Muito sabemos sobre o nosso presente, passado recente e o que nossa memória nos traz vez ou outra.
E muitas pessoas sabem disso também, porque convivem conosco, fizeram parte do passado recente e vez ou outra ouviram nossas histórias.
Mas, muita coisa existiu antes de aparecermos no mundo e muita gente, e até nós mesmos, acabamos por não conhecer a história que permitiu a criação da nossa história.
E depois que você chega em um momento da vida, depois de muitos anos de batalhas, conquistas e perdas, pode perder um pouco a noção de tudo aquilo que aconteceu para que você pudesse chegar no ponto em que está. E se esse ponto é alto, a tendência da maioria das pessoas é achar que a vida te colocou ali sozinha, que foi fácil, que o passado é feito de histórias tão lindas como um conto de fadas. Mas nem sempre, ou quase nunca, é assim.
Escrevo por mim mesmo, que com 47 certamente já passei dos 50% de vida, consegui muitas coisas, mas ainda tenho muitos sonhos a serem realizados, mas eu quase não cheguei por aqui.
Sou o 4º filho de uma família de 3. Família essa desestruturada pela quase total ausência de um Pai, pois o meu não conseguia ter a capacidade, nem emocional e nem financeira de criar uma família, ainda mais com tantos filhos assim.
Quando minha Mãe engravidou do que seria o terceiro filho, minha avó, que foi uma das minhas mães na vida, que tanto me dispensou amor e que nos deixou com 91 anos, disse a minha mãe que ela deveria abortar a criança, pois afirmou que meus pais não teriam como sustentá-la. Sim, uma católica que publicamente jamais pregaria o aborto sugeriu que minha mãe o fizesse naturalmente. No ano de 1970 a receita era tomar Caracu com Ovo e Melhoral. Mas a receita não deu certo, e minha mãe resolveu assumir o risco e deixar meu quase irmão seguir em frente.
Talvez algumas rezas tenham funcionado e durante o sexto mês da gravidez uma complicação quase levou embora minha mãe, e levou embora o feto.
2 anos depois, nova gravidez e dessa vez minha mãe, talvez pelo medo que passou, nem cogitou interromper a gestação e depois de quase 9 meses, no dia 11 de Outubro, às 11:45 da manhã, eu cheguei nessa Terra, com menos de 3Kg, pequeno e essa mesma avó, que me criou posteriormente e com quem vivi até os 27 anos de idade, disse à minha mãe que eu não ia "vingar".
Ou seja, foram tantas possibilidades de não dar certo, que no fim deu e quem mais não me queria por perto, foi quem acabou ficando comigo por muito tempo.
Nem mesmo meu nome foi planejado. Nos idos dos anos 70, a maioria das mães descobria o sexo dos filhos apenas depois do nascimento e quando minha mãe descobriu que tinha nascido um menino, ela queria que se chamasse Bruno, mas quem me registrou foi o meu pai e me deu de presente o seu nome, com o Junior no Final.
Enfim, aqui estou eu e por isso sou muito grato a vida que tive, pois sei que por muito pouco poderia muito bem não ter pousado por aqui.
Depois escrevo um pouco mais sobre como foi a vida, depois de mim mesmo, mas ainda antes de saber quem eu seria.
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Que história.
ResponderExcluirPois é...
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