Sim, eu gosto do meu país. Gosto das praias do Nordeste, do clima tropical, me emociono com o hino nacional. Mas, infelizmente, hoje temos muito mais críticas do que elogios a fazer sobre a nossa pátria-mãe.
Sei também que a maldade, a corrupção e a esperteza não são exclusivas dos brasileiros, nem apenas dos chamados países do terceiro mundo. No entanto, por aqui, as coisas são piores.
Enquanto em Londres a população se preocupa com pouco mais de 100 assassinatos por ano, em algumas cidades brasileiras esse número é alcançado diariamente. Nos países europeus, onde mais de 97% da população é alfabetizada, os políticos podem, vez ou outra, tirar vantagem de seus cargos, mas sempre com receio, pois sabem que, se forem pegos, serão presos. Aqui, todo mundo sabe que os políticos são corruptos. Isso é noticiado, publicado, provado — e, mesmo assim, eles continuam sendo eleitos.
Frequentemente, escuto sobre novos golpes e fraudes que acontecem nas ruas. O pior é que conheço pessoas que já foram muito prejudicadas por acreditarem nos bandidos, que não têm dó de ninguém.
Idosos e pessoas com menos acesso à informação são os mais propensos a cair no conto dos malandros. A esposa de um amigo, por exemplo, caiu no golpe do bilhete premiado. Ela sacou todas as economias da poupança e entregou de mão beijada a um bandido, que a convenceu de que possuía um bilhete premiado da Mega-Sena, mas que não tinha conta na Caixa para receber o prêmio. Ele alegava precisar do dinheiro com urgência para cuidar da filha e, por isso, aceitava trocar o bilhete por um valor bem menor. Movida pela intenção de ajudar, mas também pelo desejo de ganhar um dinheiro fácil, ela perdeu tudo o que tinha.
Minha avó foi outra vítima de golpe, um dos mais antigos. Recebeu uma ligação dizendo que sua filha havia sido sequestrada. Ao fundo, ouvia uma menina gritando e chorando pela mãe. Ela imaginou que se tratava de sua neta e, desesperada, seguiu as orientações do criminoso. Sem desligar a ligação, correu até uma casa lotérica para colocar créditos em um celular, conforme foi instruída.
Por isso, hoje em dia, é difícil confiar em desconhecidos. Tememos ajudar pessoas que parecem estar em dificuldades, pois os bandidos pensam em tudo. Motoristas são roubados ao chegar ao destino. Passageiros são vítimas de criminosos que se passam por motoristas. Até com a saúde os meliantes criam fraudes. Nos hospitais, há cartazes alertando para que ninguém faça depósitos para pagamento de exames ou qualquer outra despesa. Os golpistas têm acesso às fichas dos pacientes e ligam dizendo que um depósito urgente é necessário para a realização de um exame fundamental, uma internação ou qualquer outra despesa que eles inventem.
Hoje, enganar os outros se tornou uma forma de ganhar a vida. E isso só é possível porque vivemos em um país onde a educação nunca foi prioridade.
Atenção e cuidado!
Até a próxima semana!

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