segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Conto em Gotas - Parte 3

 Se não leu as duas primeiras partes, seguem os links!

http://elsopini.blogspot.com/2021/05/conto-gotas.html

http://elsopini.blogspot.com/2021/08/conto-em-gotas-parte-2.html

- O que aconteceu Dona Diana, porque esse atraso? – Perguntou Altamiro cheio de curiosidade

- Desculpe chefe, sai ontem daqui tarde demais, para deixar tudo em ordem, e já estava com muita dor de cabeça. Acordei me sentindo mal hoje e fiquei em dúvida se vinha trabalhar, ou se passava no pronto socorro. Esperei um pouco e como comecei a me sentir melhor, resolvi vir trabalhar. – Disse Diana com os olhos voltados para o chão.

Mas, repentinamente, antes de Altamiro conseguir responder algo, ela levanta a cabeça, com um olhar estranho, forte e até mesmo assustador e diz encarando o chefe bem nos olhos:

- Porque algum problema?

Altamiro até tropeça dando um passo para trás e se vira, voltando para a sua sala sem responder nada.

Quando Diana se volta para Bia, a amiga está olhando para ela com a boca aberta e parecendo assustada.

- Amiga! Que encarada foi essa no chefe! Até eu fiquei com medo agora. – E sorriu.

- Ah!, não estou bem, me mato todo dia aqui, sem hora extra nem nada e ainda tenho que ouvir cobrança por chegar um pouco atrasada – Disse ela em resposta à amiga, que ficou ainda mais impressionada.

- E sabe de uma coisa, vamos lá tomar um café para você se acalmar e me contar essa história direito. Disse com a voz firme Diana.

- Não, não, deixa isso pra lá, foi um desabafo mais pra mim mesma, sem querer, não quero falar sobre isso, disse Bia mordendo os lábios.

- Nada disso! Eu sou sua amiga e você pode contar comigo. Você não pode ficar guardando essa dor dentro de você, vamos lá, o Altamiro não vai se importar, se ele for esperto.

Na cozinha, Diana fecha a porta, pega dois copinhos e coloca um pouco de café em cada e pede:

- Me conta, o que aconteceu, quando aconteceu e quem foi.

Ela percebe as lágrimas começando a cair dos olhos da amiga, que soluçando baixinho diz:

- Foi há uns 5 anos, já nem sei mais direito. Por vezes acho que foi um pesadelo. Eu tinha acabado de sair da academia, que ficava pertinho da casa em que eu morava. Quando fui abordada pelo menino, achei que seria assaltada e a minha primeira reação foi tentar correr, mas ele me passou uma rasteira e eu cai de cara no chão, e quando ia tentar levantar, apesar da dor, senti ele pisar nas minhas costas, depois se abaixou e disse no meu ouvido que era para eu ficar calada que nada ia acontecer, mas eu tentei gritar e ele colocou a mão na minha boca e se ajoelhou com força nas minhas costas, me deixando sem ar. Ele me chutou tão forte no lado do meu corpo que eu achei que nunca mais ia conseguir respirar. Depois ele me arrastou para um carro azul que estava estacionado bem ao nosso lado, me jogou banco de trás, me deu outro murro, dessa vez no meu peito. Pegou um rolo de fita que estava no banco e colocou na minha boca, me deu um tapa forte na cara e entrou no carro.

Entrei em pânico, não conseguia gritar, mas consegui me sentar e quando tentei arranhar ou bater nele de alguma forma, recebi uma cotovelada tão forte que desmaiei.

Acordei em uma casa suja, fedorenta, com a boca ainda coberta pela fita e com os braços amarrados com uma corda imunda.

Ele esteva esperando eu acordar para começar a fazer o que quisesse comigo, sempre rindo do meu desespero.

Levantou meus braços, arrancou minha blusa, cortou meu soutien com uma tesoura afiada, que fez questão de passar pelos meus olhos, me jogou com força no chão. Bati meu rosto de novo. Senti a dor do impacto, que se tornou desespero quando vi que ele estava cortando a minha calça. Mexi minhas pernas violentamente, mas não adiantava, ele se apoiou com o joelho em uma delas e a pressão fez com que a dor e a falta de mobilidade me impedissem de lutar.

Ele mandou eu ficar quieta de novo e com a tesoura cortou minha calcinha, quando tentei me debater ele deu uma cotovelada sem dó na área dos meus rins, ouvi apenas na minha cabeça o meu grito de dor e antes de conseguir pensar em outra coisa, senti outro golpe, ainda mais forte e ele dizendo que se eu não ficasse quieta, seria pior.

O coração de Diana estava acelerado, uma raiva incontrolável se apossava dela a cada palavra que ouvia, mas tentava parecer calma, passou a mão nos cabelos da amiga que agora chorava copiosamente e não conseguia mais falar.

Sentou-se ao lado dela, deu-lhe um abraço e quando ia pedir para que ela continuasse, a porta da cozinha se abriu.

Eram Jéssica e Raquel, que entraram rindo e conversando sobre algo que Diana não conseguiu entender.

Quando perceberam a cena, as meninas primeiro pararam de falar, talvez achando que podiam ter pego um flagra das colegas que revelaria que eram gays, mas quando viram o rosto e as lágrimas de Bianca e o olhar furioso de Diana, perceberam que havia algo errado.

- Saiam e não deixem ninguém entrar aqui antes que a gente saia. – Disse Diana e as duas obedeceram sem perguntar nada.

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