segunda-feira, 31 de maio de 2021

Conto em Gotas

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Diana é o seu nome, mas ela não se vê nesse nome enquanto olha para o espelho nesta madrugada.

Diana era seu nome no final da noite, quando na companhia do medo eterno ela se viu encurralada por um homem alto, muito mais alto que ela e forte, muito, mas muito mesmo, mais forte que ela, que a arrastou para aquele beco escuro e sujo.

Não era mais Diana quando viu pela primeira vez o cano de um revólver bem na frente dos seus olhos e ouviu o barulho dele sendo destravado, naquele momento ela era apenas o medo.

Ela não ouvia as palavras que ele dizia, mas parece que ele gritava, ela não sentiu o primeiro tapa no rosto, que a jogou no chão, ela não sentiu a dor do chute que levou na barriga, quando involuntariamente tentou se levantar. Mal sentiu dor quando ele a levantou pelos cabelos e de uma só vez arrancou sua calça de moletom e sua roupa íntima, mas sentiu uma dor inexplicável quando percebeu que estava sendo violentada. Seu estupor foi passando à medida que aquele estranho apertava seu pescoço e puxava seus cabelos, enquanto ela era forçada a ficar com a cabeça batendo contra a parede a cada movimento mais brusco dele.

Antes que ele terminasse, ela despertou, e não era mais Diana, não era mais o medo, não sabia quem era e nem do que era capaz.

Aproveitando de um mínimo descuido do satisfeito bandido, ela usou, pela primeira vez na vida, o Spray de pimenta que guardava no sutiã, entre os seios. Despejou com raiva uma quantidade enorme do líquido nos olhos e na boca do sujeito. Ele largou a arma, que disparou ao acaso para o final do beco. Enquanto ele a amaldiçoava, ela pegou sua bolsa e usou, também pela primeira vez, sua máquina de choque, direto no peito do infeliz, que se debateu até finalmente parar e deixou uma lágrima escorrer pelos seus olhos.

Cega pelo ódio, ela pegou a arma do chão, apontou para a cabeça dele e ordenou que ele abrisse os olhos. Ele mal conseguia ver o vulto dela, em virtude do gás não se movia em virtude da paralisia do choque, mas ainda ouvia e ainda sentia. Ele estava com as calças ainda arriadas quando sentiu uma dor sem igual. A bala que atingiu sua genitália foi suficiente para fazê-lo desmaiar. Sorte dele, que não sentiu nada quando ela estourou seus miolos sem um pingo de dó.

Ela voltou a si, achou que em segundos apareceriam muitas pessoas e a polícia por causa do barulho dos tiros. Ela apenas levantou sua roupa, pegou a arma, colocou na bolsa junto com seu Spray e com a máquina de choque, lentamente foi andando, esperando que a qualquer momento ouviria as sirenes e os gritos para que ela levantasse as mãos e ficasse parada. Mas não ouviu nada e agora estava lá, olhando para o espelho, sem saber quem ela via.

Mas uma coisa ela sabia, ela sentia, era outra mulher, uma mulher muito diferente e muito, muito mesmo, melhor do que aquela subjugada pelo medo...

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