segunda-feira, 29 de setembro de 2025
2015 - Ano 43
Síndrome de Charles Bonnet
A
Síndrome de Charles Bonnet é uma condição pouco conhecida, mas bastante
intrigante. Ela ocorre em pessoas que possuem perda significativa da visão,
geralmente em decorrência de doenças como degeneração macular, glaucoma ou
retinopatia diabética. Os indivíduos acometidos começam a vivenciar alucinações
visuais complexas, embora estejam plenamente conscientes de que essas visões
não são reais.
Essas
alucinações podem variar desde formas geométricas simples até imagens de
pessoas, animais ou paisagens. É importante destacar que a síndrome não está
relacionada a problemas psiquiátricos ou demências, o que a diferencia de
outros quadros clínicos que também envolvem alucinações.
Conviver
com a Síndrome de Charles Bonnet traz desafios significativos. Na vida social,
o medo de ser mal interpretado ou julgado pode levar o indivíduo ao isolamento.
Comentários sobre alucinações podem ser mal compreendidos, fazendo com que a
pessoa evite compartilhar sua experiência até mesmo com amigos próximos.
No âmbito
profissional, as alucinações podem gerar distrações ou desconfortos,
especialmente se ocorrem em ambientes que exigem concentração ou interação
constante. Pessoas em fases iniciais da síndrome podem hesitar em buscar ajuda
ou compartilhar suas dificuldades, temendo estigmas.
Já na
vida afetiva, a condição pode trazer sentimentos de vulnerabilidade. Parceiros
e familiares podem ter dificuldade em entender a experiência do indivíduo, o
que pode gerar frustrações ou distanciamento. A empatia e o diálogo aberto são
fundamentais
Embora a
Síndrome de Charles Bonnet não tenha uma cura definitiva, existem estratégias
que ajudam a amenizar seus impactos:
- Informação e conscientização: O primeiro passo é
entender a condição. Saber que as alucinações são uma resposta do cérebro
à perda de estímulos visuais ajuda a reduzir o medo e a ansiedade
associados.
- Estimulação visual e
exercícios:
Alterar o foco do olhar, piscar ou até movimentar os olhos podem ajudar a
reduzir a intensidade ou a duração das alucinações.
- Apoio médico: Em casos mais severos, o
acompanhamento de um oftalmologista ou neurologista pode ser essencial.
Medicamentos específicos ou ajustes na visão residual podem minimizar os
sintomas.
- Terapia: A abordagem humanista foca
na experiência do indivíduo e nas suas percepções. O objetivo não é apenas
lidar com os sintomas, mas ajudar a pessoa a integrar a experiência da
síndrome em sua vida de maneira mais positiva. A terapia humanista
trabalha com o acolhimento, a empatia e a valorização do relato único de
cada paciente. Dessa forma, o indivíduo se sente compreendido e
fortalecido para enfrentar os desafios emocionais e sociais que acompanham
a condição.
- Grupos de apoio: Compartilhar experiências
com outras pessoas que vivem com a síndrome pode ser importante. Esses
espaços ajudam na troca de estratégias e diminuem a sensação de
isolamento.
Apesar
dos desafios, é possível ter uma vida plena convivendo com essa condição.
Reconhecer as dificuldades, buscar ajuda especializada e criar uma rede de
apoio são os passos mais importantes. Além disso, investir no autoconhecimento,
como promovido pela terapia humanista, ajuda a fortalecer a autoestima e a
confiança para enfrentar as adversidades.
A
Síndrome de Charles Bonnet nos lembra que o cérebro humano é fascinante, mas
complexo. A compreensão, o acolhimento e o suporte são as chaves para lidar com
suas nuances e melhorar a qualidade de vida daqueles que a vivenciam.
segunda-feira, 15 de setembro de 2025
Como as diversões ficaram diferentes
Outro dia me peguei lembrando de como era se divertir nos anos 80 e 90. E percebi o quanto as coisas mudaram. Na juventude, diversão era sair com os amigos sem nem precisar combinar direito. Bastava aparecer na esquina, bater na porta de alguém ou ligar de um orelhão. O encontro acontecia meio no improviso, e era isso que fazia graça.
Hoje percebo que a diversão ficou mais planejada. A gente agenda até o café com um amigo no WhatsApp, marca na agenda do celular e, se bobear, confirma no dia anterior. Não tem mais aquele “passa lá em casa” tão espontâneo.
Antes, diversão era barulho: som alto no quarto, fita cassete rolando, televisão de tubo sempre ligada. Agora, muita gente, eu inclusive, prefere silêncio, uma boa leitura, uma série maratonada no sofá ou simplesmente dormir cedo. Parece que a energia mudou de lugar.
E tem outra coisa: quando éramos jovens, diversão era quase sempre fora de casa. Hoje, muita gente descobre que ficar em casa, eu principalmente, e cozinhar algo diferente, jogar conversa fora na sala ou até brincar com o cachorro ou a tartaruga pode ser tão divertido quanto sair. Não que balada e viagem tenham perdido a graça, mas o jeito de olhar para elas é outro. A ressaca já não é só a da bebida, é também a do corpo que demora três dias para se recuperar.
No fim, o que mais mudou não foram as diversões em si, mas a gente. O tempo vai dando outro peso às coisas. O que antes parecia simples, agora parece valioso. O que antes parecia essencial, agora pode esperar. Talvez o segredo esteja justamente aí: descobrir que se divertir não é repetir o que já fizemos, mas encontrar alegria nos lugares que a vida, em cada fase, nos convida a olhar.
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
Livros Antigos
Quando olho para minha estante, vejo mais do que livros. Ali estão pedaços de mim, quase como capítulos de uma biografia que nunca escrevi. Os de psicologia, com suas páginas sublinhadas, são registros de buscas e descobertas. Cada risco, cada anotação à margem é a marca de um tempo em que eu tentava compreender a mim mesmo e aos outros, como quem escreve comentários invisíveis na própria vida.
Alguns volumes já sei quase de cor, como Silogismos da Amargura, do Cioran. Li tantas vezes que certas frases ecoam sem precisar abrir o livro. São como lembranças insistentes, gravadas em mim de forma indelével, acompanhando meus dias como uma voz íntima.
Há também aqueles que li apenas uma vez e nunca mais voltei a abrir. Ainda assim, permanecem. São como experiências únicas, vividas em um tempo que já não volta, mas que continuam presentes, guardadas em silêncio, prontas para me reencontrar se um dia eu quiser.
E não posso esquecer os livros que ainda esperam. Eles são a metáfora perfeita para os futuros possíveis, para as histórias que ainda não vivi, mas que sei que estão ali, aguardando o momento certo. Cada capa fechada guarda uma promessa, um convite para que eu siga adiante.
No fundo, minha estante não é apenas um conjunto de livros, é um reflexo da vida. Há capítulos revisitados, memórias guardadas, aprendizados marcados e caminhos ainda a explorar. Assim como os livros, eu também sou feito de páginas já lidas e de páginas que ainda esperam para ser escritas...
Síndrome de Stendhal
A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...
-
Talvez você nunca tenha ouvido falar da Doença de Urbach-Wiethe, mas além de rara, é uma doença extremamente perigosa. Ela não mata por si ...
-
Eu acho época de eleição muito chata, ainda mais para um cara chato como eu... Mas o que mais me irrita são os militantes partidários e aq...
-
Em virtude da enorme criminalidade e da falta de segurança, muito se critica o desarmamento no nosso país. Combinando o armamento pesado dos...
