segunda-feira, 29 de setembro de 2025

2015 - Ano 43

Parece muito estranho, mas a medida que os anos vão se aproximando do atual, parece que a memória vai ficando distante.

Mas 2015 foi um ano interessante. Coo aconteceu algumas vezes, fui ao desfile das campeãs do carnaval de SP, mas dessa vez, por algum motivo que não me lembro, não fu com meu melhor amigo e no camarote da Brahma, como de costume, mas sim no camarote da Devassa com o irmão e a irmã dele e respectivos namorada e namorado.

Foi legal, me diverti, apesar de beber bem menos porque a Devassa é ruim, mas tiramos fotos, comemos, demos risada.

Eis que na semana seguinte, a irmã do meu amigo me manda mensagem perguntando se podia passar meu telefone para uma amiga dela, que viu nossas fotos e me achou "Interessante" Disse que sim e assim começou meu namoro, um ano depois de ter terminado o anterior.

Foi um ano legal nesse aspecto, fizemos viagens, passeios e etc...

Mas como tudo, ou quase tudo na minha vida é passageiro, e é culpa minha mesmo, não durou tanto assim...

De resto, nada muito novo que me venha à mente agora.

Quem sabe, quando o futuro ficar mais distante, voltem lembranças desse passado que hoje é mais recente...

Síndrome de Charles Bonnet

 

A Síndrome de Charles Bonnet é uma condição pouco conhecida, mas bastante intrigante. Ela ocorre em pessoas que possuem perda significativa da visão, geralmente em decorrência de doenças como degeneração macular, glaucoma ou retinopatia diabética. Os indivíduos acometidos começam a vivenciar alucinações visuais complexas, embora estejam plenamente conscientes de que essas visões não são reais.

Essas alucinações podem variar desde formas geométricas simples até imagens de pessoas, animais ou paisagens. É importante destacar que a síndrome não está relacionada a problemas psiquiátricos ou demências, o que a diferencia de outros quadros clínicos que também envolvem alucinações.

Conviver com a Síndrome de Charles Bonnet traz desafios significativos. Na vida social, o medo de ser mal interpretado ou julgado pode levar o indivíduo ao isolamento. Comentários sobre alucinações podem ser mal compreendidos, fazendo com que a pessoa evite compartilhar sua experiência até mesmo com amigos próximos.

No âmbito profissional, as alucinações podem gerar distrações ou desconfortos, especialmente se ocorrem em ambientes que exigem concentração ou interação constante. Pessoas em fases iniciais da síndrome podem hesitar em buscar ajuda ou compartilhar suas dificuldades, temendo estigmas.

Já na vida afetiva, a condição pode trazer sentimentos de vulnerabilidade. Parceiros e familiares podem ter dificuldade em entender a experiência do indivíduo, o que pode gerar frustrações ou distanciamento. A empatia e o diálogo aberto são fundamentais

Embora a Síndrome de Charles Bonnet não tenha uma cura definitiva, existem estratégias que ajudam a amenizar seus impactos:

  1. Informação e conscientização: O primeiro passo é entender a condição. Saber que as alucinações são uma resposta do cérebro à perda de estímulos visuais ajuda a reduzir o medo e a ansiedade associados.
  2. Estimulação visual e exercícios: Alterar o foco do olhar, piscar ou até movimentar os olhos podem ajudar a reduzir a intensidade ou a duração das alucinações.
  3. Apoio médico: Em casos mais severos, o acompanhamento de um oftalmologista ou neurologista pode ser essencial. Medicamentos específicos ou ajustes na visão residual podem minimizar os sintomas.
  4. Terapia: A abordagem humanista foca na experiência do indivíduo e nas suas percepções. O objetivo não é apenas lidar com os sintomas, mas ajudar a pessoa a integrar a experiência da síndrome em sua vida de maneira mais positiva. A terapia humanista trabalha com o acolhimento, a empatia e a valorização do relato único de cada paciente. Dessa forma, o indivíduo se sente compreendido e fortalecido para enfrentar os desafios emocionais e sociais que acompanham a condição.
  5. Grupos de apoio: Compartilhar experiências com outras pessoas que vivem com a síndrome pode ser importante. Esses espaços ajudam na troca de estratégias e diminuem a sensação de isolamento.

Apesar dos desafios, é possível ter uma vida plena convivendo com essa condição. Reconhecer as dificuldades, buscar ajuda especializada e criar uma rede de apoio são os passos mais importantes. Além disso, investir no autoconhecimento, como promovido pela terapia humanista, ajuda a fortalecer a autoestima e a confiança para enfrentar as adversidades.

A Síndrome de Charles Bonnet nos lembra que o cérebro humano é fascinante, mas complexo. A compreensão, o acolhimento e o suporte são as chaves para lidar com suas nuances e melhorar a qualidade de vida daqueles que a vivenciam.


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Como as diversões ficaram diferentes

Outro dia me peguei lembrando de como era se divertir nos anos 80 e 90. E percebi o quanto as coisas mudaram. Na juventude, diversão era sair com os amigos sem nem precisar combinar direito. Bastava aparecer na esquina, bater na porta de alguém ou ligar de um orelhão. O encontro acontecia meio no improviso, e era isso que fazia graça.

Hoje percebo que a diversão ficou mais planejada. A gente agenda até o café com um amigo no WhatsApp, marca na agenda do celular e, se bobear, confirma no dia anterior. Não tem mais aquele “passa lá em casa” tão espontâneo.

Antes, diversão era barulho: som alto no quarto, fita cassete rolando, televisão de tubo sempre ligada. Agora, muita gente, eu inclusive, prefere silêncio, uma boa leitura, uma série maratonada no sofá ou simplesmente dormir cedo. Parece que a energia mudou de lugar.

E tem outra coisa: quando éramos jovens, diversão era quase sempre fora de casa. Hoje, muita gente descobre que ficar em casa, eu principalmente, e cozinhar algo diferente, jogar conversa fora na sala ou até brincar com o cachorro ou a tartaruga pode ser tão divertido quanto sair. Não que balada e viagem tenham perdido a graça, mas o jeito de olhar para elas é outro. A ressaca já não é só a da bebida, é também a do corpo que demora três dias para se recuperar.

No fim, o que mais mudou não foram as diversões em si, mas a gente. O tempo vai dando outro peso às coisas. O que antes parecia simples, agora parece valioso. O que antes parecia essencial, agora pode esperar. Talvez o segredo esteja justamente aí: descobrir que se divertir não é repetir o que já fizemos, mas encontrar alegria nos lugares que a vida, em cada fase, nos convida a olhar. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Livros Antigos

Quando olho para minha estante, vejo mais do que livros. Ali estão pedaços de mim, quase como capítulos de uma biografia que nunca escrevi. Os de psicologia, com suas páginas sublinhadas, são registros de buscas e descobertas. Cada risco, cada anotação à margem é a marca de um tempo em que eu tentava compreender a mim mesmo e aos outros, como quem escreve comentários invisíveis na própria vida.

Alguns volumes já sei quase de cor, como Silogismos da Amargura, do Cioran. Li tantas vezes que certas frases ecoam sem precisar abrir o livro. São como lembranças insistentes, gravadas em mim de forma indelével, acompanhando meus dias como uma voz íntima.

Há também aqueles que li apenas uma vez e nunca mais voltei a abrir. Ainda assim, permanecem. São como experiências únicas, vividas em um tempo que já não volta, mas que continuam presentes, guardadas em silêncio, prontas para me reencontrar se um dia eu quiser.

E não posso esquecer os livros que ainda esperam. Eles são a metáfora perfeita para os futuros possíveis, para as histórias que ainda não vivi, mas que sei que estão ali, aguardando o momento certo. Cada capa fechada guarda uma promessa, um convite para que eu siga adiante.

No fundo, minha estante não é apenas um conjunto de livros, é um reflexo da vida. Há capítulos revisitados, memórias guardadas, aprendizados marcados e caminhos ainda a explorar. Assim como os livros, eu também sou feito de páginas já lidas e de páginas que ainda esperam para ser escritas...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...