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Diana é o seu nome, mas ela não
se vê nesse nome enquanto olha para o espelho nesta madrugada.
Diana era seu nome no final da
noite, quando na companhia do medo eterno ela se viu encurralada por um homem
alto, muito mais alto que ela e forte, muito, mas muito mesmo, mais forte que
ela, que a arrastou para aquele beco escuro e sujo.
Não era mais Diana quando viu
pela primeira vez o cano de um revólver bem na frente dos seus olhos e ouviu o
barulho dele sendo destravado, naquele momento ela era apenas o medo.
Ela não ouvia as palavras que
ele dizia, mas parece que ele gritava, ela não sentiu o primeiro tapa no rosto,
que a jogou no chão, ela não sentiu a dor do chute que levou na barriga, quando
involuntariamente tentou se levantar. Mal sentiu dor quando ele a levantou
pelos cabelos e de uma só vez arrancou sua calça de moletom e sua roupa íntima,
mas sentiu uma dor inexplicável quando percebeu que estava sendo violentada.
Seu estupor foi passando à medida que aquele estranho apertava seu pescoço e
puxava seus cabelos, enquanto ela era forçada a ficar com a cabeça batendo
contra a parede a cada movimento mais brusco dele.
Antes que ele terminasse, ela
despertou, e não era mais Diana, não era mais o medo, não sabia quem era e nem
do que era capaz.
Aproveitando de um mínimo
descuido do satisfeito bandido, ela usou, pela primeira vez na vida, o Spray de
pimenta que guardava no sutiã, entre os seios. Despejou com raiva uma
quantidade enorme do líquido nos olhos e na boca do sujeito. Ele largou a arma,
que disparou ao acaso para o final do beco. Enquanto ele a amaldiçoava, ela
pegou sua bolsa e usou, também pela primeira vez, sua máquina de choque, direto
no peito do infeliz, que se debateu até finalmente parar e deixou uma lágrima
escorrer pelos seus olhos.
Cega pelo ódio, ela pegou a
arma do chão, apontou para a cabeça dele e ordenou que ele abrisse os olhos.
Ele mal conseguia ver o vulto dela, em virtude do gás não se movia em virtude
da paralisia do choque, mas ainda ouvia e ainda sentia. Ele estava com as
calças ainda arriadas quando sentiu uma dor sem igual. A bala que atingiu sua genitália
foi suficiente para fazê-lo desmaiar. Sorte dele, que não sentiu nada quando
ela estourou seus miolos sem um pingo de dó.
Ela voltou a si, achou que em
segundos apareceriam muitas pessoas e a polícia por causa do barulho dos tiros.
Ela apenas levantou sua roupa, pegou a arma, colocou na bolsa junto com seu
Spray e com a máquina de choque, lentamente foi andando, esperando que a
qualquer momento ouviria as sirenes e os gritos para que ela levantasse as mãos
e ficasse parada. Mas não ouviu nada e agora estava lá, olhando para o espelho,
sem saber quem ela via.
Mas uma coisa ela sabia, ela sentia, era outra mulher, uma mulher muito diferente e muito, muito mesmo, melhor do que aquela subjugada pelo medo...
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