segunda-feira, 13 de maio de 2024

Enjoy the Silence - Capítulo 2

 

Capítulo 2 – Psicologia

Caio é um jornalista fracassado, em suas próprias palavras, pois achava ridículo o seu trabalho, escrever resenhas sobre programas de televisão, ir atrás de fofocas e tirar fotografias de sub celebridades que aparecem e caem no esquecimento com a mesma velocidade.

Mas sua vida acadêmica começou com outro curso, Psicologia.

Contudo, foram apenas dois anos, ou melhor, nem dois anos, pois antes do início das provas finais do último semestre ele percebeu que começar este curso foi um erro. O que ele procurava na verdade eram respostas para si mesmo e não aprender para tentar um dia trabalhar com pacientes e muito menos em áreas como RH, Psicologia Social, Escolar ou qualquer outro tipo.

Suas notas eram ruins, ele ficou de DP em três matérias e sabia que ia piorar ainda mais, então decidiu parar.

Avaliou que tinha um problema que ele mesmo qualificou como repressão, afinal ele tinha certeza de que havia fatos escondidos em seu inconsciente dos quais ele não conseguia se lembrar, como se alguns momentos, fatos e ocasiões simplesmente nunca tivessem acontecido.

E por mais que a cada aula de personalidade ele se interessasse mais em saber quais fatos bloqueavam seu consciente, ficou desmotivado ao saber que os fatos estavam submersos no inconsciente. Sem tratamento, o conteúdo mental ficaria impedido de ter acesso à consciência.

A supervisora do curso sempre citava a repressão como uma forma de defesa, mas ele não aceitava o fato, pois não se sentia mais seguro dessa forma. Ele queria reconstruir o seu passado, queria achar as peças que faltavam ao seu quebra-cabeça.

Caio passou a pesquisar sobre amnésia, mas sabia que não era este o seu caso, sabia que a borracha havia passado apenas por alguns fatos, alguns momentos, mas ele não sabia quais e não tinha mais ninguém a quem perguntar.

Filho único, perdeu o pai quando ainda tinha 8 anos de idade e quase nada podia falar sobre ele, pois sua mãe desviava do assunto toda vez que ele tentava, talvez, pelo fato do padrasto não gostar nenhum pouco ouvir sobre ele.

Esse mesmo padrasto foi assassinado de forma misteriosa, um crime não resolvido, mas como ele era de uma família de classe baixa, em poucos dias o caso foi esquecido.

Sua mãe deixou uma carta em cima da mesa da cozinha, quando ele tinha 17 anos, se despedindo, pedindo desculpas, e dizendo que não sabia para onde iria, mas sabia que naquela casa não poderia mais ficar.

Ele encontrou a carta apenas quando chegou da escola, já tarde da noite, e sabia que sua mãe tinha partido logo cedo, depois que ele saiu para o trabalho.

A última coisa da qual ele não se lembra é daquela madrugada. Ele saiu de casa desesperado, mas não sabe para onde foi, com quem falou e nem o que aconteceu.

Quando deu conta da sua consciência novamente, estava encharcado, voltando para casa sob uma chuva torrencial, com os pedaços da carta na mão e um desespero assustador no coração.

O único consolo nos tempos que passaram, foi ter um teto para morar, pois a casa que era do padrasto ficou para a mãe, da qual ele era o único herdeiro.

Até hoje ela é declarada desaparecida, mas Caio sabe que jamais voltaria a encontra-la e jamais saberá os motivos que a levaram a abandonar o filho e nem o que aconteceu durante a sua provável busca pela mãe naquela madrugada.

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