segunda-feira, 27 de março de 2023

Conto em Gotas - Parte 10

Pegou o primeiro ônibus que passou no ponto, entrou já sem o boné e assim que sentou, soltou os cabelos.

Tirou a jaqueta e trocou os óculos escuros pelo seu óculos de grau, confiou que o dono do bar não teria reparado em seus pés e que o bandido não seria capaz de lembrar de nada, caso não sangrasse até a morte.

Tocou a campainha para descer assim que avistou uma estação de metrô e de lá, foi sem nenhum remorso, mas com a ansiedade lá em cima, de volta para casa.

Tomou um banho longo, depois de esconder a arma, falou com Bianca ao telefone, como se o dia estivesse um tédio e ligou para saber como estava sua mãe.

Comeu e ligou a televisão a procura dos famigerados canais de notícias trágicas. E não demorou muito para reconhecer a imagem da casa na qual ela havia entrada naquela manhã. Aumentou o som e ouviu apenas o repórter finalizar a informação, dizendo que a polícia investigava a hipótese de uma vingança, mas que ainda iria precisar analisar o material que foi encontrado na casa para saber se o homem que foi levado quase inconsciente para o hospital era um bandido ou apenas uma vítima.

Ouvindo aquilo ela se irritou e parou para pensar que não deveria ter tirado as coisas da gaveta, que a polícia iria encontrar e que seriam evidências melhores do que quando encontradas jogadas no chão na frente do infeliz, mas infelizmente o impulso foi impossível de controlar e tudo o que ela esperava agora era não ter deixado vestígios suficiente para que fosse ligada ao crime.

Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, esperou Bianca para ver por suas reações se ela tinha visto a notícia, mas por sorte ela não perdia seu tempo com o tipo de programa em que o caso foi veiculado e estava mais animada do que de costume.

Tinha tido coragem para baixar um aplicativo de mensagens e estava conversando com um "gato". Diana ouviu em um misto de animada e preocupada, pois não confiava nesses aplicativos e via casos demais de mulheres e homens que caiam em golpes, mas não queria estragar o humor da amiga, apenas sugeriu que para o primeiro encontro ela fosse em um lugar aberto e que não aceitasse sair com ele sozinha no primeiro dia, antes de ter certeza que ela realmente é quem dizia ser.

Depois ainda teve que ouvir a amiga insistir que ela também devia baixar o aplicativo e encontrar um novo amor para a vida dela. As duas riram e começaram a trabalhar, pois já estavam chamando atenção demais.

Ao chegar em casa, ela descobriu que a polícia encontrou mais uma caixa cheia de calcinhas e bijuterias embaixo da cama do assassino e que ele sairia do hospital para a cadeia, até que as provas fossem analisadas e que ele pudesse prestar depoimento. Ela ficou arrependida por não ter o feito sofrer mais, muito mais...

Então, tomada pela raiva, começou a procurar nas redes sociais depoimentos de mulheres que foram violentadas e que a policia nada fez com o bandido e resolveu que ela ia precisar de mais tempo para vingar mais mulheres.

No dia seguinte avisou ao chefe que queria férias e que não poderia aguardar muito, queria os 30 dias e de preferência no começo do próximo mês.

Não se sabe se foi a postura dela, ou um certo medo que ela vinha colocando em todo mundo na empresa, mas a verdade é que nem houve discussão. Em 10 dias ela estaria de férias... Azar de alguns bandidos por aí...


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