segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Homem não Chora?

 Talvez umas das maiores bobagens que, ainda hoje, alguns pais falam para seus filhos.

Homens choram sim, porque pessoas choram e homens não são diferentes, não tem obrigação de aguentar as dores físicas e emocionais que o dia a dia traz para as suas vidas, como traz para mulheres e crianças.

O Homem que cresceu com essa necessidade de sofrer calado e fingir aguentar tudo acaba se tornando com muito mais frequência um agressor, um pai que não consegue ter diálogo com os filhos, que não aceita a diversidade e acredita que a violência é sempre a melhor solução para todas as coisas.

Lembro que racionalidade nada tem a ver com a ausência de emoções e sim com o seu controle, mas com as mesmas sensações das pessoas emocionais e que não conseguem facilmente segurar lágrimas ou outras expressões de sentimento.

Chorar faz parte de reações naturais humanas, aliás, basicamente a primeira comunicação que fazemos em nossa vida é o choro e ele é fundamental para que os recém-nascidos avisem aos pais que estão com fome, sede ou dor, que querem ou precisam de alguma coisa e depois se transforma em arma, em chantagem para conseguir alguma coisa que nem sempre é importante.

Depois as lágrimas começam ser símbolos de dor física e dor emocional, em crianças que por vezes são mais sensíveis e não conseguem lidar muito bem com broncas ou com atitudes grosseiras de colegas ou parentes. E são essas lágrimas que nos ajudam a entender a personalidade de cada um, cada lágrima e cada motivo que causa essa lágrima são um pequeno retrato da imagem que vai chegar à adolescência e chegar na vida adulta.

O Homem que "não chora", apenas tenta esconder esses traços e para defender a sua verdade, ou esconder melhor as suas mentiras, não terá argumentos verbais inteligentes e sempre vai usar uma linguagem depreciativa e em muitos casos violenta e carregada de ódio. Um ódio que , mal sabem eles, é de quem  o impediu de demostrar seus sentimentos e não das pessoas que ele ataca.

Parem com essas bobagens, homem chora, mulher chora, todos choram e não há mal nenhum nisso!

Boa Semana!

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Comer pelas Beiradas

 Este é um famoso dito popular e na maioria das vezes significa que uma pessoa está chegando perto do seu objetivo de forma sorrateira, devagar, quase sem ser percebida.

Por vezes pode até ser uma atitude boa, pois usando outro dito popular, quantos menos se fala sobre seu sucesso, maiores serão suas conquistas.

Mas existe também o lado negativo de quem sempre está "comendo pelas beiradas", aquela pessoa que fica à espreita, aguardando o erro, o descuido de alguém para pode agir e, nesse caso, atacar e transformar a outra pessoa em uma vítima de sua esperteza e quiçá ganância.

Pessoas com más intenções por vezes vão aos poucos conquistando a confiança de pessoas que se mostram ingênuas e aplicam golpes financeiros, mas também golpes afetivos.

Sim, ainda existem pessoas que precisam da conquista para se sentirem vivas, mesmo que seja uma conquista vazia, que vai apenas servir para o ego do conquistador, que nada mais quer além de bradar vitória e depois abandonar mais uma pessoa que vai precisar trabalhar seu lado emocional para curar o ego ferido.

Justamente por existirem pessoas assim que precisamos ter sempre atenção redobrada em quem está ao nosso redor e como essas pessoas se comportam. Nada cai tão fácil do céu e por mais que a esperança seja fundamental, um pouco de cautela nunca faz mal a ninguém.

Mas cuidado, se você gosta demais de "comer pelas beiradas", fique atento ao prato de quem senta à sua frente, pois você certamente não é o único que quer bancar o esperto no mundo e pode encontrar alguém com um prato maior que o seu! 

Boa Semana!

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Ano 9 - 1981

 Continuo com muito poucas memórias e lembranças, muitas coisas se confundem e atrapalham a ordem que eu devo dar a história.

tenho flashs, lembro de histórias e de situações, mas não consigo determinar a sequência e, portanto, os anos em que ocorreram.

Passei meu primeiro ano sem meu avô, mas tirando essa tristeza e o maior "enfurnamento" dentro de casa, brincando com a minha sombra, comigo mesmo e formando essa personalidade que só consegue viver consigo mesma, muito pouca coisa, que fosse marcante, aconteceu.

É possível que tenha sido em 1981 o "dia do incêndio".

Era um dia de semana, comum, na mesa do café da manhã estava eu, meu tio e minha tia e a minha avó na pia lavando a louça e minha irmã dormindo, como de costume. Não sei porque os dois estavam em casa, mas acho que era período de férias na escola.

Meu irmão, a tranquilidade em pessoa, tinha ido ao mercado comprar café, que aliás ele comprou errado. Quando ele abriu a porta da cozinha, veio junto uma fumaça e ele tranquilamente falou: - O Prédio está pegando fogo. Como quem diz que está cansado ou com fome ou que encontrou o vizinho no mercado.

Diz a lenda que eu fui o alarme de incêndio do prédio. Desci os 9 andares de escada com uma velocidade que nem sei descrever e só parei dentro do Eldorado, com a minha mãe. Ou seja, desci a pamplona de pijama e gritando em uma manhã comum.

Quando voltei, com a minha mãe, alguns minutos depois, para o prédio, todos os moradores estavam na rua, olhando para a situação. Minha vó de camisola, com o pano de prato e alguma coisa que ela estava enxugando na hora nas mãos é uma lembrança e depois as histórias.

Meu padrinho, que era o zelador desmaiou no meio da fumaça nas escadas, meu tio teve que praticamente carregar minha irmã que não queria acordar e o prédio ficou internamente cinza, inclusive dentro do apartamento, talvez porque deixamos a porta aberta.

Quem causou o incêndio foi uma criança, cujos pais distraídos deixaram rodar uma válvula que abria o óleo que antes era usado para aquecer a caldeira e causou uma explosão quando se encontrou com o gás, que era a nova forma de aquecimento.

Contudo, no final das contas, ninguém se machucou mais gravemente e o maior dano ficou apenas na garagem.

Pena que eu não segui minha carreira de maratonista, ou ainda bem, visto que pelo jeito só o medo me motivava a correr tanto. 

Lembro pouco da escola, mas sei que era um bom aluno, gostava muito da minha professora, Tia Paula, que era mãe do meu colega Rodrigo Fioratti, e tenho certeza que passei de ano "direto'.

E assim a vida foi indo, ano que acaba, outro que começa...

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Naufrágo

Ah, que sensação maravilhosa, não ter sensação nenhuma.
Não há tristeza, dor ou sofrimento.
Não vejo nada queimar dentro de mim e não há nada por perto.
Vejo apenas ao longe uma pequena multidão querendo chegar ao topo.

Mas alguns homens estão queimando outros.
Em uma guerra que parece sem fim e sem sentido.
Quem se preocupa ou sente pena deles?
Parece que ninguém tem tempo para isso.

Eu sigo contando com a minha morfina e cada vez mais distante.
Mas tenho um chocolate escondido para me dar prazer.
Um substitui o outro e assim sigo, parado, adiante.
E você se pergunta e me pergunta: Como?

- É apenas meu caminho e eu o tracei distante da colina.
Eu vou abaixo, baby, sem me perder da minha vida.
Nem a morfina e nem o chocolate podem substituir o amor.
O melhor é não olhar, fechar os olhos e sentir a maravilha de não sentir nada.


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Vivendo no Limite

- Viva hoje, como se não houvesse amanhã!
Quantas vezes já escutamos, ou até mesmo falamos isso, não é verdade?

Mas por vezes as pessoas exageram e acabam realmente ficando sem o amanhã, ou pelo menos com um amanhã muito mais sombrio do que poderia ser caso não se arriscasse tanto.

Viver no limite é uma escolha, um risco que se assume co planejar ou aceitar alguma atividade ou situação na qual se expõe, e até mesmo acaba expondo outras pessoas, ao risco.

Um racha, por exemplo, é uma atividade além de proibida, arriscada e quantas mortes ou acidentes que deixam sequelas irrecuperáveis no corpo nós vemos? E quantas pessoas, que não tinham absolutamente nada com aquela situação acabam se machucando, morrendo ou perdendo seus bens por que uns jovenzinhos entediados resolveram acelerar os carrinhos que ganharam dos papais ricos.

Todo mundo sabe que usar qualquer tipo de droga faz mal, mas um monte de gente ainda precisa delas para se desvincular da realidade, para tentar flutuar em um mundo que não existe, para fugir dos seus problemas enquanto perde a sobriedade e entra em uma ilusão particular ou individual. E quantos acabam criando um vício tão mortal que não conseguem mais simplesmente viver sem a "ajuda" da droga e quantas vidas se vão e quantas armas aparecem e quantas pessoas são afetadas todos os dias, enquanto quem planta e manda no tráfico, não deixa essas coisas chegarem nem perto do seu próprio organismo.

Claro que todos estamos sujeitos a morrer dormindo, dentro de casa, sem nenhum tipo de aventura, mas é claro também que há infinitos modos de se divertir sem precisar estar sempre no limite, sem precisar se ver sempre em risco e sem colocar pessoas amadas ou desconhecidas rumo a um caminho que elas não tiveram o direito de escolher.

Viver no limite pode dar uma sensação boa, pode ser fantástico, mas por vezes é tão egoísta quanto aqueles que não conseguem dividir um prato de comida.

temos de viver a nossa vida, realizar os nossos sonhos e nossos desejos, mas em cada um de nós existe um limite que não devemos passar e esse limite é onde começa a vida, os desejos e os sonhos de outra pessoa. Se queremos arriscar, que tenhamos cuidado e sabedoria para nunca ultrapassar esse limite, o limite do bom-senso.

Boa semana para todos!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...