segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Síndrome de Charles Bonnet

 

A Síndrome de Charles Bonnet é uma condição pouco conhecida, mas bastante intrigante. Ela ocorre em pessoas que possuem perda significativa da visão, geralmente em decorrência de doenças como degeneração macular, glaucoma ou retinopatia diabética. Os indivíduos acometidos começam a vivenciar alucinações visuais complexas, embora estejam plenamente conscientes de que essas visões não são reais.

Essas alucinações podem variar desde formas geométricas simples até imagens de pessoas, animais ou paisagens. É importante destacar que a síndrome não está relacionada a problemas psiquiátricos ou demências, o que a diferencia de outros quadros clínicos que também envolvem alucinações.

Conviver com a Síndrome de Charles Bonnet traz desafios significativos. Na vida social, o medo de ser mal interpretado ou julgado pode levar o indivíduo ao isolamento. Comentários sobre alucinações podem ser mal compreendidos, fazendo com que a pessoa evite compartilhar sua experiência até mesmo com amigos próximos.

No âmbito profissional, as alucinações podem gerar distrações ou desconfortos, especialmente se ocorrem em ambientes que exigem concentração ou interação constante. Pessoas em fases iniciais da síndrome podem hesitar em buscar ajuda ou compartilhar suas dificuldades, temendo estigmas.

Já na vida afetiva, a condição pode trazer sentimentos de vulnerabilidade. Parceiros e familiares podem ter dificuldade em entender a experiência do indivíduo, o que pode gerar frustrações ou distanciamento. A empatia e o diálogo aberto são fundamentais

Embora a Síndrome de Charles Bonnet não tenha uma cura definitiva, existem estratégias que ajudam a amenizar seus impactos:

  1. Informação e conscientização: O primeiro passo é entender a condição. Saber que as alucinações são uma resposta do cérebro à perda de estímulos visuais ajuda a reduzir o medo e a ansiedade associados.
  2. Estimulação visual e exercícios: Alterar o foco do olhar, piscar ou até movimentar os olhos podem ajudar a reduzir a intensidade ou a duração das alucinações.
  3. Apoio médico: Em casos mais severos, o acompanhamento de um oftalmologista ou neurologista pode ser essencial. Medicamentos específicos ou ajustes na visão residual podem minimizar os sintomas.
  4. Terapia: A abordagem humanista foca na experiência do indivíduo e nas suas percepções. O objetivo não é apenas lidar com os sintomas, mas ajudar a pessoa a integrar a experiência da síndrome em sua vida de maneira mais positiva. A terapia humanista trabalha com o acolhimento, a empatia e a valorização do relato único de cada paciente. Dessa forma, o indivíduo se sente compreendido e fortalecido para enfrentar os desafios emocionais e sociais que acompanham a condição.
  5. Grupos de apoio: Compartilhar experiências com outras pessoas que vivem com a síndrome pode ser importante. Esses espaços ajudam na troca de estratégias e diminuem a sensação de isolamento.

Apesar dos desafios, é possível ter uma vida plena convivendo com essa condição. Reconhecer as dificuldades, buscar ajuda especializada e criar uma rede de apoio são os passos mais importantes. Além disso, investir no autoconhecimento, como promovido pela terapia humanista, ajuda a fortalecer a autoestima e a confiança para enfrentar as adversidades.

A Síndrome de Charles Bonnet nos lembra que o cérebro humano é fascinante, mas complexo. A compreensão, o acolhimento e o suporte são as chaves para lidar com suas nuances e melhorar a qualidade de vida daqueles que a vivenciam.


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