Neste 2025, completo 25 anos de formação e acompanhei as mudanças, se não na prática, pelo menos na intenção de transformação das instituições psiquiátricas.
Lembro-me com bastante clareza das visitas aos manicômios aos sábados de 1997, onde vi de perto, com tristeza, a condição das pessoas com doenças e/ou transtornos mentais “acolhidas” pelo Estado.
A chance de um paciente encontrar recuperação e, consequentemente, liberdade e retorno à vida social beirava a nulidade. E, sem dúvida, muito pouca coisa mudou.
O reforço diário da afirmação de que o paciente é doente, aliado ao convívio constante com outras pessoas em situações semelhantes ou até piores, nunca favorecerá a reabilitação. Os manicômios têm o mesmo problema das cadeias: ao conviver exclusivamente com outros indivíduos em sofrimento, a tendência é que o paciente, se sair, carregue ainda mais transtornos ou agravos à sua condição original, tornando a reinserção social ainda mais difícil.
O CFP vem batalhando há alguns anos pela extinção dos manicômios, realizando visitas aos locais e extraindo relatórios que mostram as condições deploráveis em que os pacientes se encontram, sem qualquer perspectiva de recuperação ou de uma vida digna.
“O movimento da luta antimanicomial combate a ideia de que pessoas com sofrimento mental devam ser isoladas em nome de pretensos tratamentos. Lembra que, como todo cidadão, elas têm direitos fundamentais à liberdade, a viver em sociedade e ao cuidado e tratamento, sem que precisem abrir mão da cidadania.” Diz um trecho do manifesto do CFP, que, em 2017, conseguiu, em conjunto com a OAB, impedir o aumento de leitos para doentes psiquiátricos.
Uma pessoa com qualquer tipo de transtorno mental precisa de cuidado, apoio e tratamento adequado – não de reclusão. Privá-la da possibilidade de recuperação ao trancá-la em um hospital sem condições mínimas de tratamento é o equivalente a condená-la, ainda que pareça estar sendo mantida viva.
Sim ao tratamento. Não aos manicômios.
Boa semana!

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