segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Quem se sustenta com a miséria?

Eleições chegando e sempre a mesma ladainha se repete, políticos corruptos e pretendentes a uma vida melhor, no meio da corrupção, se engalfinham para enganar a população e conseguir votos.

E uma das eternas promessas de sempre é a de tirar a população da miséria, mesmo que apesar de já terem sido governantes, nunca sequer realmente tentaram fazer com que a vida dos mais pobres fosse melhor.

Político falando que vai tirar o povo da miséria é a mesma coisa que o alcoólatra dizer que vai parar de beber, passa a vida toda falando a mesma coisa e nunca faz algo de concreto, com a diferença de que no caso da bebida, ainda alguma poucas almas se salvam.

Mas por que é tão interessante para a classe política manter boa parte do povo em condições tão precárias, chegando a assombrosos números, como por exemplo os atuais 33 milhões de brasileiros que estão hoje na linha da fome?

Primeiro, obviamente, para continuar tendo pessoas que acreditarão em suas promessas, afinal a fome machuca e quem convencer as pessoas mais vulneráveis de que aquela dor vai passar, vai ganhar o voto.

Segundo, porque a fome é um sentimento primordial sobre todos os outros, quem tem fome não se preocupa com educação, saúde ou segurança, quem tem fome se preocupa em comer, em saciar sua sede, em conseguir ter forças para encarar mais um dia.

E quanto menos pessoas preocupadas com a educação, maiores as chances de políticos incompetentes, mas espertos, continuarem se elegendo, e perpetuar a corrupção por toda a família.

E ultimamente hordas de políticos profissionais têm ido cada vez mais longe, não só impedindo pessoas humildes de ter uma boa qualidade de estudo, como espalhando mentiras ridículas que afundam, ainda mais, boa parte da população no leito da ignorância. Desde a terra plana, até a luta contra as vacinas.

Vivemos em um mundo onde a miséria é moeda de troca, e enquanto essa for a realidade, a ideia de tirar o pais da pobreza será sempre uma enorme mentira.



segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Chão de Céu

Pisar nas nuvens, cair do céu, furar o chão, sem coração.
O chão é o teto, mas que pateta, cair sem ser um atleta.
Correr parado, saltar para trás, que melodia, jaz!
A luz na escuridão acaba junto com a pilha, lanterna nervosa.

Escondido no meio dessa mata, estão os grãos de areia.
O deserto da floresta, nas montanhas carecas do cerrado.
Parece que tudo está de cabeça pra baixo, mas sou só eu deitado.
De bruços, olhando tudo, com os olhos fechados.

A que distância fica quem está perto?
No inverno, inferno, verão, ou não?
O outono acabou com o tempo, que tanto falta e sobra.
De pé, só tenho o coelho, azarado, ficou manco.

Rico o pobre que tem dinheiro, saúde e sorte.
Pobre é o pobre mesmo, mesmo que seja rico.
Vodca no copo, absoluta dor de cabeça.
Azul ciano, o céu no oceano, o chão feito de água.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Ano 17 - 1989

Finalmente eu chegava ao colegial, com um ano de atraso, em virtude da bomba da 7a série, mas cheguei e depois do ano letivo, ainda continuei nele, porque assim como na 7a, tomei bomba de novo.

Mas foi o ano de decisões importantes, como ter escolhido a área de humanas para seguir carreira, o que me trouxe ao atual estágio, ou seja, psicólogo.

Fora do colégio, nada de novo, nem muito diferente. A vida no prédio, com meu amigo Ken, jogando cada vez menos botão, uns amigos do colégio vindo no prédio para jogar escrete e fluff, um jogo que só existiu no Marambaia dos anos 80.

Criei uma boa amizade com o hoje escritor Nicolás, que morava no condomínio da minha mãe, para onde eu continuava a ir em alguns finais de semana.

Mas se imaginarmos os dias de hoje, eu era ainda muito mais criança do que quase adulto, só que com a rebeldia em dia, a época de começar a querer deixar o cabelo crescer e continuar trabalhando de office-boy part time para comprar minhas guloseimas e revistas.

Ainda subia em alguns fins de semana para o terraço do prédio, para dar emoção a vida mansa e reclamar dela sem parar enquanto comia rocambole pullmam com meu amigo Ken.

A vida com pouco dinheiro foi difícil, mas vendo por outro ângulo, hoje acho que foi até divertida.

No final do ano veio a bomba, de novo, e de novo aquela sensação que era hora de sair do Assunção, ou parar de estudar, ou vender coco na praia, mas no final das contas, minha avó conseguiu manter a bolsa e eu consegui continuar no colégio, apesar de até hoje não saber absolutamente nada de física...

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Disseminação da Ignorância

Fake news. Um termo que efetivamente foi adicionado ao vocabulário do brasileiro, que hoje, cada vez mais, precisa se informar melhor para ter certeza de não estar propagando uma notícia falsa, capciosa ou descaradamente mentirosa mesmo.

Pessoas mal intencionadas e inteligentes criam essas fake news para disseminar a ignorância entre a população mais vulnerável, não apenas economicamente, mas principalmente, intelectualmente.

Gente que aceita ideias esdruxulas, que defende teorias sem sentido, apenas porque lhe prometeram algo, ou porque era preciso difamar alguém para se manter no poder.

É assim que as coisas funcionam hoje em dia, não só aqui, no Brasil, mas no mundo todo, a inflamação das massas com ódio, a tentativa de descredibilizar instituições antigas e sérias, o uso da saúde pública como arma política, entre tantas outras coisas.

Além do mais importante, a tentativa de sucatear a educação, para fazer com que o conhecimento fique subjugado à ignorância, para que as pessoas aprendam menos e só o que é interessante para os poderosos, para que esqueçam a história, o passado e se percam num futuro cheio de ódio e de mentiras.

E assim caminha, para trás, a humanidade...


Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...