Essa semana resolvi que a partir do ano que vem, vou publicar na minha página profissional do facebook algumas frases de músicas que eu acho inteligentes e que podem levar as pessoas à reflexão. E foi imediata a minha lembrança do show do Legião Urbana, em comemoração aos 30 anos da banda, que ocorreu em São Paulo no ano de 2015.
Não foi, nem de longe, o melhor show que assisti entre as
dezenas, ou quem sabe mais de uma centena que já fui e nem tampouco o pior. Mas
foi certamente o que mais mexeu comigo, de um jeito estranho, diferente,
praticamente inexplicável.
Primeiro porque não havia expectativa nenhuma sobre o show.
Alguns dias antes eu tinha assistido no multishow um pedacinho do show com o Wagner Moura cantando, ms ele canta muito mal e por isso eu estava achando que o show dos 30 anos seria outro cover do Legião com o Dado e o Bonfá.
A minha irritação já era grande quando após 45 minutos de
atraso o show começou.
A primeira música, do primeiro disco, “Será”, com o André Frateschi nos vocais.
Bem, uma coisa já estava bem clara ali, ele é muito melhor do que o Wagner
Moura, apesar dos gritos.
O Primeiro disco foi todo reproduzido, até chegar em “Por Enquanto” e nessa
hora já percebi que eu estava começando a me sentir estranho. Então o Dado
disse que iríamos escutar algumas palavras do Renato. Quando retornaram e
começaram com os acordes de “Tempo Perdido”, senti que lágrimas queriam saltar
dos meus olhos. Algo inexplicável. Não era o Renato, não sei se foi o fato do
Dado e do Bonfá estarem lá, não sei de nada. Só sei que comecei a experimentar
uma confusão de sentimentos e dúvidas misturadas, enquanto eu cantava e sabia
que meus olhos brilhavam.
Pensei no arrependimento por não ter ido ao show no
Ibirapuera em 1994 e por isso nunca ter ido a nenhum show deles com o Renato. Pensei na
tristeza ainda mais realçada por ele ter morrido bem no dia do meu aniversário.
Mas o que mais mexeu comigo foi a certeza do quanto perdemos por ele ter ido
embora tão cedo. Ouvindo em seguida “Daniel na Cova dos Leões” fiquei me
questionado como seria se fosse o Renato lá em cima do palcocom os outros dois, quantas
outras letras maravilhosas teríamos para cantar, quanto de nossas vidas, sem
querer ele iria narrar.
Comecei a viajar no tempo paralelamente, foi muito estranho.
Estava lá, cantando, mas ao mesmo tempo não estava, pois flutuava de volta aos
tempos de colégio, a adolescência e como cada música daquelas representava
muito na minha vida. Tempo Perdido foi a música da nossa formatura de 3º Colegial, do tempo dos cabelos compridos... Daniel na cova dos leõs é arrepiante “Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os
remos, é o mal que a água faz quando se afoga e o salva-vidas não está lá
porque não vemos”, como não lembrar disso... E depois ainda teve “Dezesseis”,
do João Roberto, que era o adolescente apaixonado que se matou por causa de um
coração partido e tudo foi fluindo, o presente e o passado, ao mesmo tempo, na
mesma mente, fazendo com que tudo fizesse muito sentido, mas sem sentido algum.
Quando finalmente eles acabaram, com “Que País é Esse?”, fiz questão de sair e olhar para o maior número possível de pessoas. E me aliviei, pois eu vi um mar de olhos marejados e percebi que talvez eu não tenha sido o único que experimentou a sensação de perda misturada com a sensação de alívio. E talvez eu tenha saído de lá entendendo ainda mais uma das frases do Renato que eu mais gosto “ E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi”.

Querido amigo palmeirense! Eu fui no show no Parque Antártica... e foi fodástico! Apesar do local.... rs
ResponderExcluirPois é... Eu me lembro...rs
ExcluirAinda lá... Deve ter sido muito bom heim....
Abraço!