Muitas vezes pensamos no dito popular que nos ensina a pular do barco antes que ele afunde.
E muitas vezes também nos pegamos em conflito sobre a retidão de abandonar alguém, ou alguma coisa, que provavelmente não vai conseguir "pular do barco" sem receber apoio ou ajuda.
Qual a medida correta que separa o egoísmo do amor próprio, a fuga da saúde mental, o abandono do ser abandonado?
Costumo sempre dizer aos meus pacientes sobre a mensagem à bordo dos aviões, onde nos explicam que em caso de descompressão devemos primeiro colocar a máscara em nós mesmos, para depois ajudar quem não consegue colocar a máscara sozinho.
Isso tem um significado muito simples e muito importante e que serve para tudo na vida. Não conseguimos ajudar ninguém, se não conseguirmos cuidar, antes, de nós mesmos.
É melhor pular do barco para procurar a ajuda, do que morrer afogado com outra pessoa por medo de deixá-la sozinha. E em outros casos, é melhor pular do barco para salvar a si mesmo, ao invés de se afogar com quem te sufoca.
Outra coisa muito importante é saber que não devemos fazer nada por gratidão. Se vamos pular do barco para procurar ajuda e tentar salvar quem lá ficou, não adianta vivermos no conforto de que aquela pessoa vai fazer o mesmo por nós quando ficarmos presos em outro barco prestes a afundar. Muitas pessoas acham que devemos lhes estender a mão o tempo todo, mas são as primeiras a procurar o bote salva-vidas e pularem do barco sozinhas.
Seja qual for a nossa decisão, precisa ser feita por vontade própria e sem expectativa de retorno. O mundo é assim, as pessoas são assim. Não se pode esperar nada a não de ser de si mesmos.
Também nunca saberemos o que vamos encontrar no mar depois de pular do barco. Se vai ser uma sereia ou um tubarão. Não podemos nos prender ao medo e nem ao desejo. Devemos estar prontos para lidar com o imprevisto que surgir e batalhar ou aproveitar. A única coisa que não podemos é sentar e ver o barco afundar, esperando que, como um milagre, seus problemas fossem desaparecer e ele volte a flutuar normalmente em águas calmas.
Abandone o barco, antes que ele o abandone à própria sorte!
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