segunda-feira, 12 de junho de 2023

1993 - Ano 21

Houveram muitas coisas nesse meu ano sabático nos estudos e meu primeiro ano de trabalhador registrado em carteira de trabalho, mas definitivamente nada que chegue sequer perto do dia 12 de Junho, coincidentemente como hoje, só que há 30 anos atrás. E não, nem de longe em virtude de uma namorada ou paquerinha, mas sim porque foi a primeira vez em 21 anos que eu pude soltar o grito, hoje tão frequente, de Campeão!

E eu estava lá, no meio de 100 mil pessoas, nas arquibancadas do Morumbi, vendo tudo de perto, sentindo aquela emoção deliciosa de poder festejar, voltar para a Paulista e ficar por lá por várias horas, jantar no saudoso Prestíssimo com a bandeira do Palmeiras como toalha de mesa...

E além de tudo, nesse dia eu entendi o quanto isso era importante para mim naquele momento. poque eu precisei fazer escolhas. Estava há pouco mais de 2 meses trabalhando, iniciei no Eldorado do Center Norte no dia 7 de Abril, e meu chefe resolveu pegar folga para ficar com a namorada e disse que eu não poderia folgar no mesmo dia, porque o setor não poderia ficar sozinho.

Eu, com toda a minha honestidade e maluquice o avisei que no máximo iria pela manhã para arrumar o setor, mas que iria embora na hora do almoço, assim que o repositor da moite chegasse e que ele tomasse a decisão que quisesse depois.

Tomei uma advertência na segunda-feira, feliz, satisfeito e sem nenhum pingo de arrependimento.

Aliás, mesmo que fosse mandado embora eu não ia ligar, até porque eu nem queria mesmo trabalhar lá...

Nunca me esqueço da minha tristeza ao sentir a tesoura cortando o mu cabelo no dia 6, pois naquela época cabelo comprido, barba e tatuagens eram proibidos para trabalhar em um supermercado.

Só que como não fui, fiquei por 6 anos e 364 dias, passei por todos os departamentos e me tornei um profissional de verdade, uma pessoa melhor, pude fazer e pagar minha faculdade, conheci minhas primeiras namoradas de verdade e até minha ex-esposa. Portanto, 1993 além de tudo, foi um ano de novos começos.

Boas lembranças, bons momentos, maus momentos, raiva, arrependimentos, mas muito mais realizações.

E começar a trabalhar era obrigatório. Já tinha 20 anos completos e não poderia depender apenas do dinheiro que pegava trabalhando de boy para o meu pai. E como não cheguei nem perto de passar na FUVEST, precisava ter dinheiro para pagar a faculdade.

E no final do ano, passei no vestibular da UNIP e com uma nota bem melhor do que eu imaginava, fruto do cursinho que fiz no segundo semestre com emu amigo Ken, nas noites depois do trabalho e com Donuts de jantar.

Definitivamente o adolescente rebelde dava passagem para o homem que ali surgia e teria muita coisa pela frente.

Esse foi, definitivamente, um ano inesquecível...

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