terça-feira, 26 de abril de 2011

Eutanásia


Hoje minha publicação será certamente polêmica, dividirá, acredito eu, os leitores em pontos de vista diferentes. Não tenho intenção e nem interesse em mudar ou formar a opinião de ninguém, apenas expressar o meu ponto de vista sobre o assunto.

Do grego EU ( bom; boa) TANATHOS (morte).
Boa morte. E desde quando é bom morrer ?

A cultura ocidental formou a nossa sociedade para não aceitar o inevitável. Temos historicamente uma dificuldade muito grande de encarar a morte. Em países do oriente, ao invés de lágrimas, existem festas não para lamentar a morte, e sim para comemorar a vida que se foi que, portanto, existiu e pode ter sido muito boa.

Claro que casos extremos de violência, como assassinatos, guerras, destruição em massa, atos de terrorismo que tiram a vida das pessoas de forma não natural, são sempre carregados de comoção e lamentados, aonde quer que seja.

Mas no ocidente, pessoas que passam por nós e que são importantes em todos os sentidos, se vão e temos enorme dificuldade de entender que é o processo natural da vida.
Talvez por isso, na maioria dos lugares o simples som da palavra que dá nome a este artigo, parece assustador.

Sei que decidir sobre a vida de alguém é algo muito delicado e deve ser analisado por muitas pessoas, mas vejamos alguns casos. Uma pessoa com mais de 80 anos de idade e mal de Alzheimer, deitada sobre o leito de um hospital particular ou público, sem mais condições de fazer nada por própria vontade, sem sequer ter a possibilidade de dizer o quanto está sofrendo naqueles instantes. Será que alguém poderia calcular o que seria melhor para esta pessoa? Será que o sofrimento em viver como um vegetal cercada por pessoas queridas que choram por sua inoperância e impotência é ainda melhor do que ter o ciclo da vida encerrado?

Será que para as pessoas que oram não existe um pedido inaudível para que Deus as leve para poupá-la e também aos seus próximos desse sofrimento?

Claro que em assuntos como este é difícil falar no aspecto financeiro, mas não podemos também deixar de lado tudo que o envolve. Por vezes nossos pais e avós trabalham a vida toda para conseguir dar um bom padrão de vida para a família e certamente não gostariam de ver todo esse trabalho colocado como forma de pagamento para UTIs e leitos hospitalares, cujas diárias chegam a custar R$ 3.000,00. Quanto tempo uma pessoa pode sobreviver sem esperança de ter sua vida de volta, por quanto tempo os médicos podem deixar as pessoas vivendo sem ter vida. Uma pessoa internada em um hospital particular de alto nível pode deixar perto de UM MILHÃO de reais em um ano de internação. E não importa se isso é pouco ou muito para a família.
Será que essa pessoa que ali não pode expressar sua opinião, seu desejo, não preferiria ver esse dinheiro empregado em projetos sociais, ajudando crianças carentes, famílias necessitadas, investindo em outras vidas, já que a sua não vai mais ter de volta?

Eu particularmente jamais quero vir a ser um peso para a minha família, para os meus amigos. Não suportaria ver lágrimas caindo do rosto das pessoas que amo por minha causa, não suportaria viver sabendo que, a cada dia que amanhece, pessoas vão se perguntar se algum milagre aconteceu para que repentinamente eu voltasse a uma vida que já não me pertence mais.

A cada dia que empurramos para frente o sofrimento de alguém, sofremos juntos e se puder evitar isso, certamente farei.

Concordo que ninguém tem o direito de tirar a vida do próximo, mas ninguém tem maior direito de decidir pela nossa vida, ou pelo fim dela, do que nós mesmos.

3 comentários:

  1. Elso, sempre assuntos polêmicos. Parabéns. Eu realmente não tenho medo da morte, tenho medo sim de como vou morrer. Ficar deitado em um leito hospitalar, vegetando é um dos meus medos.
    Você escreve: "desde quando é bom morrer?", esta é uma situação em que a morte seria melhor. Mas, meu caro, olhando pelo lado puramente humano, a eutanásia seria um saida para uma morte digna, porém pelo lado espiritual, nós nunca poderemos avaliar se o que a pessoa sofre é por sua livre decisão no passado, ou ela está lá como instrumento de expiação de seus próprios pecados ou dos que a cercam. (de certa forma pecados não existem). Mas pensemos orientalmente: CARMA. Já que o conceito de pecado real para mim é uma coisa muito diferente do que anunciam por ai. Pecado entre outras coisas que penso, é a indiferença ao seu semelhante, ver o sofrimento alheio poder ajudar e dizer: "isto não é problema meu", é não optar pela felicidade, pela vida. Isto são pecados. Putz quase fiz outro texto em cima do seu. abraços.

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  2. Olá Elias,
    Obrigado pela visita e pela sempre bem vinda opinião.
    Concordo que é melhor abandonar esse plano do que deixar muitos durane muito tempo sofrendo e compadecendo com uma situação irreversível. Ai sim, vem a "Boa Morte".
    Abraço!

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  3. Olá irmão!
    Minha opinião.
    Não suportaria viver numa cama, tanto em casa como no hospital, prefiro a morte.
    O sofrimento nesta situação não é somente do enfermo, e sim de toda a família.
    Sou a favor da Eutanásia, para os casos de pacientes em estado terminal.
    Abraços.

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