Outro dia me peguei lembrando de como era se divertir nos anos 80 e 90. E percebi o quanto as coisas mudaram. Na juventude, diversão era sair com os amigos sem nem precisar combinar direito. Bastava aparecer na esquina, bater na porta de alguém ou ligar de um orelhão. O encontro acontecia meio no improviso, e era isso que fazia graça.
Hoje percebo que a diversão ficou mais planejada. A gente agenda até o café com um amigo no WhatsApp, marca na agenda do celular e, se bobear, confirma no dia anterior. Não tem mais aquele “passa lá em casa” tão espontâneo.
Antes, diversão era barulho: som alto no quarto, fita cassete rolando, televisão de tubo sempre ligada. Agora, muita gente, eu inclusive, prefere silêncio, uma boa leitura, uma série maratonada no sofá ou simplesmente dormir cedo. Parece que a energia mudou de lugar.
E tem outra coisa: quando éramos jovens, diversão era quase sempre fora de casa. Hoje, muita gente descobre que ficar em casa, eu principalmente, e cozinhar algo diferente, jogar conversa fora na sala ou até brincar com o cachorro ou a tartaruga pode ser tão divertido quanto sair. Não que balada e viagem tenham perdido a graça, mas o jeito de olhar para elas é outro. A ressaca já não é só a da bebida, é também a do corpo que demora três dias para se recuperar.
No fim, o que mais mudou não foram as diversões em si, mas a gente. O tempo vai dando outro peso às coisas. O que antes parecia simples, agora parece valioso. O que antes parecia essencial, agora pode esperar. Talvez o segredo esteja justamente aí: descobrir que se divertir não é repetir o que já fizemos, mas encontrar alegria nos lugares que a vida, em cada fase, nos convida a olhar.
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