segunda-feira, 26 de junho de 2023

Quando foi a última vez?

Desde que chegamos ao mundo temos algumas rotinas, criadas por nossos pais ou tutores, depois algumas que são nossas e deles e por fim algumas que são apenas nossas.

Temos muitos momentos marcantes na vida, mas normalmente são lembrados aqueles em que fizemos alguma coisa pela primeira vez.

Os pais normalmente vão se lembrar de quando o bebe engatinhou pela primeira vez, os primeiros passinhos, quando pediu para ir ao banheiro a primeira vez, mas não se lembram quando o bebe parou de engatinhar de vez para só andar, ou nunca mais precisou das fraldas, nem por segurança.

E continuamos assim pelo resto da vida, lembrando das primeiras vezes, mas sem nos darmos conta de que as coisas mudam e que fizemos um monte de coisas pela última vez e nem nos demos percebemos.

A ultima vez que brincamos com carrinhos ou bonecas, o último desenho com giz de cera ou lápis de cor, o último abraço em uma amigo ou amiga querida meses depois do último dia de aula...

O último jogo de botão, a última vez da amarelinha na rua, o último dia de chuva em que era possível assistir desenho comendo biscoito e tomando leite.

E existem coisas que raramente ainda fazemos, mas se não nos dermos conta, acabarão ficando como essas outras lembranças e nem saberemos quando foi a última vez, ou então pensaremos nisso só quando não for mais possível fazer de novo.

Precisamos tomar cuidado com o tempo, pois sempre achamos que será possível fazer alguma coisa mais tarde, acabamos esquecendo e depois fica tarde demais.

Diga aos seus pais ou aos seus filhos o quanto você os ama, abrace e beije as pessoas queridas, telefone, mande mensagens, vá visitar. Não deixe para depois um sorriso que você pode colocar no seu rosto ou no rosto de alguém, para que esse sorriso não vire apenas uma lembrança do que você não fez...


segunda-feira, 19 de junho de 2023

Conto em Gotas Parte 12

 Diana chegou no domingo pela manhã em Engenheiro Coelho e foi aos poucos se familiarizando com o pequeno local. Perguntou sobre os horários de saída e chegada dos ônibus, para saber até que horas poderia ficar lá, ou se precisaria dar um jeito de passar um anoite por lá.

Ela já tinha pesquisado sobre lugares para visitar, afim de ter assunto para puxar com alguma pessoa de lá. Encontrou apoiada em uma vassoura uma senhora possivelmente entrando na terceira idade que conversava animada com uma mulher mais jovem.

Ela pediu licença, se apresentou e disse:

- Vim passar uns dias com a minha família em Limeira e me disseram que aqui tem uma cervejaria muito boa, chamada Caipira, vocês sabem onde fica?

- Ah, Claro, é logo ali pra cima, indo reto até o final dessa rua e virando para aquele lado e depois só seguir toda vida!

Diana riu e perguntou se ela iria andar por uns 10 minutos ou mais. A mulher mais jovem riu e disse que não.

Vendo que foi bem aceita, Diana perguntou sobre outros lugares para visitar naquele dia.

Disseram que não havia muito o que fazer, apenas um lago, um parque e comidinhas locais.

Ainda sem saber como entrar em um assunto delicado, ela perguntou se havia algum lugar onde ela poderia comprar imãs de geladeira ou chaveiros de lembrancinha.

A mais velha indicou uma casa bem no final da rua.

Então Diana respirou e disse tentando parecer preocupada:

-Não é a casa daquela moça que apanhava do marido e que a filha fugiu né?

A mulher mais jovem olhou intrigada e perguntou:

- Como você ficou sabendo disso?

- Ah, lá em Limeira. Minha prima me contou uma história e me deixou cheia de medo! - Ela disse com um sorriso tímido e fingido...

Ela mal acreditou na sua sorte quando a mais velha disse:

- Não, graças a Deus eles moram mais para o fim da cidade, já na saída para a estrada, em um casebre quase abandonado, mas ela hoje em dia aparece mais aqui pelo centro. Quando o fato aconteceu, ela mal andava, coitada.

- Poxa, que triste. Disse Diana.

Depois completou:

- Vou é ficar longe!

As três sorriram. Diana agradeceu, se despediu e foi andando em direção à lojinha de lembranças. Comprou um chaveiro e depois seguiu caminhando na direção da cervejaria. Quem sabe conseguiria mais alguma informação...

 Na cervejaria ela pediu uma garrafa e se sentou sozinha em uma mesinha. Estava ainda quase vazia, mas não demorou muito para um sujeito aparecer e se sentar ao lado dela, sem mesmo pedir licença.

- Você não é daqui, tenho certeza. Ele disse.

Apesar de começar a sentir uma raiva subindo pela sua alma, ela fingiu-se de tola e respondeu:

- Não, só vim conhecer a cidade, mas já vou voltar para Limeira.

- Entendi. Ele disse, depois completou?

-Mas por que tão pouco tempo, devia ir no lago, conhecer o parque.. - E deu uma risadinha cínica.

Ela pensou rápido e achou que poderia conseguir alguma coisa diferente e então respondeu:

- Eu não. A fama dos homens desse lugar não é boa. Lá em Limeira me disseram que eles batem em suas esposas por aqui.

O sujeito fechou a cara, olhou com uma cara de ódio para ela e disse:

- Mentira! Eles dizem isso por causa do desgraçado do Juliano, que batia na mulher, mas dizem que ele não faz mais isso desde que a menina foi embora.

- Mas não foi só isso que me disseram. Ela continuou. - Parece que ele violentou a própria filha!

- Então, foi o que a maluca da mulher dele disse, depois de ter levado uns cascudos, depois daquele dia todo mundo sabe que ele quase matou ela no murro e ninguém sabe se a menina fugiu de medo ou de vergonha, mas ele nega que tenha tocado nela.

- Sei. Disse Diana e concluiu: - Mas é melhor não arriscar né. Deixa eu terminar minha cerveja em paz antes que esse Juliano apareça. Como aqui é bem pequeno ele deve morar por perto...

- Mora lá no fim da avenida. - Mas com certeza não vai te fazer nenhum mal. Se você mas se você quiser, posso andar do seu lado para te proteger. Galanteou.

Diana sorriu, agradeceu e pegou seu copo, deixando o sujeito com cara de bobo sozinho na mesa.

Ela já tinha quase tudo o que precisava...

segunda-feira, 12 de junho de 2023

1993 - Ano 21

Houveram muitas coisas nesse meu ano sabático nos estudos e meu primeiro ano de trabalhador registrado em carteira de trabalho, mas definitivamente nada que chegue sequer perto do dia 12 de Junho, coincidentemente como hoje, só que há 30 anos atrás. E não, nem de longe em virtude de uma namorada ou paquerinha, mas sim porque foi a primeira vez em 21 anos que eu pude soltar o grito, hoje tão frequente, de Campeão!

E eu estava lá, no meio de 100 mil pessoas, nas arquibancadas do Morumbi, vendo tudo de perto, sentindo aquela emoção deliciosa de poder festejar, voltar para a Paulista e ficar por lá por várias horas, jantar no saudoso Prestíssimo com a bandeira do Palmeiras como toalha de mesa...

E além de tudo, nesse dia eu entendi o quanto isso era importante para mim naquele momento. poque eu precisei fazer escolhas. Estava há pouco mais de 2 meses trabalhando, iniciei no Eldorado do Center Norte no dia 7 de Abril, e meu chefe resolveu pegar folga para ficar com a namorada e disse que eu não poderia folgar no mesmo dia, porque o setor não poderia ficar sozinho.

Eu, com toda a minha honestidade e maluquice o avisei que no máximo iria pela manhã para arrumar o setor, mas que iria embora na hora do almoço, assim que o repositor da moite chegasse e que ele tomasse a decisão que quisesse depois.

Tomei uma advertência na segunda-feira, feliz, satisfeito e sem nenhum pingo de arrependimento.

Aliás, mesmo que fosse mandado embora eu não ia ligar, até porque eu nem queria mesmo trabalhar lá...

Nunca me esqueço da minha tristeza ao sentir a tesoura cortando o mu cabelo no dia 6, pois naquela época cabelo comprido, barba e tatuagens eram proibidos para trabalhar em um supermercado.

Só que como não fui, fiquei por 6 anos e 364 dias, passei por todos os departamentos e me tornei um profissional de verdade, uma pessoa melhor, pude fazer e pagar minha faculdade, conheci minhas primeiras namoradas de verdade e até minha ex-esposa. Portanto, 1993 além de tudo, foi um ano de novos começos.

Boas lembranças, bons momentos, maus momentos, raiva, arrependimentos, mas muito mais realizações.

E começar a trabalhar era obrigatório. Já tinha 20 anos completos e não poderia depender apenas do dinheiro que pegava trabalhando de boy para o meu pai. E como não cheguei nem perto de passar na FUVEST, precisava ter dinheiro para pagar a faculdade.

E no final do ano, passei no vestibular da UNIP e com uma nota bem melhor do que eu imaginava, fruto do cursinho que fiz no segundo semestre com emu amigo Ken, nas noites depois do trabalho e com Donuts de jantar.

Definitivamente o adolescente rebelde dava passagem para o homem que ali surgia e teria muita coisa pela frente.

Esse foi, definitivamente, um ano inesquecível...

sexta-feira, 9 de junho de 2023

O Rei da Chuva

Quando eu penso no paraíso, me vejo chegando montado nas asas de um grande pássaro.
O paraíso fica no horizonte e até lá já estou cheio de penas, parecendo uma fantasia de carnaval.
Eu tento me segurar na barriga do pássaro, mas nem a fé em Deus me ajuda nesse momento.
Quando caio, penso que vou me afogar, mas ninguém se afoga ou se quebra ao entrar no paraíso.

Não sinto fome, não vejo alimentos, mas tenho a estranha sensação de já ter vindo aqui antes.
Não lembro quando, mas parece que eu estava aqui com vestes de um soldado real.
Como posso ter estado aqui antes, se nunca estive em lugar nenhum.
Ouço alguém chorando e fico apenas pensando, eu sou o rei da chuva.

Mãe do céu, aqui é tão vazio, estou sozinho? E aquele choro que eu ouvi?
E não posso sair lá fora, pois nem mesmo estou dentro.
Agora fiquei com muito medo de nunca mais achar aquele pássaro para me levar de volta pra casa.
Acho que estou vivo, mas é como se estivesse afundando...

Tem mais alguém aqui, tem aqui alguma casa?
Se houver, me convide para entrar, não quero mais ficar aqui fora.
Não me torture, não me deixe aqui sangrando, já estive aqui antes.
Mereço algo melhor...


Invísivel aos olhos da única pessoa que enxerga

Sentimentos são interessantes, muitas pessoas sofrem por causa deles, normalmente quando esquecem que deveriam nutrir mais e melhores sentimentos por si mesmas.

Quando a vida está ainda no começo, fim da adolescência e início da vida adulta, parece que essa dificuldade em controlar alguns sentimentos, aflora ainda mais.

E aí muitos jovens acabam se deixando levar por uma paixonite maluca que cega, ou apaga da mente daquela pessoa quase todo mundo, exceto uma única pessoa, aquela com quem o sujeito sonha, ensaia palavras, cria versos e poemas, mas que em muitas vezes nem sabe da sua existência.

Parece muito triste, complicado e quem passa por isso pensa em várias coisas ruins, mas esquece o mais importante, que é o simples. Enquanto não se olhar no espelho e entender a própria importância, vai passar boa parte da vida chorando por outras pessoas e deixando de lado, talvez, alguém muito melhor, para quem aquela pessoa não é invisível.

E essa cegueira temporária demora muito a passar na maioria das vezes e quando as demais pessoas aparecem de volta ao redor, depois de todo sofrimento, muitas delas podem ter mudado, desistido, ou se chateado por terem sido ignoradas.

Portanto, nunca deixe os olhos abertos apenas para uma pessoa, não se esqueça dos amigos, da família, de quem realmente se importa, para tentar ser todos olhos para quem é toda olhos apenas para outra pessoa.

Mais amor próprio, menos carência e dependência!

Escravo da Mentira

Mentir é quase normal, mas tem gente que mente mais do que o normal, mais do que o aceitável.

Pessoas que criam histórias, inventam lugares, amigos, pares, até mesmo empregos, e depois não conseguem mais sair do personagem que criaram.

Se tornam, assim, escravos das próprias mentiras, acabam se afastando das pessoas, pois já não conseguem mais sustentar a ilusão quando colocados em frente à realidade, não conseguem mais inventar desculpas para as perguntas inevitáveis sobre a vida que não existe, entre tantos outros problemas.

Além disso, a vida baseada em mentiras vai acabar em algum momento levando o sujeito à doenças mentais graves, como a depressão e crise de ansiedade, podendo, inclusive, levar o sujeito ao suicídio, se  ele se sentir acoado, com medo e com muita vergonha, quando tiver que encarar pessoas que descobriram muitas das verdades que esse sujeito escondia.

Quem usa de mentiras frequentes para enganar outras pessoas, também acaba se complicando e por vezes também ficando escravo de situações desagradáveis, como por exemplo, ao mentir no trabalho dizendo que um familiar ficou doente, sempre vai ter esse fantasma quando o chefe perguntar se esse parente melhorou, se está bem e também acaba limitando o sujeito, pois ele nunca vai poder levar o chefe ou colegas de trabalho na própria casa, para não correr o risco de ser desmascarado.

Enfim, mentir nunca é bom, mas mentir demais é ainda pior. Como dizem: A mentira tem perna curta e não consegue fugir por muito tempo!

 

 

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...