segunda-feira, 20 de maio de 2024

Somos Todos Zumbis

Imagine alguém acordar de manhã, arrastando-se para fora da cama com um grunhido gutural, olhos semicerrados, um desejo insaciável por café. Se você pensou "Não preciso pensar, essa pessoa sou eu!", parabéns: você é um zumbi moderno!

Não, não estou dizendo que você deve participar de um apocalipse zumbi iminente ou que precisa de cuidados dentários urgentes. Estou falando da rotina diária de muitas pessoas, que muitas vezes os transforma em seres parecidos com os zumbis dos filmes: mecânicos, incansáveis e com um apetite voraz... por cafeína e talvez um pouco de séries nos streamings quando está no ônibus ou metrô.

O trânsito matinal é um mar de gente se arrastando em suas latas de metal, com olhares fixos e rostos pálidos. Nas calçadas, outros tantos seguem em fila, com passos arrastados e fones de ouvido, murmurando baixinho suas preces matinais ao Deus App Musical. A jornada ao trabalho é um desfile zumbi diário, onde todos, silenciosamente, compartilham o mesmo objetivo: sobreviver ao dia.

No trabalho, a cena não melhora muito. Você entra, acena mecanicamente para seus colegas (outros zumbis, é claro), e se afunda na cadeira ou se manda para seu setor. O computador liga, você suspira profundamente, e começa a responder e-mails como um autômato. De vez em quando, há um surto de "atividade" — geralmente na forma de um colega que surge com um problema que precisa ser resolvido "para ontem". As reuniões são os rituais sagrados dos zumbis corporativos, onde todos fingem estar vivos e atentos, enquanto seus cérebros estão longe, em algum lugar entre o lanche das 10h e o almoço.

Quando o serviço acaba, sextou! O happy hour é o momento de transformação, onde os zumbis retornam brevemente à vida. Um pouco de cerveja, uma conversa fiada, e pronto: os mortos-vivos corporativos ganham um brilho nos olhos. O bar vira um necrotério invertido, onde a mágica acontece e os mortos-vivos se tornam, pelo menos por algumas horas, humanos novamente.

Ah, não podemos esquecer das redes sociais... Aquele lugar onde os zumbis se encontram para comparar mordidas e cicatrizes. Você desliza o dedo pela tela, sem rumo, absorvendo fotos, memes e notícias falsas com um desejo insaciável. Curtidas e comentários são os grunhidos modernos, uma forma de comunicação minimalista, mas eficaz. E, de repente, horas se passaram, e você não sabe bem para onde foi seu tempo — clássico comportamento zumbi.

Quando finalmente os zumbis retornam para casa, exaustos, a única coisa que querem é colapsar no sofá, olhos vidrados na TV, lentamente voltando ao estado de semi-consciência. É o momento de reabastecer as energias, para que seja possível repetir tudo no dia seguinte ou na próxima segunda.

Brincadeiras à parte, reconhecer a "zumbificação" pode ser um primeiro passo para mudar pequenas coisas na rotina. Que tal um pouco mais de interação humana verdadeira? Ou uma caminhada ao ar livre sem o celular? Cada pequena mudança pode nos fazer sentir mais vivos e menos zumbis.

E aí, o que acha?


E lembre-se, mesmo zumbis precisam de diversão. Então, na próxima vez que sentir aquele desejo insaciável por café ou notar que está respondendo e-mails como um autômato, ria um pouco. Afinal, somos todos zumbis tentando sobreviver ao apocalipse da vida moderna.


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Espero que tenha gostado desse texto divertido! Se precisar de mais alguma coisa, estou aqui.

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