Apesar de hoje em dia eu gostar muito mais de NFL do que do
futebol jogado com os pés, não consigo desvincular meu coração desse time que
já me fez rir, comemorar, pular, chorar, me irritar, ter taquicardia e tudo
mais que se possa imaginar.
Quando jovem, fui daqueles torcedores de estádio. Poucas
coisas eram tão legais quanto ir ao Palestra Itália com os amigos, mesmo que em
boa parte das vezes, o retorno para casa não era tão legal.
Mas por causa do meu time, cometi meu primeiro, e talvez
único, “delito” profissional, pois naquele 12 de junho de 1993, quando eu tinha
apenas pouco mais de 2 meses de trabalho, fui escalado pelo meu gerente para
trabalhar, pois ele tinha marcado uma viagem com a namorada. Eu, que já tinha
os ingressos comprados, avisei que não poderia trabalhar, mas mesmo assim pela
manhã fui abrir a loja e deixei as coisas em ordem, só que fui embora a tempo de
passar os que foram alguns dos melhores momentos da minha via até aquele
momento. Se por acaso eu não tivesse ido, não teria me perdoado. Os 4X0 sobre
nosso maior rival, mesmo quase 25 anos depois ainda são inesquecíveis, toda a
festa na Paulista, a comemoração final na pizzaria perto de casa e a emoção de
pela primeira vez comemorar um título de verdade.
Só que pouco tempo depois, as “Torcidas Organizadas”
começaram a me tirar o prazer de ir ao estádio. Episódios em que eu e meus
amigos quase apanhamos da nossa própria torcida, tendo que fugir e mesmo cenas
de agressões com torcedores de outros times foram me desmotivando. A ponto de
no dia 2 de junho de 1999, mesmo com a final da Libertadores rolando, eu estar
na faculdade, atendendo no meu quinto ano. Cheguei em casa a tempo de ver os pênaltis
e de comemorar, mas sem o mesmo entusiasmo de antes.
Fui em alguns raros jogos nos 16 anos que se seguiram, sempre jogos “pequenos”, sem grandes riscos, mas sempre preocupado.
Até conhecer o Allianz Parque. Depois de 22 anos eu
chorei de novo ao subir as escadas no dia da reinauguração e olhar para aquele
gramado, aquela estrutura, o estádio mais bonito que eu já fui e considerado
por muitos o mais bonito do Brasil e entre os 10 melhores do mundo. Não
importava o time lutando para não cair, a derrota para o Sport, a emoção será
para sempre indescritível.
A última vez que eu fui no estádio, também foi um dia de título.
Já faz mais de um ano e foi um dia
feliz, mas que acabou se tornando uma história triste. Estive no Allianz no dia
do último jogo dos meninos da Chapecoense. Sempre que lembro disso me dá uma
sensação estranha, lembrar do Caio Jr à beira do Campo, das brincadeiras com a
Ananias, que foi o jogador que fez o primeiro gol do estádio, enfim.... Aquele
desastre também tirou um pouco do meu prazer de ver futebol, de saber o quanto
são sujos os dirigentes e organizadores que para ganhar dinheiro arriscam
vidas.
Mas o Palmeiras, ah o Palmeiras, é a única coisa que me faz
mudar de canal nos domingos de Setembro à Dezembro... mesmo que seja só para me
deixar nervoso, mesmo que seja para dar uma reclamada e voltar ao futebol
americano. O glorioso Joelmir Beting conseguiu criar uma frase tão
perfeita que não precisa de explicação: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um
palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É
simplesmente impossível!”
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