segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Palmeiras

Apesar de hoje em dia eu gostar muito mais de NFL do que do futebol jogado com os pés, não consigo desvincular meu coração desse time que já me fez rir, comemorar, pular, chorar, me irritar, ter taquicardia e tudo mais que se possa imaginar.

Quando jovem, fui daqueles torcedores de estádio. Poucas coisas eram tão legais quanto ir ao Palestra Itália com os amigos, mesmo que em boa parte das vezes, o retorno para casa não era tão legal.

Mas por causa do meu time, cometi meu primeiro, e talvez único, “delito” profissional, pois naquele 12 de junho de 1993, quando eu tinha apenas pouco mais de 2 meses de trabalho, fui escalado pelo meu gerente para trabalhar, pois ele tinha marcado uma viagem com a namorada. Eu, que já tinha os ingressos comprados, avisei que não poderia trabalhar, mas mesmo assim pela manhã fui abrir a loja e deixei as coisas em ordem, só que fui embora a tempo de passar os que foram alguns dos melhores momentos da minha via até aquele momento. Se por acaso eu não tivesse ido, não teria me perdoado. Os 4X0 sobre nosso maior rival, mesmo quase 25 anos depois ainda são inesquecíveis, toda a festa na Paulista, a comemoração final na pizzaria perto de casa e a emoção de pela primeira vez comemorar um título de verdade.

Só que pouco tempo depois, as “Torcidas Organizadas” começaram a me tirar o prazer de ir ao estádio. Episódios em que eu e meus amigos quase apanhamos da nossa própria torcida, tendo que fugir e mesmo cenas de agressões com torcedores de outros times foram me desmotivando. A ponto de no dia 2 de junho de 1999, mesmo com a final da Libertadores rolando, eu estar na faculdade, atendendo no meu quinto ano. Cheguei em casa a tempo de ver os pênaltis e de comemorar, mas sem o mesmo entusiasmo de antes.

Fui em alguns raros jogos nos 16 anos que se seguiram, sempre jogos “pequenos”, sem grandes riscos, mas sempre preocupado.

Até conhecer o  Allianz Parque. Depois de 22 anos eu chorei de novo ao subir as escadas no dia da reinauguração e olhar para aquele gramado, aquela estrutura, o estádio mais bonito que eu já fui e considerado por muitos o mais bonito do Brasil e entre os 10 melhores do mundo. Não importava o time lutando para não cair, a derrota para o Sport, a emoção será para sempre indescritível.

A última vez que eu fui no estádio, também foi um dia de título.  Já faz mais de um ano e foi um dia feliz, mas que acabou se tornando uma história triste. Estive no Allianz no dia do último jogo dos meninos da Chapecoense. Sempre que lembro disso me dá uma sensação estranha, lembrar do Caio Jr à beira do Campo, das brincadeiras com a Ananias, que foi o jogador que fez o primeiro gol do estádio, enfim.... Aquele desastre também tirou um pouco do meu prazer de ver futebol, de saber o quanto são sujos os dirigentes e organizadores que para ganhar dinheiro arriscam vidas.


Mas o Palmeiras, ah o Palmeiras, é a única coisa que me faz mudar de canal nos domingos de Setembro à Dezembro... mesmo que seja só para me deixar nervoso, mesmo que seja para dar uma reclamada e voltar ao futebol americano. O glorioso Joelmir Beting conseguiu criar uma frase tão perfeita que não precisa de explicação: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É simplesmente impossível!

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