terça-feira, 12 de abril de 2011

Admirável Mundo Novo. Admirável ?


Quando Aldux Huxley escreveu Admirável Mundo Novo, em 1931, certamente não imaginava que sua obra de ficção cientifica criada para fazer críticas às então, ameaças de guerra, se tornaria tão real no século XXI.

A sociedade divida em castas, cada qual já sabendo o que vai ser e como vai viver desde o nascimento e tendo que se conformar com a situação, aceitando que o seu papel na sociedade é exatamente aquele pré-determinado.

Se não concordar, viverá à margem da sociedade, como um selvagem. Todos pertencem a todos. Os sentimentos são renegados e engolidos em nome da liberdade. Não existe amor, não existe paixão, o sexo é apenas mais uma diversão.

Em caso de problemas, um grama de Soma, que nos dias atuais pode ser substituído por  um cigarrinho de maconha, ou uma porção de cocaína, ou até mesmo heroína, uma bolinha de crack no meio da festa. Admirável Mundo Novo!

Assim como no livro o simplesmente "Selvagem" surge na Londres civilizada do futuro, me vejo hoje vivendo neste presente, como um estranho que acredita nos sentimentos e nos valores, que acima de tudo, acredita na verdade.

Alguns diálogos do livro, são perfeitamente aplicáveis a sociedade de hoje, como por exemplo a conversa entre Lenina e Fanny no vestiário feminino depois de um dia de expediente. "...Vais sair, não? Lenina acenou afirmativamente com a cabeça. - Com quem? - Henry Foster. - Ainda? - O rosto de Fanny, arredondado e bondoso, tomou uma expressão de admiração penosa e desaprovadora. Queres de fato dizer que vais sair ainda com Henry Foster? - Mas, afinal - protestou Lenina não há ainda quatro meses que ando com Henry. - Não há ainda quatro meses! Está boa! E, além disso - continuou Fanny, apontando para ela um dedo acusador - não houve mais ninguém, além de Henry, durante esse tempo todo, não é verdade? Lenina fez-se vermelha, mas os seus olhos, o tom da sua voz, continuaram desafiadores. - Não, não houve mais ninguém - respondeu, quase com cólera. - E não vejo por que razão devia ter havido. - Ah! Ela não vê então porque não devia ter havido - repetiu Fanny, como se se dirigisse a um invisível auditório atrás do ombro esquerdo de Lenina. Depois, mudando subitamente de tom: - Mas, a sério - disse - acho, francamente, que devias tomar atenção. É uma horrível conduta essa, com um só homem." Essa situação se reflete hoje, por exemplo, na conversa de duas meninas no colégio, sobre o "ficar" com o maior número de meninos possíveis. É como o diálogo de duas adultas na saída do serviço, aonde uma instiga a outra a trair o marido. " Que absurdo, você é casada, mas está viva, aproveite que não vai te tirar um pedaço " Outro diálogo do livro que é muito atual. "- Lenina Crowne - disse Henry Foster, repetindo como um eco a pergunta feita pelo predestinador adjunto, enquanto fechava o fecho éclair das suas calças. - Oh! É uma magnífica moça. Maravilhosamente pneumática. Admiro-me como você ainda não se deitou com ela. - De fato, não sei como isso foi - disse o predestinador adjunto. - Fá-lo-ei certamente... na primeira ocasião. " Vejo dois rapazes na " balada " copiando o mesmo diálogo, como se estivessem comentando a qualidade de uma picanha na churrascaria.

Da mesma forma, que os pais e mães sucumbem na sociedade do futuro, estão se acabando no presente. Filhos sem pais são gerados aos milhões, muitos deles abortados antes de nascerem e outros, como não são bem vindos, são maltratados e crescem rebeldes tendo um comportamento agressivo e desejoso de vingança, contribuindo ainda mais para o desaparecimento da sociedade civilizada. Depois, com o sentimento de culpa recaindo nos ombros, quando os olhos fechados pelo desejo se abrem, a única fuga é a droga, como o soma que Huxley descreverá muito antes do surgimento da cocaína. Só, que a realidade é cruel e por mais que a droga o afaste da realidade, ela está lá, não muda não parte, não se transforma. E se não é possível conviver com a realidade, usa-se cada vez mais as drogas, provavelmente até a morte, como no caso de Linda, uma "civilizada" que se perdeu no mundo selvagem descrito no livro. O que mais me choca, é que existem sempre, apenas dois caminhos para se seguir nesta vida. E ambos têm placas grandes e distintas que indicam quais são aqueles caminhos. Uma placa diz : Caminho Certo a outra diz Caminho Errado e tem tanta gente que escolhe este por vontade própria. Vai entender esse admirável mundo novo.

Leia o livro on line - http://www.alfredo-braga.pro.br/biblioteca/mundonovo.html

4 comentários:

  1. Bacana mano! Grato pela dica, vou ler o livro digital.
    Abraços.

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  2. Obrigado pela visita Filhote.
    O Livro é muito bom, vale a pena.
    Boa Leitura.
    Abraço!

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  3. Elso, li este livro faz muito tempo, tempo de ginásio ainda. E realmente ele continua atual.
    Parabéns

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  4. Eu li este livro na época da faculdade, há uns 16 anos atrás. Mas parece que ele não se desatualiza nunca!
    Eu recomendo!

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