segunda-feira, 25 de julho de 2022

Sentir culpa por não se sentir culpado

Muitas pessoas tem enorme dificuldade em falar não, em serem "egoístas" com seus pequenos prazeres, têm receio de falar a verdade, tudo para não sentirem-se mal em relação à outras pessoas, em geral amigos, pares ou família.

Isso acaba gerando um sentimento de culpa. Toda vez que você aceita um convite para um evento que não queria ir, quando abre mão de comprar alguma coisa para si mesmo, porque não poderia comprar para outras pessoas, ou quando preferem mentir, ou se esconder, para que não tenha que justificar para outras pessoas por onde esteve, ou que estava fazendo.

E, claro, o pior de tudo é saber que o grande culpado por esse sentimento é você mesmo, que se coloca nessas situações por dificuldade de posicionamento, falta de amor próprio, ou carência.

Pois bem, se é para se sentir culpado de qualquer maneira, culpe-se por não sentir culpa dos seus próprios atos.

Culpe-se por dizer não e ficar com a consciência tranquila por não se obrigar a fazer o que não gosta, culpe-se por tomar sozinho aquele copo de sorvete em um dia de calor com o troco que sobrou de alguma conta, culpe-se por ser honesto e dizer que não gostou do que um primo disse no grupo da família, ou que o sapato do seu par não combina com a calça, ou que sim, foi ao cinema sozinho em uma tarde de terça-feira.

Não deixe a sua culpa ser responsável por sua tristeza, se é para sentir culpa, que seja uma enorme culpa, por se sentir sempre bem consigo mesmo, e feliz!


segunda-feira, 18 de julho de 2022

Construindo a tristeza perfeita

Meus olhos se abrem, estou quase sozinho em casa, apenas eu e minha depressão.
Preciso de ajuda para ficar acordado, pois toda vez que fecho os olhos me vejo caindo.
Não sei se é lembrança, sonho ou pesadelo, mas a impressão é de que acabei de sair de um quarto de hotel.
E esse ciclo se repete, menos a tristeza que só aumenta.

Lá no centro da cidade eu tenho amigos que se preocupam comigo.
Eles agem da forma que eu gostaria.
Enquanto eu me vejo apenas sendo carente.
Fecho meus olhos e de novo estou caindo...

Sonolento me sinto na mais perfeita tristeza.
No coração desse mar de pedras.
Queria apenas esquecer, como um feitiço que apaga a memória.
Tento o máximo possível fugir de mim mesmo.

Não sei se agora é cedo ou tarde.
Nada parece ser pior do que isso.
Na cama, sentado no quarto ou em qualquer outro lugar,
cheio de vidas totalmente insignificantes.
Preciso ficar acordado, porque já estou caindo.

Eu tenho uma alma em algum lugar desse corpo, sim senhor.
Em todas as casas existem almas enterradas.
Embaixo de todo pó, amor e suor de todos que já viveram lá.
Aqui só há um homem morto buscando o renascimento.
Mas se os olhos fecham, estou caindo...

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Ano 16 - 1988

Minha lembrança mais marcante de 1988, o ano em que completei 16 anos, é de um quase atropelamento.

Durante os jogos Olímpicos de Seul, eu ficava acordado a madrugada quase toda para assistir os eventos e, muito a contragosto ir para a escola pela manhã. Como eu ainda não trabalhava, aproveitava as tardes para dormir um pouco.

Mas, em um desses dias eu literalmente dormi à caminho da escola, sim, dormi andando e acordei com um susto enorme ao ouvir uma buzina raivosa e um som de freada muito forte. Atravessei a rua, na esquina da lorena com a Campinas, dormindo e com o farol aberto. Fui xingado, com razão, mas por sorte o freio do carro estava bom e eu pude terminar de ver os jogos olímpicos e mais alguns outros nos anos seguintes.

Fiz uma oitava série bem honesta, ficando de recuperação só de uma matéria, mas sem grandes sustos no final.

Continuava jogando meu botão, sofrendo com o Palmeiras, já tinha desistido de jogar minha prima pela janela e agora eu tinha um sobrinho, que nasceu logo no começo do ano.

Meu entrosamento com os colegas aumentou, fiz boas amizades, das quais eu mesmo me desfiz por abandono logo depois de sair da escola, mas esse sou, sempre assim, intenso e frio, próximo, mas com facilidade enorme para criar distância, que vive até os pormenores, mas se enjoa rapidamente de coisas repetidas, mas que estranhamente, não vive sem rotina, desde 1988..


segunda-feira, 4 de julho de 2022

A Frustação ao ter que lidar com a verdade

A grande maioria das pessoas sempre diz que detesta mentira e que prefere uma verdade dolorida à uma mentira apaziguadora.

Mas, a verdade é que em muitos casos, as pessoas não estão preparadas para receber a verdade e se frustram por não ouvirem aquilo que gostariam, ou seja, preferiam mesmo uma mentira bem contada, do que a verdade nua e crua.

Por isso que em muitos casos a sinceridade é vista como um defeito, ao invés de qualidade, porque o sincero, por vezes não tem um filtro social tão bom quanto aquele que enfeita tanto a verdade, que quase a transforma em mentira.

Claro que sinceridade e falta de respeito e educação são coisas muito diferentes e intromissões onde não houve chamado ou pergunta, também. Mas se você faz uma pergunta e recebe uma resposta direta que não te agrada, o problema não está em quem te respondeu e sim na sua falta de capacidade de lidar com pequenas frustrações.

Se não quer saber de verdade, não pergunte e se perguntar, não se assuste com a resposta. Se não for aquilo que você esperava, provavelmente é algo que deve fazer você pensar, ao invés de esbravejar. Mudar de atitude, ao invés de reclamar.

Agora, se você quiser uma resposta pronta, já diga logo, "Minta pra mim!"  assim, ninguém fica triste no final...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...