi fodástico! Apesar do local.... rs

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    1. Pois é... Eu me lembro...rs
      Ainda lá... Deve ter sido muito bom heim....
      Abraço!

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