Se não leu as duas primeiras partes, seguem os links!
http://elsopini.blogspot.com/2021/05/conto-gotas.html
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- O que aconteceu Dona Diana,
porque esse atraso? – Perguntou Altamiro cheio de curiosidade
- Desculpe chefe, sai ontem daqui
tarde demais, para deixar tudo em ordem, e já estava com muita dor de cabeça.
Acordei me sentindo mal hoje e fiquei em dúvida se vinha trabalhar, ou se
passava no pronto socorro. Esperei um pouco e como comecei a me sentir melhor,
resolvi vir trabalhar. – Disse Diana com os olhos voltados para o chão.
Mas, repentinamente, antes de
Altamiro conseguir responder algo, ela levanta a cabeça, com um olhar estranho,
forte e até mesmo assustador e diz encarando o chefe bem nos olhos:
- Porque algum problema?
Altamiro até tropeça dando um
passo para trás e se vira, voltando para a sua sala sem responder nada.
Quando Diana se volta para Bia, a
amiga está olhando para ela com a boca aberta e parecendo assustada.
- Amiga! Que encarada foi essa no
chefe! Até eu fiquei com medo agora. – E sorriu.
- Ah!, não estou bem, me mato
todo dia aqui, sem hora extra nem nada e ainda tenho que ouvir cobrança por
chegar um pouco atrasada – Disse ela em resposta à amiga, que ficou ainda mais
impressionada.
- E sabe de uma coisa, vamos lá
tomar um café para você se acalmar e me contar essa história direito. Disse com
a voz firme Diana.
- Não, não, deixa isso pra lá,
foi um desabafo mais pra mim mesma, sem querer, não quero falar sobre isso,
disse Bia mordendo os lábios.
- Nada disso! Eu sou sua amiga e
você pode contar comigo. Você não pode ficar guardando essa dor dentro de você,
vamos lá, o Altamiro não vai se importar, se ele for esperto.
Na cozinha, Diana fecha a porta,
pega dois copinhos e coloca um pouco de café em cada e pede:
- Me conta, o que aconteceu,
quando aconteceu e quem foi.
Ela percebe as lágrimas começando
a cair dos olhos da amiga, que soluçando baixinho diz:
- Foi há uns 5 anos, já nem sei
mais direito. Por vezes acho que foi um pesadelo. Eu tinha acabado de sair da
academia, que ficava pertinho da casa em que eu morava. Quando fui abordada
pelo menino, achei que seria assaltada e a minha primeira reação foi tentar correr,
mas ele me passou uma rasteira e eu cai de cara no chão, e quando ia tentar
levantar, apesar da dor, senti ele pisar nas minhas costas, depois se abaixou e
disse no meu ouvido que era para eu ficar calada que nada ia acontecer, mas eu
tentei gritar e ele colocou a mão na minha boca e se ajoelhou com força nas
minhas costas, me deixando sem ar. Ele me chutou tão forte no lado do meu corpo
que eu achei que nunca mais ia conseguir respirar. Depois ele me arrastou para
um carro azul que estava estacionado bem ao nosso lado, me jogou banco de trás,
me deu outro murro, dessa vez no meu peito. Pegou um rolo de fita que estava no
banco e colocou na minha boca, me deu um tapa forte na cara e entrou no carro.
Entrei em pânico, não conseguia
gritar, mas consegui me sentar e quando tentei arranhar ou bater nele de alguma
forma, recebi uma cotovelada tão forte que desmaiei.
Acordei em uma casa suja, fedorenta,
com a boca ainda coberta pela fita e com os braços amarrados com uma corda
imunda.
Ele esteva esperando eu acordar
para começar a fazer o que quisesse comigo, sempre rindo do meu desespero.
Levantou meus braços, arrancou
minha blusa, cortou meu soutien com uma tesoura afiada, que fez questão de
passar pelos meus olhos, me jogou com força no chão. Bati meu rosto de novo. Senti
a dor do impacto, que se tornou desespero quando vi que ele estava cortando a
minha calça. Mexi minhas pernas violentamente, mas não adiantava, ele se apoiou
com o joelho em uma delas e a pressão fez com que a dor e a falta de mobilidade
me impedissem de lutar.
Ele mandou eu ficar quieta de novo e com
a tesoura cortou minha calcinha, quando tentei me debater ele deu uma
cotovelada sem dó na área dos meus rins, ouvi apenas na minha cabeça o meu
grito de dor e antes de conseguir pensar em outra coisa, senti outro golpe,
ainda mais forte e ele dizendo que se eu não ficasse quieta, seria pior.
O coração de Diana estava
acelerado, uma raiva incontrolável se apossava dela a cada palavra que ouvia, mas
tentava parecer calma, passou a mão nos cabelos da amiga que agora chorava
copiosamente e não conseguia mais falar.
Sentou-se ao lado dela, deu-lhe
um abraço e quando ia pedir para que ela continuasse, a porta da cozinha se
abriu.
Eram Jéssica e Raquel, que
entraram rindo e conversando sobre algo que Diana não conseguiu entender.
Quando perceberam a cena, as
meninas primeiro pararam de falar, talvez achando que podiam ter pego um flagra
das colegas que revelaria que eram gays, mas quando viram o rosto e as lágrimas
de Bianca e o olhar furioso de Diana, perceberam que havia algo errado.
- Saiam e não deixem ninguém
entrar aqui antes que a gente saia. – Disse Diana e as duas obedeceram sem
perguntar nada.
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