Capítulo 2 – Psicologia
Caio é um jornalista
fracassado, em suas próprias palavras, pois achava ridículo o seu trabalho,
escrever resenhas sobre programas de televisão, ir atrás de fofocas e tirar
fotografias de sub celebridades que aparecem e caem no esquecimento com a mesma
velocidade.
Mas sua vida acadêmica começou
com outro curso, Psicologia.
Contudo, foram apenas dois
anos, ou melhor, nem dois anos, pois antes do início das provas finais do
último semestre ele percebeu que começar este curso foi um erro. O que ele
procurava na verdade eram respostas para si mesmo e não aprender para tentar um
dia trabalhar com pacientes e muito menos em áreas como RH, Psicologia Social,
Escolar ou qualquer outro tipo.
Suas notas eram ruins, ele
ficou de DP em três matérias e sabia que ia piorar ainda mais, então decidiu
parar.
Avaliou que tinha um problema
que ele mesmo qualificou como repressão, afinal ele tinha certeza de que havia
fatos escondidos em seu inconsciente dos quais ele não conseguia se lembrar,
como se alguns momentos, fatos e ocasiões simplesmente nunca tivessem
acontecido.
E por mais que a cada aula de personalidade
ele se interessasse mais em saber quais fatos bloqueavam seu consciente, ficou
desmotivado ao saber que os fatos estavam submersos no inconsciente. Sem
tratamento, o conteúdo mental ficaria impedido de ter acesso à consciência.
A supervisora do curso sempre citava
a repressão como uma forma de defesa, mas ele não aceitava o fato, pois não se
sentia mais seguro dessa forma. Ele queria reconstruir o seu passado, queria
achar as peças que faltavam ao seu quebra-cabeça.
Caio passou a pesquisar sobre
amnésia, mas sabia que não era este o seu caso, sabia que a borracha havia
passado apenas por alguns fatos, alguns momentos, mas ele não sabia quais e não
tinha mais ninguém a quem perguntar.
Filho único, perdeu o pai
quando ainda tinha 8 anos de idade e quase nada podia falar sobre ele, pois sua
mãe desviava do assunto toda vez que ele tentava, talvez, pelo fato do padrasto
não gostar nenhum pouco ouvir sobre ele.
Esse mesmo padrasto foi
assassinado de forma misteriosa, um crime não resolvido, mas como ele era de
uma família de classe baixa, em poucos dias o caso foi esquecido.
Sua mãe deixou uma carta em cima
da mesa da cozinha, quando ele tinha 17 anos, se despedindo, pedindo desculpas,
e dizendo que não sabia para onde iria, mas sabia que naquela casa não poderia
mais ficar.
Ele encontrou a carta apenas
quando chegou da escola, já tarde da noite, e sabia que sua mãe tinha partido
logo cedo, depois que ele saiu para o trabalho.
A última coisa da qual ele não
se lembra é daquela madrugada. Ele saiu de casa desesperado, mas não sabe para
onde foi, com quem falou e nem o que aconteceu.
Quando deu conta da sua consciência
novamente, estava encharcado, voltando para casa sob uma chuva torrencial, com
os pedaços da carta na mão e um desespero assustador no coração.
O único consolo nos tempos que
passaram, foi ter um teto para morar, pois a casa que era do padrasto ficou
para a mãe, da qual ele era o único herdeiro.
Até hoje ela é declarada
desaparecida, mas Caio sabe que jamais voltaria a encontra-la e jamais saberá
os motivos que a levaram a abandonar o filho e nem o que aconteceu durante a
sua provável busca pela mãe naquela madrugada.
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