segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Livros Antigos

Quando olho para minha estante, vejo mais do que livros. Ali estão pedaços de mim, quase como capítulos de uma biografia que nunca escrevi. Os de psicologia, com suas páginas sublinhadas, são registros de buscas e descobertas. Cada risco, cada anotação à margem é a marca de um tempo em que eu tentava compreender a mim mesmo e aos outros, como quem escreve comentários invisíveis na própria vida.

Alguns volumes já sei quase de cor, como Silogismos da Amargura, do Cioran. Li tantas vezes que certas frases ecoam sem precisar abrir o livro. São como lembranças insistentes, gravadas em mim de forma indelével, acompanhando meus dias como uma voz íntima.

Há também aqueles que li apenas uma vez e nunca mais voltei a abrir. Ainda assim, permanecem. São como experiências únicas, vividas em um tempo que já não volta, mas que continuam presentes, guardadas em silêncio, prontas para me reencontrar se um dia eu quiser.

E não posso esquecer os livros que ainda esperam. Eles são a metáfora perfeita para os futuros possíveis, para as histórias que ainda não vivi, mas que sei que estão ali, aguardando o momento certo. Cada capa fechada guarda uma promessa, um convite para que eu siga adiante.

No fundo, minha estante não é apenas um conjunto de livros, é um reflexo da vida. Há capítulos revisitados, memórias guardadas, aprendizados marcados e caminhos ainda a explorar. Assim como os livros, eu também sou feito de páginas já lidas e de páginas que ainda esperam para ser escritas...

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