segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Ano 9 - 1981

 Continuo com muito poucas memórias e lembranças, muitas coisas se confundem e atrapalham a ordem que eu devo dar a história.

tenho flashs, lembro de histórias e de situações, mas não consigo determinar a sequência e, portanto, os anos em que ocorreram.

Passei meu primeiro ano sem meu avô, mas tirando essa tristeza e o maior "enfurnamento" dentro de casa, brincando com a minha sombra, comigo mesmo e formando essa personalidade que só consegue viver consigo mesma, muito pouca coisa, que fosse marcante, aconteceu.

É possível que tenha sido em 1981 o "dia do incêndio".

Era um dia de semana, comum, na mesa do café da manhã estava eu, meu tio e minha tia e a minha avó na pia lavando a louça e minha irmã dormindo, como de costume. Não sei porque os dois estavam em casa, mas acho que era período de férias na escola.

Meu irmão, a tranquilidade em pessoa, tinha ido ao mercado comprar café, que aliás ele comprou errado. Quando ele abriu a porta da cozinha, veio junto uma fumaça e ele tranquilamente falou: - O Prédio está pegando fogo. Como quem diz que está cansado ou com fome ou que encontrou o vizinho no mercado.

Diz a lenda que eu fui o alarme de incêndio do prédio. Desci os 9 andares de escada com uma velocidade que nem sei descrever e só parei dentro do Eldorado, com a minha mãe. Ou seja, desci a pamplona de pijama e gritando em uma manhã comum.

Quando voltei, com a minha mãe, alguns minutos depois, para o prédio, todos os moradores estavam na rua, olhando para a situação. Minha vó de camisola, com o pano de prato e alguma coisa que ela estava enxugando na hora nas mãos é uma lembrança e depois as histórias.

Meu padrinho, que era o zelador desmaiou no meio da fumaça nas escadas, meu tio teve que praticamente carregar minha irmã que não queria acordar e o prédio ficou internamente cinza, inclusive dentro do apartamento, talvez porque deixamos a porta aberta.

Quem causou o incêndio foi uma criança, cujos pais distraídos deixaram rodar uma válvula que abria o óleo que antes era usado para aquecer a caldeira e causou uma explosão quando se encontrou com o gás, que era a nova forma de aquecimento.

Contudo, no final das contas, ninguém se machucou mais gravemente e o maior dano ficou apenas na garagem.

Pena que eu não segui minha carreira de maratonista, ou ainda bem, visto que pelo jeito só o medo me motivava a correr tanto. 

Lembro pouco da escola, mas sei que era um bom aluno, gostava muito da minha professora, Tia Paula, que era mãe do meu colega Rodrigo Fioratti, e tenho certeza que passei de ano "direto'.

E assim a vida foi indo, ano que acaba, outro que começa...

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