segunda-feira, 19 de junho de 2023

Conto em Gotas Parte 12

 Diana chegou no domingo pela manhã em Engenheiro Coelho e foi aos poucos se familiarizando com o pequeno local. Perguntou sobre os horários de saída e chegada dos ônibus, para saber até que horas poderia ficar lá, ou se precisaria dar um jeito de passar um anoite por lá.

Ela já tinha pesquisado sobre lugares para visitar, afim de ter assunto para puxar com alguma pessoa de lá. Encontrou apoiada em uma vassoura uma senhora possivelmente entrando na terceira idade que conversava animada com uma mulher mais jovem.

Ela pediu licença, se apresentou e disse:

- Vim passar uns dias com a minha família em Limeira e me disseram que aqui tem uma cervejaria muito boa, chamada Caipira, vocês sabem onde fica?

- Ah, Claro, é logo ali pra cima, indo reto até o final dessa rua e virando para aquele lado e depois só seguir toda vida!

Diana riu e perguntou se ela iria andar por uns 10 minutos ou mais. A mulher mais jovem riu e disse que não.

Vendo que foi bem aceita, Diana perguntou sobre outros lugares para visitar naquele dia.

Disseram que não havia muito o que fazer, apenas um lago, um parque e comidinhas locais.

Ainda sem saber como entrar em um assunto delicado, ela perguntou se havia algum lugar onde ela poderia comprar imãs de geladeira ou chaveiros de lembrancinha.

A mais velha indicou uma casa bem no final da rua.

Então Diana respirou e disse tentando parecer preocupada:

-Não é a casa daquela moça que apanhava do marido e que a filha fugiu né?

A mulher mais jovem olhou intrigada e perguntou:

- Como você ficou sabendo disso?

- Ah, lá em Limeira. Minha prima me contou uma história e me deixou cheia de medo! - Ela disse com um sorriso tímido e fingido...

Ela mal acreditou na sua sorte quando a mais velha disse:

- Não, graças a Deus eles moram mais para o fim da cidade, já na saída para a estrada, em um casebre quase abandonado, mas ela hoje em dia aparece mais aqui pelo centro. Quando o fato aconteceu, ela mal andava, coitada.

- Poxa, que triste. Disse Diana.

Depois completou:

- Vou é ficar longe!

As três sorriram. Diana agradeceu, se despediu e foi andando em direção à lojinha de lembranças. Comprou um chaveiro e depois seguiu caminhando na direção da cervejaria. Quem sabe conseguiria mais alguma informação...

 Na cervejaria ela pediu uma garrafa e se sentou sozinha em uma mesinha. Estava ainda quase vazia, mas não demorou muito para um sujeito aparecer e se sentar ao lado dela, sem mesmo pedir licença.

- Você não é daqui, tenho certeza. Ele disse.

Apesar de começar a sentir uma raiva subindo pela sua alma, ela fingiu-se de tola e respondeu:

- Não, só vim conhecer a cidade, mas já vou voltar para Limeira.

- Entendi. Ele disse, depois completou?

-Mas por que tão pouco tempo, devia ir no lago, conhecer o parque.. - E deu uma risadinha cínica.

Ela pensou rápido e achou que poderia conseguir alguma coisa diferente e então respondeu:

- Eu não. A fama dos homens desse lugar não é boa. Lá em Limeira me disseram que eles batem em suas esposas por aqui.

O sujeito fechou a cara, olhou com uma cara de ódio para ela e disse:

- Mentira! Eles dizem isso por causa do desgraçado do Juliano, que batia na mulher, mas dizem que ele não faz mais isso desde que a menina foi embora.

- Mas não foi só isso que me disseram. Ela continuou. - Parece que ele violentou a própria filha!

- Então, foi o que a maluca da mulher dele disse, depois de ter levado uns cascudos, depois daquele dia todo mundo sabe que ele quase matou ela no murro e ninguém sabe se a menina fugiu de medo ou de vergonha, mas ele nega que tenha tocado nela.

- Sei. Disse Diana e concluiu: - Mas é melhor não arriscar né. Deixa eu terminar minha cerveja em paz antes que esse Juliano apareça. Como aqui é bem pequeno ele deve morar por perto...

- Mora lá no fim da avenida. - Mas com certeza não vai te fazer nenhum mal. Se você mas se você quiser, posso andar do seu lado para te proteger. Galanteou.

Diana sorriu, agradeceu e pegou seu copo, deixando o sujeito com cara de bobo sozinho na mesa.

Ela já tinha quase tudo o que precisava...

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